Bruno Hashimura San Juliano, de 23 anos, tinha um sonho que começou ainda na infância: ser médico. O estudante, que havia buscado diferentes caminhos para ingressar na faculdade de Medicina, morreu nesta quarta-feira (30) após ser baleado durante uma discussão de trânsito em Taubaté. O caso é investigado pela Polícia Civil.
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Em um vídeo publicado em agosto de 2024 pela Unama Santarém, centro universitário privado do estado do Pará, onde ele cursava Medicina, Bruno contou que havia se mudado para o Pará para realizar o projeto de seguir a carreira na área da saúde.
“Eu vim cursar medicina agora na Unama, em Santarém. Vim realizar o meu sonho, que é cursar a carreira de medicina”, afirmou no vídeo.
Na gravação, Bruno relatou que o interesse pela área de saúde surgiu ainda quando era criança. Segundo ele, a escolha pela Medicina foi amadurecendo durante o ensino médio, até que decidiu seguir a profissão.
O estudante também disse estar feliz por integrar a primeira turma de Medicina da instituição em Santarém e afirmou que pretendia adquirir conhecimento para, no futuro, se tornar um bom profissional e contribuir com a área da saúde no oeste do Pará.
Em 2025, Bruno também aparece em uma lista da Unitau (Universidade de Taubaté) entre os candidatos aptos para a prova de transferência para o segundo período do curso de Medicina. Procurada, a Unitau ainda não confirmou se Bruno era estudante da universidade.
Bruno morreu depois de ser baleado durante uma discussão de trânsito na manhã desta quarta-feira (30), na avenida Professor Walter Thaumaturgo, conhecida como Avenida do Povo, em Taubaté.
Segundo o boletim de ocorrência, Bruno estava em um Chevrolet Prisma prata quando houve a discussão com o motorista de um Jeep Renegade preto. O documento registra o bombeiro militar Marcos Paulo Fujarra de Oliveira, de 28 anos, como autor dos disparos.
A Polícia Militar foi acionada por volta das 7h. Bruno foi encontrado ferido e socorrido pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). Ele foi levado ao Hospital Regional de Taubaté, mas não resistiu aos ferimentos.
Testemunhas relataram ter ouvido disparos e encontrado a vítima caída na calçada. O local foi isolado para o trabalho da perícia, e o caso foi encaminhado à Polícia Civil, que registrou a ocorrência como homicídio.
Uma pistola Taurus calibre .380, relacionada ao bombeiro militar, foi apreendida e encaminhada para os procedimentos periciais.
A defesa de Marcos Paulo apresenta uma versão diferente sobre o início da discussão. Em entrevista ao G1, o advogado Cláudio Rodrigues afirmou que o cliente teria sido fechado pelo motorista do Prisma durante o trânsito.
Ainda segundo o advogado, Marcos teria acreditado que Bruno estava armado. A defesa afirma que o objeto que teria sido mostrado pelo estudante era uma faca.
O advogado também declarou que o bombeiro teria se identificado como militar e ordenado que Bruno saísse do veículo. A defesa sustenta a hipótese de legítima defesa.
A dinâmica da discussão e as circunstâncias que levaram ao disparo ainda são investigadas pela Polícia Civil. As autoridades deverão analisar depoimentos, imagens, perícia e demais elementos para esclarecer a sequência dos acontecimentos.
A morte interrompeu a trajetória de Bruno justamente quando ele buscava concretizar o projeto profissional que havia descrito publicamente: concluir a formação em Medicina e se tornar médico.