A família de Bruno Dias, de 35 anos, morador da Vila Zezé, em Jacareí, se despediu do jacareiense após a confirmação de sua morte durante a guerra na Ucrânia. Bruno havia viajado para o país por decisão própria para integrar as forças estrangeiras que atuam ao lado dos ucranianos no conflito contra a Rússia.
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A confirmação encerrou dias de angústia para os familiares. Inicialmente, eles receberam a informação de que Bruno estava desaparecido e poderia ter morrido durante os combates, mas a ausência de fotos, vídeos ou outras evidências mantinha a família entre o luto e a esperança de encontrá-lo vivo.
A tia de Bruno, Alexsandra Arantes Piva, relatou nas redes sociais o sofrimento vivido pelos parentes durante o período de incerteza. Em uma das publicações, ela pediu orações pelo sobrinho e afirmou que a família precisava de uma informação concreta para conseguir compreender o que havia acontecido.
Segundo Alexsandra, os familiares haviam recebido um telefonema e um documento indicando a possível morte de Bruno, mas ainda não tinham elementos suficientes para confirmar a informação.
“Por pior que seja, a gente precisa de uma coisa concreta. A gente vai velar o quê? Não tenho nada. Vou fazer um velório de uma camiseta, de uma foto?”, escreveu a tia em uma das manifestações.
A família chegou a manter a esperança de que Bruno pudesse estar vivo, principalmente diante de relatos de combatentes que permanecem desaparecidos por períodos prolongados durante o conflito.
Posteriormente, Alexsandra confirmou a morte do sobrinho. Em uma publicação emocionada, afirmou que a família passou a ter a certeza sobre o que havia acontecido.
“Foi confirmado a morte do meu sobrinho Bruno Dias. Voltou tudo, foi revelado. Deus cuidando de tudo sempre. Com muita dor, mas aquietou nossos corações”, escreveu.
A confirmação também provocou manifestações de amigos nas redes sociais. Claudemir de Souza lamentou a morte e destacou características pessoais de Bruno.
“Muito triste. Gostava muito do Bruno. Tinha bom coração em todos os sentidos. Que onde esteja encontre sua paz e que Deus conforte”, escreveu.
Outra homenagem chamou Bruno de “herói”. “Vá em paz, Bruno! Menino de coração bom... foi herói”, publicou Paula Papa.
Um amigo de Bruno também publicou uma mensagem de despedida e afirmou que o jacareiense teria retornado para ajudar um companheiro durante um momento de combate.
“Até no seu último momento, você não abandonou quem estava ao seu lado. Você voltou para ajudar seu companheiro. Poderia ter escolhido se proteger, mas escolheu voltar”, escreveu.
Na homenagem, o amigo também destacou a decisão de Bruno de participar do conflito e a relação construída entre os dois.
“Você partiu lutando por aquilo em que acreditava, sem abandonar seus companheiros e sem voltar atrás dos seus princípios”, afirmou.
Em outro trecho, disse que Bruno seria lembrado não apenas pela maneira como morreu, mas também pela pessoa que foi e pelas vidas que tentou ajudar.
“Para mim, você não será lembrado apenas pela forma como morreu, mas pelo homem que foi, pela coragem que teve e pelas vidas que tentou salvar”, escreveu.
A mensagem termina com uma despedida: “Descanse em paz, irmão. Sua luta terminou, mas sua memória jamais vai terminar. Eu te amo. Para sempre.”
A presença de Bruno na guerra já havia chamado a atenção de moradores de Jacareí antes da confirmação de sua morte. Em publicações nas redes sociais, ele aparecia usando uniforme e equipamentos militares e relatava sua participação no conflito.
Segundo relatos divulgados anteriormente por pessoas próximas, a decisão de viajar para a Ucrânia partiu do próprio Bruno. A família, segundo a tia, não apoiava a ida dele para a região de guerra.
“Quando ele foi para lá, foi uma escolha dele. A família ficou aqui, a gente não apoiou. A gente não consegue controlar a decisão de cada um”, afirmou Alexsandra.
As circunstâncias exatas da morte de Bruno e informações sobre os procedimentos para eventual traslado do corpo ainda não foram divulgadas publicamente pela família.