Diante das previsões de um verão marcado pela influência do fenômeno El Niño, associado ao aumento da frequência e intensidade de eventos climáticos extremos mesmo antes da chegada da estação, a distribuidora de energia elétrica EDP antecipou a execução do Plano Verão 2026/2027.
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Segundo a empresa, a iniciativa reúne uma série de ações preventivas, reforço operacional e investimentos em tecnologias para fortalecer a resiliência da rede elétrica e garantir maior agilidade no atendimento para os mais de 2,2 milhões de clientes atendidos pela concessionária.
O plano foi lançado nesta terça-feira (22), no COI (Centro de Operação Integrado) da EDP, em São José dos Campos. O evento contou com a presença do diretor-presidente de distribuição da EDP, Dyogenes Rosi, da supervisora da consultoria meteorológica da Climatempo, Ana Clara Marques, entre outras autoridades.
Durante o encontro, foram apresentadas as perspectivas climáticas para os próximos meses e o conjunto de ações da companhia para o período.
O Plano Verão da EDP reúne estratégias voltadas à prevenção, monitoramento e resposta rápida a ocorrências provocadas por eventos climáticos severos.
Entre as medidas estão o acompanhamento meteorológico antecipado e em tempo real, que permite a mobilização estratégica de equipes e recursos, treinamento de pessoas, realização de simulados e o reforço da atuação integrada com órgãos como Defesa Civil, Corpo de Bombeiros e prefeituras.
O objetivo é reduzir impactos aos clientes, garantindo maior segurança e continuidade do fornecimento de energia em situações adversas.
“O cenário climático exige planejamento, preparação e capacidade de adaptação, principalmente, diante da perspectiva de um verão influenciado por um El Niño de forte intensidade. Com isso, a EDP reforça seu compromisso em manter o sistema elétrico cada vez mais resiliente e robusto. Estamos investindo em tecnologia, modernização da rede, capacitação de equipes e ações preventivas em toda a área de concessão para garantir um fornecimento de energia mais seguro, confiável e de qualidade para a população”, disse Rosi.
A estratégia da concessionária passa por um conjunto de investimentos em inovação e digitalização da rede que vem sendo reforçada ao longo dos anos. Atualmente, cerca de 80% dos clientes da EDP na área de concessão já são atendidos pela tecnologia self-healing, sistema que identifica automaticamente falhas, isola os trechos afetados e restabelece o fornecimento em poucos segundos para consumidores atendidos por circuitos alternativos.
Trata-se de um aumento comparado há oito anos, em que cerca de 10% dos clientes eram atendidos pela tecnologia. A ampliação da automação da rede e a instalação de religadores permite reduzir significativamente o tempo de interrupção e acelerar a recomposição do sistema elétrico após ocorrências.
Outro destaque é o aprimoramento da tecnologia utilizada no COI da concessionária, com a implantação do Advanced Distribution Management System (ADMS) ocorrida em julho deste ano, antecipando o período chuvoso.
A nova plataforma integra o monitoramento, o controle e a operação da rede de distribuição em um ambiente único, tornando mais ágil a identificação de ocorrências e a tomada de decisões operacionais.
A ferramenta fortalece a capacidade de identificar situações que possam afetar o fornecimento de energia e proporciona mais agilidade na gestão dos atendimentos durante as ocorrências.
O fortalecimento de tecnologias e infraestrutura está inserido em ciclo de investimentos da companhia. Entre 2025 e 2030, a EDP prevê investir R$ 5 bilhões em nas cidades de sua atuação em São Paulo, em projetos de expansão, modernização e digitalização da rede elétrica, aporte cerca de 30% maior que o ciclo anterior, entre 2019 e 2024.
Atualmente, a distribuidora opera 86 subestações nos 28 municípios, garantindo confiabilidade e qualidade no atendimento à população.
Para além da rede elétrica, a empresa conta com uma rede própria de telecomunicações que cobre 100% da área de concessão, assegurando comunicação estável e eficiente entre o centro de operação e os equipamentos instalados em campo.
Essa infraestrutura fortalece a confiabilidade do sistema elétrico, permitindo o controle em tempo real de subestações, religadores e outros dispositivos automáticos.
A preparação para o período chuvoso começa na prevenção e um dos principais desafios para a manutenção do fornecimento de energia durante temporais é o impacto da vegetação sobre às redes elétricas, com a projeção de galhos e árvores sobre a fiação e equipamentos, durante as tempestades com fortes ventos.
Para reduzir esse risco, a EDP realiza um trabalho preventivo de manejo da vegetação que se encontra sobre às redes de distribuição de energia. Entre janeiro e agosto deste ano, a concessionária realizou mais de 137 mil podas de galhos e árvores, e a limpeza de 113 mil m² de faixa de vegetação, como bambus e cerca vivas, com impacto na fiação e equipamentos das cidades de sua área de atuação.
Os serviços são realizados por equipes especializadas, seguindo critérios técnicos e ambientais, e contam com o apoio das prefeituras, parceria que contribui para aumentar a segurança da população e a confiabilidade do sistema elétrico.
Além disso, a companhia investe em redes mais protegidas em localidades mapeadas com maior densidade de vegetação, com a implantação e substituição de cabos comuns por equipamentos com tecnologia que garantem maior resistência ao impacto das árvores. Somente entre janeiro e agosto deste ano foram instalados 313 km de redes protegidas.
Segundo a EDP, uma parte fundamental do planejamento da operação é a análise de dados baseada no monitoramento permanente das condições meteorológicas. Com o suporte de serviços especializados de previsão do tempo, a companhia acompanha diariamente os cenários climáticos e antecipa o posicionamento de equipes, veículos e equipamentos para as regiões com maior probabilidade de serem impactadas.
Para o enfrentamento dos eventos climáticos, a EDP disse que reforçou sua estrutura operacional e ampliou o número de equipes preparadas para atuar em campo. A empresa informou que os profissionais “possuem capacitação multidisciplinar, o que proporciona maior flexibilidade e agilidade no atendimento das ocorrências”.
Em situações mais críticas, a companhia também pode realocar técnicos de outras regionais para as áreas mais afetadas. A estratégia inclui ainda bases avançadas de apoio e pontos de saída de equipes distribuídos em locais estratégicos da área de concessão. A medida reduz o tempo de deslocamento e aumenta a rapidez na resposta às ocorrências.
Em cenários de maior severidade, a distribuidora tem capacidade de ampliar em mais de sete vezes sua estrutura operacional, com a mobilização de equipes e recursos adicionais para reforçar o atendimento às regiões atingidas.
Nesses casos, a atuação segue um plano de priorização que direciona os esforços para ocorrências envolvendo hospitais, unidades de saúde, serviços de segurança pública, escolas, creches, instituições de longa permanência para idosos e situações que representem risco à vida.
Também recebem atendimento prioritário os clientes cadastrados como dependentes de equipamentos elétricos essenciais para a sobrevivência. O modelo opera com diferentes níveis de criticidade, permitindo que a mobilização de recursos seja ajustada de acordo com a gravidade de cada situação.