Cleber Lorenzi, head de Industrialização da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, ministrou uma palestra no Fórum OVALE Taubaté#400 para falar sobre o eVTOL (veículo aéreo elétrico de pouso e decolagem vertical), popularmente conhecido como “carro voador”, que está sendo desenvolvido pela empresa. Ele também falou sobre os caminhos da nova mobilidade aérea.
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O encontro colocou em pauta uma tecnologia que pode ajudar a transformar o perfil industrial de Taubaté nas próximas décadas.
A palestra teve como tema “Taubaté, a capital dos carros voadores”. O executivo da Eve disse que o eVTOL significa o futuro da mobilidade urbana aérea. “Estamos desenvolvendo todo o ecossistema de mobilidade aérea urbana para o eVTOL”, afirmou.
“O que nós estamos trazendo aqui é um novo conceito de mobilidade que utiliza um veículo. Ele decola como um helicóptero e depois ele voa como um avião de forma eficiente”, disse Lorenzi. “Nós somos o único desenvolvedor que conta como um fabricante como a Embraer, com 57 anos de experiência.”
O veículo deve ser certificado para entrar em serviço comercial até 2028.
A presença de Lorenzi ocorre em um momento em que o projeto da Eve Air Mobility avança para transformar Taubaté em uma das principais bases industriais da nova aviação elétrica.
O modelo desenvolvido pela Eve foi projetado para transportar quatro passageiros e um piloto, com autonomia estimada em 100 quilômetros.
A relação de Taubaté com o projeto da Eve ganhou força com a definição do município como local de produção em série da aeronave. “Foi importante a nossa decisão de querer investir aqui também no município de Taubaté”, afirmou Lorenzi.
A fábrica será instalada na área da unidade da Embraer na cidade e terá capacidade projetada para produzir até 480 aeronaves por ano.
A empresa já reúne cerca de 2.700 compromissos de compra para o eVTOL, firmados com mais de 30 clientes em 13 países. Os acordos representam um potencial de aproximadamente US$ 13,5 bilhões.
O desenvolvimento do eVTOL (“carro voador”) da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer, ainda passa por uma série de etapas antes do início das operações comerciais.
Em agosto, o protótipo realizou, na unidade da Embraer em Gavião Peixoto (SP), um teste considerado fundamental para o projeto: a primeira ativação da hélice traseira durante um voo. O mecanismo é responsável por auxiliar a transição do deslocamento vertical para o horizontal.
Durante o teste, a aeronave permaneceu no ar por 3 minutos, percorreu cerca de 1,5 quilômetro a 27 metros de altura e chegou a 55 km/h com a hélice traseira em funcionamento. A Eve pretende ampliar os testes de velocidade em voos de até 92 km/h.
Antes de entrar em operação comercial, o projeto ainda precisa avançar no desenvolvimento e no processo de certificação junto à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). A previsão é iniciar as operações até o final de 2028.
“O propósito da Eve realmente é reimaginar o como fazer melhorar as conexões urbanas, melhorando também as experiências de mobilidade e trazendo outras formas de mobilidade de forma acessível”, disse Cleber Lorenzi, head de Industrialização da Eve.
Segundo ele, os congestionamentos nos centros urbanos fazem com que as pessoas fiquem, em média, 200 horas por ano paradas no tráfego. A Eve usa esse problema como um propósito de resolução.
“Nossa missão é devolver tempo para as pessoas. Tempo e qualidade. [O carro voador] é uma forma de você fazer várias conexões dentro dos grandes centros urbanos que possam atender a diversos tipos de demanda, diversos tipos de uso”, afirmou Lorenzi.
Ele citou exemplos de translados entre aeroportos ou entre o aeroporto e o centro da cidade ou entre pontos dentro da própria cidade, pontos de interesse, até mesmo para usos médicos, para demandas necessárias e urgentes, voos turísticos também.
“Estamos falando aqui de um ecossistema. Não adianta oferecer e criar um produto onde eu não consigo trabalhar com ele e ter um ecossistema que seja adaptado para recebê-lo.”
“A Eve, junto com a Embraer, está desenvolvendo toda uma solução e um ecossistema de mobilidade, que envolve não só o veículo, que será produzido em Taubaté, mas também a parte do novo sistema de gestão de tráfego aéreo, sistema de suporte e apoio aos clientes na fase de uso, a parte de pós-vendas”, completou Lorenzi, durante a palestra no Fórum.
Esta reportagem integra o projeto Taubaté#400, iniciativa de OVALE que propõe uma reflexão sobre a trajetória da cidade, os desafios do presente e as oportunidades para as próximas décadas. Desenvolvido por OVALE, o projeto conta com apoio institucional da Prefeitura de Taubaté e patrocínio da Unitau (Universidade de Taubaté) e Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), Milclean e Avocar.