Gostaria que o título fosse “O apagão de professores”, como uma melancólica verdade que se aproxima. Mas acabei de ler sobre a triste notícia da morte do escritor e jornalista Luiz Paulo Costa, neste dia cinzento aqui em São José dos Campos, e lembro-me de ter passado por ele, em vários domingos, a passos largos. Aprendi apenas uma vez com aquela figura tão carregada de história.
Falou de seu livro e, brevemente, sobre a cidade, já que eu estava apressada para fazer algo provavelmente menos interessante do que aprender ali com ele. Devia ter parado mais vezes naquela calçada...
É triste constatar que apenas agora, após a sua morte, todos falam da grandeza do jornalista e escritor que tanto contribuiu para a cidade.
Também estou no final da carreira. Quero crer que estou longe do final da minha vida e questiono-me agora: por que será que só quando vamos embora é que somos exaltados? Por que será que é tão difícil o reconhecimento de um homem ou de uma mulher de letras?
Quantas escolas carregam o nome de colegas que, por tantos anos, foram anônimos, de sala em sala de aula...
Hoje mesmo comentei na sala dos professores da escola em que trabalho, ou pelo menos do que restou dela, que o próximo passo será a substituição da apagada plaquinha escrita “Sala dos Professores” por algo do tipo “sala de mídia”, ou outro nome mais atrativo, mais instagramável.
O jornalista também será homenageado postumamente e, merecidamente, tenho certeza disso.
Num mundo em que o que rende são likes e vídeos de quatro, cinco segundos, não há espaço para reflexão, para ouvir a voz da experiência, tampouco para a contação de histórias de alguém que as viveu...
Quando nos permitiremos à audição sincera? Pararemos? Ou apenas no silêncio dos sarcófagos e crisântemos saudaremos o conhecimento?