24 de setembro de 2026
CRIME

Isabelle se jogou da janela, diz perícia; namorado teria induzido

Por Da Redação | Fortaleza (CE)
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Isabelle se jogou da janela, diz perícia; namorado teria induzido

Perícia Forense do Ceará concluiu que Isabelle Caracristi, de 22 anos, se lançou do rooftop do prédio onde morava. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (23), durante uma coletiva conjunta da Polícia Civil e da perícia sobre a investigação da morte da estudante.

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O caso ocorreu em Fortaleza, no bairro Aldeota. Segundo os peritos, os vestígios analisados indicam uma “precipitação voluntária”, termo técnico usado para descrever uma queda provocada pela própria vítima. A perícia descartou, com base nos elementos encontrados, a hipótese de que Isabelle tenha sido empurrada ou arremessada por outra pessoa.

A conclusão sobre a dinâmica da queda, porém, não encerra a investigação. O namorado da estudante, João Munhoz Neto, de 34 anos, permanece preso preventivamente e é investigado por possíveis crimes relacionados a violência psicológica, induzimento ou instigação ao suicídio, além de eventuais condutas para dificultar as investigações.

Perícia aponta queda predominantemente vertical

Os cálculos realizados pela Pefoce indicam que Isabelle percorreu uma trajetória predominantemente vertical. A estimativa é de que a queda tenha durado aproximadamente três segundos até o impacto contra o solo.

No apartamento onde a estudante morava com João, os peritos não encontraram sinais de arrombamento, desordem ou luta corporal. Também não foram identificadas no corpo lesões de defesa, sinais de esganadura ou marcas de agressões físicas anteriores à queda.

Na cortina de vidro do imóvel, foram encontradas impressões digitais atribuídas exclusivamente a João.

A investigação também analisou quase 700 arquivos de vídeo das câmeras de segurança do condomínio. Segundo a Polícia Civil, o material foi considerado íntegro e não apresentou sinais de adulteração.

O ponto exato da queda, no entanto, não era coberto pelas câmeras. O rooftop e as escadas de emergência do edifício não possuíam equipamentos de videomonitoramento.

Isabelle ficou 1h28 no rooftop

A cronologia apresentada pela polícia indica que Isabelle entrou sozinha no elevador às 19h12 e seguiu para o rooftop, localizado no 23º andar.

A perícia estima que a morte tenha ocorrido por volta das 20h40. Com isso, a estudante teria permanecido aproximadamente uma hora e 28 minutos na cobertura antes da queda.

Durante esse período, segundo a Polícia Civil, Isabelle continuou conectada ao celular e trocou mensagens. O conteúdo das conversas é analisado pelos investigadores.

O aparelho estava no bolso da estudante quando ela caiu. Apesar de ter sofrido danos e fragmentação, o celular foi recolhido e encaminhado para perícia, com preservação da cadeia de custódia.

Exames não apontaram álcool ou drogas

O exame necroscópico apontou politraumatismo como causa da morte.

Segundo a Pefoce, a lesão que provocou a amputação da perna direita também ocorreu em consequência do impacto da queda, quando o corpo atingiu o gradil da estrutura.

Os exames toxicológicos e alcoólicos deram resultado negativo para álcool e drogas ilícitas. Foi identificado apenas carisoprodol, um relaxante muscular que, segundo a família, já fazia parte do uso habitual da estudante.

A perícia também informou que Isabelle não estava grávida.

Por que o namorado continua preso?

A conclusão pericial sobre a queda não determina, por si só, o que aconteceu antes da morte. Por isso, a Polícia Civil continua investigando a relação entre Isabelle e João e possíveis acontecimentos que antecederam a ida da estudante ao rooftop.

De acordo com os investigadores, depoimentos reunidos no inquérito apontam relatos de controle, isolamento e possíveis episódios de violência psicológica no relacionamento. Essas informações ainda fazem parte da investigação.

A polícia também apura questões relacionadas à vida financeira do casal, incluindo o uso de cartões da estudante e possíveis divergências entre os dois.

Entre as hipóteses investigadas estão crimes como violência psicológica contra a mulher e induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio, previsto no artigo 122 do Código Penal.

Polícia investiga atitudes após a morte

A Polícia Civil também apura comportamentos atribuídos a João depois da morte de Isabelle.

Segundo os investigadores, ele teria retornado ao condomínio no dia seguinte para procurar o celular da estudante nas áreas externas próximas ao local da queda.

Testemunhas também relataram à polícia que João teria orientado funcionários da portaria a impedir a entrada de familiares de Isabelle no prédio.

Outro ponto investigado é o destino do apartamento. Conforme a Polícia Civil, o imóvel foi limpo por uma pessoa contratada e posteriormente colocado à venda.

Ainda segundo os investigadores, João teria recolhido seus pertences em malas, desativado redes sociais e deixado de fornecer pontos de contato à polícia.

O celular dele foi apreendido e passa por análise. Outros aparelhos eletrônicos também são examinados.

Mãe só descobriu a morte no dia seguinte

A mãe de Isabelle, Isorlanda Caracristi, afirmou que não foi comunicada sobre a morte da filha na noite da ocorrência.

Segundo o relato dela, como não conseguia falar com Isabelle, foi até o condomínio no dia seguinte e descobriu que a filha havia morrido.

A família também informou que Isabelle havia enviado uma mensagem para a mãe pouco antes de subir ao rooftop. Por volta das 19h, a estudante escreveu: “mãe, te amo”.

A estimativa da perícia é de que a morte tenha ocorrido aproximadamente uma hora e 40 minutos depois.

Os relatos apresentados pela família sobre o relacionamento de Isabelle também fazem parte das linhas de investigação da Polícia Civil.

Sete pessoas já prestaram depoimento

Até o momento, sete pessoas prestaram depoimento no inquérito, incluindo João.

A investigação é conduzida por uma força-tarefa que reúne equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da Delegacia de Defesa da Mulher e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa.

O trabalho, segundo a polícia, é realizado sob perspectiva de gênero.

Além dos depoimentos, os investigadores analisam celulares, outros dispositivos eletrônicos, mensagens e imagens das câmeras de segurança. Novos depoimentos ainda estão previstos.

A Pefoce informou que já concluiu 11 laudos periciais relacionados ao caso.

A perícia estabeleceu a dinâmica da queda e concluiu que Isabelle se lançou do rooftop. A investigação policial continua para esclarecer o que ocorreu durante o período em que a estudante permaneceu sozinha na cobertura e se houve eventual influência, indução ou violência psicológica relacionada à morte. O caso tramita sob segredo de Justiça.