16 de setembro de 2026
SURREAL

'Um por um'; missionárias acusadas de rodízio amoroso com presos

Por Da Redação | Cuiabá (MT)
| Tempo de leitura: 3 min
'Vai ser um por um'; missionárias acusadas de rodízio amoroso com presos

Integrantes do projeto religioso Resgatando Vidas, que tinham acesso à Penitenciária Central do Estado, são apontadas pela Polícia Civil como participantes de relações amorosas e sexuais com diferentes presos. A investigação afirma que alguns dos detentos mantinham posições de destaque dentro de uma facção criminosa.

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O caso ocorreu em Cuiabá, e aparece em um relatório técnico da Gerência de Combate ao Crime Organizado, elaborado a partir da análise de dados extraídos da conta iCloud de Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida. Segundo os investigadores, as conversas indicariam que os contatos mantidos pelas integrantes iam além da assistência religiosa.

A apuração cita mensagens sobre visitas individualizadas, relacionamentos com presos e possíveis benefícios financeiros. O grupo também teria mantido contato com detentos apontados como integrantes do Comando Vermelho.

Conversas sobre visitas

Um dos diálogos analisados envolve Wiara Lima Cadore. Em uma conversa de novembro de 2025, ela teria dito que pretendia visitar diferentes presos separadamente para evitar conflitos entre eles.

Segundo o relatório, a mensagem indicaria um planejamento para encontros individuais com diferentes detentos. Para os investigadores, o conteúdo apresentaria caráter afetivo e pessoal incompatível com uma atuação exclusivamente religiosa.

Em outra conversa, Wiara relatou ter acabado de sair da penitenciária após encontrar um detento. Na sequência, Karolina Lopes Padilha fez uma pergunta em tom de deboche sobre Rhavenna ter “segurado a cortina” para ela.

Wiara respondeu: “Segurou muito bem”.

A Polícia Civil interpretou o diálogo como uma referência de conotação sexual e utilizou a conversa como um dos elementos para sustentar a hipótese de que os encontros ultrapassavam a assistência espiritual.

Presos são citados nas mensagens

As mensagens analisadas também mencionam presos tratados pelas integrantes como namorados ou pretendentes.

Entre os nomes citados estão Pedro Antônio dos Santos, conhecido como “Pedrinho” ou “Cotonete”; Renildo da Silva Rios, chamado de “Velhote” ou “Chapa”; e Luiz Fagner Gomes dos Santos, conhecido como “Zóio”.

De acordo com a investigação, alguns dos detentos mencionados ocupavam posições relevantes dentro da organização criminosa.

O grupo ligado ao projeto religioso também tinha entre suas integrantes Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, Anatany Nina de Barcelos Souza Alves, Lo Rhuama Barcelos de Almeida Gobbi, Jéssi Mariane Araújo dos Anjos, Karolina Lopes Padilha, Lais Barbosa Lopes e Wiara Lima Cadore.

Investigação questiona uso do projeto religioso

A Polícia Civil investiga se o acesso à PCE obtido para atividades religiosas teria sido utilizado também para manter contato com integrantes de uma organização criminosa.

Segundo a apuração, as conversas analisadas levantaram suspeitas sobre a transmissão de informações, intermediação de contatos e obtenção de vantagens para pessoas ligadas ao grupo.

A investigação faz parte da Operação Fariseus, que apura a atuação de pessoas ligadas ao projeto Resgatando Vidas e possíveis vínculos com integrantes do Comando Vermelho.

Rhavenna é apontada como elo da investigação

Um dos principais alvos é Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida, apontada nas investigações como próxima de Jonas Souza Gonçalves Júnior, conhecido como “Batman” ou “K9”, e de Renildo Silva Rios, chamado de “Veio”, “Chapa” ou “Velhote”.

As investigações também apuram movimentações financeiras e outros possíveis benefícios relacionados a integrantes da organização criminosa.

Ao todo, Rhavenna, Renildo, Orminda Carlos de Barcelos Almeida, Rhuan Barcelos da Conceição, Anatany e Lo Rhuama foram denunciados no processo mencionado no material.

Wiara, Jéssi, Karolina e Lais não estão entre os seis denunciados nesse processo. Segundo a apuração, as quatro foram indiciadas por falso testemunho, com possibilidade de análise de eventual acordo de não persecução penal em procedimento separado.

A investigação segue em andamento, e as acusações ainda serão submetidas ao devido processo legal.