A Igreja celebra hoje a memória de Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face.
Sou encantada com ela desde os meus doze anos. A devoção veio de dois lados: materno e paterno. E foi reforçado, em especial, pelo Carmelo São José, com o qual tenho contato desde os 15 anos, tendo com mãe espiritual, desde aquela época até os seus últimos dias, a Madre Mestra Irmã Maria Inês do Menino Jesus, no mundo Odette Trippe. Apesar de meus incontáveis erros, moldou-me para entender que a prece é essencial na minha história, mesmo quando aquilo que peço não dá certo, paras a intimidade com Deus.
Como colocou o Padre Márcio Felipe de Souza Alves, Reitor do Santuário Diocesano Santa Rita de Cássia, na Missa do domingo da 25ª. Semana do Tempo Comum, a respeito do patrão que contratou funcionários em horários diferentes e a todos pagou o mesmo: “A justiça de Deus não é a nossa e nem depende de nós. E os pensamentos e caminhos d’Ele também não são os nossos”. Santa Teresinha viveu assim a sua pequena via: no tempo e nos caminhos colocados por Deus.
Neste ano, segui a novena do Frei Patrício Sciadini, OCD, por indicação da Priora do Carmelo, Madre Maria Madalena de Jesus Crucificado.
No primeiro dia, O Frei Patrício nos convidou a entrar na espiritualidade da PequenaVia: fazer as coisas simples com um grande amor, confiar em Deus e reconhecer que a santidade também se constrói nos pequenos gestos de cada dia. Para isso, precisamos reconhecer nossa pequenez e a nos abandonar nos braços de Deus, confiando como uma criança que espera nos braços de seu Pai.
No quarto dia, me chamou muito a atenção a sua fala sobre a experiência da cruz e a misericórdia. Padre Márcio Felipe, como meu confessor e diretor espiritual, tem me ajudado muito a enxergar a vida na perspectiva da cruz. E quanto isso me ajuda e me faz rever minha história.
Diz Frei Patrício: “A cruz é uma realidade que ninguém pode tirar da própria vida. Que tenha fé ou não, que creia em Deus, ou não creia nEle. Sofrimento não faz exceção de pessoa.
Quem tem fé sofre com alegria, quando o sofrimento se faz um meio de redenção e salvação.
Quando olhamos a vida de Santa Teresinha, encontramos muito sofrimento. Ela aceitou. A única maneira para sofrer menos é aceitar e lutar contra o sofrimento. Por isso que a ciência inventou os remédios, inventou tantas outras coisas.
E nós não devemos ser cruz para ninguém, mas devemos ajudar os outros e proclamar a vida, a esperança e a alegria. Misericórdia não se nega a ninguém. E o que fazer com a nossa fragilidade? Pedir a graça de Deus para superar”.
A alegria da realização da vontade de Deus é a alegria da cruz, pois é a alegria de nos despojar de nós mesmos.
Em outro dia, o Frei Patrício refletiu sobre o abandono.O abandono é uma árvore estranha que tem suas raízes no céu e os ramos para baixo. Abandonar-se em Deus é ter raízes nEle. Aconteça o que acontecer na vida, nunca seremos desamparados porque temos confiança no Senhor.
O abandono de Santa Teresinha é abandono na reciprocidade. Devemos confiar em nossa pequenez, para superá-la na graça de Deus.
Mesmo diante das dificuldades, das dúvidas e dos momentos em que não conseguimos compreender os caminhos do Senhor, a Pequena Via nos ensina a permanecer confiantes, entregando nossa vida a Deus, com a simplicidade de uma criança que busca os braços do Pai.
Santa Teresinha repete mais de 150 vezes nos seus escritos: “Eu sou pequena, eu não tenho força, eu preciso de ajuda”. O caminho da humildade nos leva à misericórdia do Céu.
Maria Cristina Castilho de Andrade é professora e cronista