A Prefeitura de São José dos Campos e a Urbam (Urbanizadora Municipal) realizam, de forma emergencial, a coleta de resíduos comuns na cidade após a paralisação dos coletores da Ecco Liberty, empresa responsável pelo serviço. A greve começou nesta segunda-feira (14) e, segundo o município, ocorreu sem aviso prévio.
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A medida foi adotada para evitar que a interrupção comprometa ainda mais a coleta de lixo e a prestação de um serviço considerado essencial à população.
Em nova nota divulgada nesta segunda, a Prefeitura informou que notificou formalmente a Ecco Liberty pelo descumprimento das obrigações previstas no contrato. O município classificou a paralisação como ilegal e afirmou que adotará as medidas administrativas cabíveis.
A administração municipal também cobra da empresa a imediata regularização da situação e a retomada integral dos serviços.
A paralisação foi confirmada pela Ecco Liberty, que afirmou que a mobilização ocorre de forma pacífica. Entre as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores estão melhorias nas condições de trabalho, fornecimento de botas e uniformes, mudanças no plano de saúde e revisão do pagamento de horas extras.
Um dos principais pontos de reclamação é a troca da operadora do plano de saúde. Segundo os coletores, o novo convênio teria uma rede de atendimento menor do que a anterior, dificultando o acesso a médicos e outros profissionais.
A Ecco Liberty confirmou a mudança, mas afirmou que o benefício permanece ativo e é custeado pela empresa. Segundo a companhia, o novo contrato é regulamentado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) e oferece cobertura ambulatorial e hospitalar com obstetrícia.
A empresa também informou que houve ajustes pontuais na rede credenciada nas primeiras semanas após a troca. De acordo com a Ecco Liberty, as alterações ocorreram durante o período de transição e levaram à adoção de medidas para ampliar a rede e reforçar o atendimento aos beneficiários.
Os trabalhadores também relatam problemas com os equipamentos utilizados durante a jornada. Funcionários ouvidos pela reportagem afirmam que há falta de botas adequadas e que parte dos uniformes está desgastada ou rasgada.
A reclamação ganhou importância devido às características da atividade, que envolve contato diário com resíduos, objetos cortantes, líquidos e exposição à chuva, além da circulação próxima aos caminhões de coleta.
Outro ponto de divergência envolve o pagamento de horas extras. Os trabalhadores afirmam receber adicional de 50% e reivindicam tratamento semelhante ao destinado aos motoristas, que, segundo relatos apresentados à reportagem, receberiam adicional de 100% em determinadas horas trabalhadas após o expediente.
Até a publicação desta reportagem, não havia sido apresentado documento ou acordo coletivo que permitisse confirmar os percentuais mencionados pelos funcionários. Por isso, os valores são tratados como relatos da categoria.
A Ecco Liberty confirmou a mobilização dos trabalhadores da operação de coleta, mas não informou quantos funcionários aderiram à paralisação nem quais regiões de São José dos Campos foram afetadas.
Também não havia, até a publicação da reportagem, um balanço oficial sobre o número de rotas alteradas, atrasos ou eventuais suspensões da coleta nesta segunda-feira.
Diante do cenário, equipes da Prefeitura e da Urbam foram mobilizadas emergencialmente para manter o atendimento à população e reduzir os impactos da paralisação.
A Ecco Liberty já enfrentou uma paralisação na coleta de resíduos em São José dos Campos em abril de 2024, pouco depois de assumir a operação.
A empresa venceu a licitação realizada em dezembro de 2023 e iniciou a prestação do serviço em março daquele ano. Na ocasião, a Prefeitura informou ter sido surpreendida pela interrupção e afirmou que notificaria a companhia para obter esclarecimentos.
O episódio de 2024, porém, não estabelece relação direta com as reivindicações apresentadas pelos trabalhadores nesta segunda-feira.
Em manifestação sobre a paralisação, a Ecco Liberty afirmou respeitar o direito de manifestação dos funcionários e manter aberto o diálogo para discutir as reivindicações.
A empresa declarou ainda que cumpre suas obrigações e que continuará acompanhando a situação para garantir a manutenção do benefício de saúde e a continuidade da coleta de resíduos em São José dos Campos.
A companhia não detalhou, na manifestação enviada à reportagem, a situação das botas e dos uniformes nem informou os percentuais de horas extras pagos a coletores e motoristas.