O mercado imobiliário do Vale do Paraíba registrou queda nas vendas e nas locações de imóveis residenciais usados em agosto de 2026. Segundo levantamento do Creci-SP (Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo), realizado com profissionais e empresas do setor em 29 cidades da região, as vendas recuaram 9,24% em relação a julho, enquanto os contratos de aluguel tiveram redução de 7,97%.
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Apesar da retração, o perfil das negociações revela uma procura concentrada em imóveis considerados mais funcionais. Nas vendas, os apartamentos passaram a representar 54% das transações, contra 46% de casas. Em julho, o cenário era diferente: as casas haviam respondido por 68% das negociações.
A maior parte das vendas ocorreu nas chamadas demais regiões, que concentraram 63,3% das transações. As áreas centrais responderam por 23,3%, enquanto os bairros nobres tiveram participação de 13,3%.
Os imóveis entre R$ 401 mil e R$ 500 mil foram os mais negociados em agosto, representando 38,5% das vendas. Na sequência apareceram as unidades entre R$ 201 mil e R$ 300 mil, com 30,8% das transações.
Imóveis acima de R$ 501 mil responderam por 15,4% das vendas. Já as unidades entre R$ 301 mil e R$ 400 mil representaram 11,5%, enquanto os imóveis de até R$ 200 mil ficaram com apenas 3,8%.
O levantamento mostra ainda forte concentração em imóveis de dois dormitórios. Entre as casas vendidas, essa configuração representou 63,6% das negociações. Nos apartamentos, a participação foi ainda maior, chegando a 73,3%.
Também houve predominância de imóveis de tamanho intermediário. Entre as casas vendidas, 63,6% tinham entre 51 e 100 metros quadrados. Nos apartamentos, 53% das unidades negociadas estavam nessa faixa, enquanto 47% tinham até 50 metros quadrados.
O financiamento imobiliário continuou tendo papel importante nas negociações. A Caixa Econômica Federal respondeu por 35% das aquisições, enquanto outros bancos participaram de 20%.
As compras à vista representaram 25% das transações e as negociações diretamente com o proprietário ficaram em 20%. Somados, os financiamentos bancários corresponderam a 55% das compras realizadas em agosto.
Não houve registro de aquisição por meio de consórcio no levantamento.
O mercado de locação acompanhou o movimento de queda observado nas vendas. Os contratos de aluguel recuaram 7,97% em agosto.
As casas representaram 71% das locações, enquanto os apartamentos ficaram com 29%. Assim como nas vendas, as demais regiões concentraram a maior parte das negociações, com 61% dos contratos. As áreas centrais responderam por 27% e os bairros nobres, por 12%.
A faixa de aluguel entre R$ 1.001 e R$ 1.500 concentrou 25,7% dos contratos, mesma participação registrada pelos imóveis entre R$ 1.501 e R$ 2.000. Os aluguéis acima de R$ 3.001 representaram 22,9%, enquanto a faixa de R$ 2.001 a R$ 3.000 ficou com 20%.
Os imóveis de até R$ 1.000 tiveram participação de 5,7% dos contratos.
Entre as casas alugadas, os imóveis de dois dormitórios representaram 54,2% dos contratos. As unidades de três dormitórios responderam por 29,2%, enquanto imóveis de até um dormitório ficaram com 12,5%. Casas com quatro ou mais dormitórios representaram 4,2%.
A faixa de 51 a 100 metros quadrados também predominou, concentrando 54,2% das locações de casas. Imóveis entre 101 e 200 metros quadrados responderam por 20,8%.
No mercado de apartamentos, a concentração foi ainda maior: 72,7% dos contratos envolveram unidades de dois dormitórios. Os apartamentos de três dormitórios ficaram com 27,3%.
Em relação à área, 81,8% dos apartamentos alugados tinham entre 51 e 100 metros quadrados. As unidades de até 50 metros quadrados representaram 18,2%.
O depósito caução foi a principal modalidade de garantia utilizada nas locações em agosto, com 37,9% dos contratos. Outras formas de garantia somaram 31%, enquanto o fiador respondeu por 17,2%.
O seguro-fiança apareceu em 13,8% dos contratos. Não houve registro de utilização de títulos de capitalização.
Os dados mostram um mercado concentrado em imóveis de perfil intermediário, tanto nas vendas quanto nas locações. Nas compras, ganharam destaque unidades entre R$ 201 mil e R$ 500 mil, enquanto os aluguéis ficaram principalmente entre R$ 1.001 e R$ 3.000.
O levantamento também aponta a importância das condições de crédito para o mercado de compra e venda e da relação entre preço, localização e tamanho para quem procura um imóvel para alugar.
Em agosto, portanto, o mercado imobiliário do Vale do Paraíba combinou retração nas duas principais modalidades de negociação com uma procura mais concentrada em imóveis de dois dormitórios e áreas intermediárias.
O desempenho foi registrado em 29 municípios, entre eles São José dos Campos, Taubaté, Jacareí, Lorena, Guaratinguetá, Caraguatatuba, Ubatuba, São Sebastião, Ilhabela e Cruzeiro.