24 de setembro de 2026
CRÉDITO OCULTO

Operação do MP mira empresa em SJC e apura esquema de R$ 11,6 bi

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/Receita Federal
Agente da Receita Federal em fase inicial da operação

Uma distribuidora de combustíveis localizada no bairro Torrão de Ouro, na região sul de São José dos Campos, é alvo da terceira fase da Operação Carbono Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (24).

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Batizada de Crédito Oculto, a ação investiga estruturas financeiras utilizadas, segundo o MPSP (Ministério Público de São Paulo), para ocultar patrimônio, dissimular a origem de recursos e lavar dinheiro.

Um dos dados que chamam a atenção dos investigadores é a movimentação de R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025 por uma empresa do setor financeiro ligada às operações apuradas.

Em São José dos Campos, as diligências contam com apoio do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) do Vale do Paraíba.

Ao todo, são cumpridos mandados de busca e apreensão em 29 endereços relacionados a 13 pessoas físicas e 24 empresas, em São Paulo e outros seis estados.

A operação é realizada pelo MPSP, por meio do Gaeco, em conjunto com a Receita Federal, Secretaria da Fazenda, Procuradoria-Geral do Estado, Polícia Militar e Polícia Civil. Também participam equipes dos Gaecos do Rio de Janeiro, Santa Catarina, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Espírito Santo.

Movimentação de R$ 11,6 bilhões

Segundo o MPSP, uma empresa do setor financeiro utilizada na aquisição simulada de uma empresa sucroalcooleira movimentou aproximadamente R$ 11,6 bilhões entre 2021 e 2025.

Para os investigadores, o volume financeiro, analisado em conjunto com os demais elementos reunidos no caso, reforça os indícios de utilização de estruturas financeiras para ocultação patrimonial, dissimulação da origem dos recursos e lavagem de capitais.

A apuração busca esclarecer como diferentes empresas e instrumentos financeiros teriam sido utilizados, em etapas sucessivas, para esconder os verdadeiros controladores de uma usina sucroalcooleira do interior paulista e, posteriormente, viabilizar a aquisição de uma das maiores distribuidoras de combustíveis do país.

Estrutura investigada

De acordo com o Ministério Público, a estrutura envolvia fundos de investimento, holdings, empresas patrimoniais, empresas apontadas como de fachada, fintechs, banco e escritório de advocacia. Cada uma delas teria exercido uma função específica no fluxo financeiro investigado.

Um dos pontos da apuração envolve uma operação de aproximadamente R$ 370 milhões em direitos creditórios da usina. Conforme o MPSP, uma empresa ligada à sociedade de investimentos teria adquirido os créditos por meio da transferência de cotas de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios).

A análise financeira indicou, segundo os investigadores, que parte significativa do dinheiro utilizado para a aquisição das cotas teria vindo de fundos de investimento controlados pelo mesmo grupo. Para o Ministério Público, o mecanismo teria criado um fluxo financeiro circular, conferindo aparência de legitimidade à operação e dificultando a identificação dos beneficiários.

R$ 100 milhões

Ainda segundo o MPSP, a usina teria recebido R$ 100 milhões enviados pela organização investigada para financiar a aquisição da distribuidora de combustíveis.

O dinheiro teria passado, em poucos minutos, por contas de três empresas do grupo mantidas em fintechs. De acordo com a investigação, essas empresas funcionariam como estruturas de passagem até a transferência dos valores para a conta da usina.

Posteriormente, o montante teria sido aportado em um novo fundo de investimento criado para a operação. O fundo adquiriu um CDB (Certificado de Depósito Bancário) e, conforme as apurações, o banco realizou uma operação vinculada à emissão de duas cédulas de crédito bancário para empresas apontadas como de fachada.

Para o Ministério Público, essas empresas teriam contribuído para afastar os recursos de sua origem e dificultar a identificação dos beneficiários finais da compra da distribuidora.

Imóveis também estão na mira

A investigação também identificou operações envolvendo imóveis. Parte dos recursos teria sido utilizada para adquirir integralmente cotas de um fundo imobiliário.

Segundo o MP, imóveis que davam suporte econômico às operações já haviam sido transferidos para empresas patrimoniais e, posteriormente, para fundos imobiliários. Dessa forma, os bens permaneceriam sob controle econômico do grupo investigado, mas deixariam de aparecer diretamente no patrimônio pessoal dos envolvidos.

Para os investigadores, o modelo teria criado uma camada adicional de proteção patrimonial e dificultado a identificação dos proprietários efetivos.

Filme de Bolsonaro

Entre os alvos das buscas estão Humberto Arthur Tupinambá Neto, executivo do Banco Genial, e os irmãos André e Bruno Tupinambá. Também é alvo da operação Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro e proprietário da Entre Investimentos.

Freixo firmou um termo de colaboração com a PGR (Procuradoria-Geral da República) no início deste mês. Segundo investigação da Polícia Federal citada no contexto da apuração, a empresa teria sido utilizada para repasses de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, relacionados à produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A terceira fase da Operação Carbono Oculto busca aprofundar a identificação dos responsáveis pela estrutura financeira e esclarecer o caminho percorrido pelos recursos até a aquisição da distribuidora de combustíveis.