O candidato à Presidência da República Renan Santos (Missão) afirmou, durante passagem por Aparecida nesta terça-feira (22), que pretende transformar o Vale do Paraíba em um dos principais polos de tecnologia e indústria de defesa do Brasil.
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Entre as propostas apresentadas para a região estão a concentração de empresas de tecnologia, a expansão da indústria bélica e de drones e o fortalecimento dos investimentos das Forças Armadas em empresas brasileiras.
Renan comparou o potencial do Vale ao de regiões conhecidas pela concentração de empresas de tecnologia, como o Vale do Silício, nos Estados Unidos.
Segundo ele, a localização estratégica entre São Paulo e Rio de Janeiro, a infraestrutura logística e a presença de instituições e empresas como o ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica), a Embraer e a Avibras dão à região condições para ampliar sua participação nos setores aeroespacial, militar e tecnológico.
“Todas as empresas de tecnologia brasileiras, especialmente as industriais, precisam se situar na região do Vale”, afirmou.
O candidato também defendeu a criação de uma estrutura voltada à indústria de defesa e disse que a região deveria concentrar parte da futura produção brasileira de drones e equipamentos militares.
A proposta está alinhada ao programa de governo do Missão, que prevê uma zona econômica especial voltada à área militar no Vale do Paraíba, região onde está instalada a Embraer. O plano também menciona medidas para estimular setores ligados a drones, terras raras e tecnologia.
Para Renan, o Vale reúne características que poderiam favorecer a criação de uma cadeia industrial de alta tecnologia. Ele citou a formação de mão de obra especializada e a conexão entre os dois maiores centros econômicos do país como fatores que, em sua avaliação, poderiam ampliar os investimentos.
Durante a entrevista, Renan também relacionou o desenvolvimento econômico da região à questão da segurança pública. Ele afirmou que o Vale do Paraíba precisa enfrentar a atuação de organizações criminosas e defendeu uma ofensiva nacional contra facções como o Comando Vermelho e o PCC (Primeiro Comando da Capital).
O candidato propôs a prisão prolongada de integrantes das organizações criminosas e afirmou que o governo federal deveria coordenar uma operação nacional com os governos estaduais e as polícias. Segundo ele, a ação deveria ter duração máxima de dois anos.
A segurança é um dos principais eixos do programa de governo do Missão, que prevê uma política de enfrentamento ao crime organizado e mudanças na legislação penal para integrantes de facções.
Questionado sobre a participação do Estado em empresas estratégicas do setor aeroespacial e de defesa, Renan afirmou que não considera necessária uma divisão rígida entre empresas públicas e privadas.
Ele defendeu o aumento da capacidade de investimento das Forças Armadas para ampliar as compras de produtos nacionais e estimular empresas brasileiras a desenvolver tecnologia e disputar mercados internacionais.
O candidato citou setores como aviões, foguetes, tanques e drones e afirmou que o Brasil deveria ampliar sua presença na indústria de veículos aéreos não tripulados. Também relacionou o desenvolvimento desse setor à disponibilidade de terras raras no país.
Na avaliação de Renan, investimentos públicos em defesa poderiam funcionar como indutores para o crescimento de empresas privadas e estatais, com o objetivo de ampliar a produção tecnológica nacional.
Renan Santos esteve em Aparecida nesta terça-feira (22) como parte da “Futuro Glorioso Tour”, caravana de campanha que percorre cidades do Sul e Sudeste entre 16 e 30 de setembro. A agenda inclui também uma atividade em São José dos Campos.
No Santuário Nacional, o candidato afirmou ter pedido “sabedoria” durante a visita. Ele disse que aquela era sua primeira visita ao local na fase adulta e relatou que sua jornada espiritual se intensificou nos últimos dois anos.
"Pedi sabedoria [para Nossa Senhora Aparecida], porque eu sou uma pessoa muito de cabeça quente. Eu sou muito cabeça quente, eu arrumo brigas às vezes desnecessárias. Eu preciso me centrar nessas horas", disse.
Renan também falou sobre a disputa presidencial e afirmou que pretende apresentar suas propostas sem restringir sua campanha a um determinado grupo de eleitores. Na entrevista, disse ter conquistado votos de pessoas que anteriormente apoiavam tanto o PT quanto Jair Bolsonaro.
"Eu tendo a achar que é mais fácil de virar votos com o Flávio Bolsonaro dentro do campo da direita, porque eu sou eleitor também do campo da direita. Mas lá no Nordeste eu virei tantos votos de lulista que eu não vou me restringir. Quem que vier, tá bem-vindo", afirmou.