Uma mulher foi presa em flagrante por feminicídio após a morte da cunhada, Ana Carolina Augusto dos Santos, de 29 anos, atingida por uma facada no pescoço, na noite desta terça-feira (8), no bairro Santa Luzia, em Caçapava.
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A vítima chegou a ser socorrida pelo Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e levada à Fusam (Fundação de Saúde e Assistência do Município), mas não resistiu.
O caso aconteceu às 22h47, em uma residência na Travessa João Borges de Siqueira. A Polícia Civil determinou a prisão em flagrante da investigada e pediu à Justiça a conversão da medida em prisão preventiva.
A audiência de custódia está prevista para a manhã desta quarta-feira (9). A mulher foi encaminhada para a Cadeia Pública de Caçapava.
Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Militar foi acionada inicialmente para atender uma briga em uma residência, com a informação de que uma das pessoas envolvidas estaria armada com uma faca.
Durante o deslocamento das equipes, os policiais receberam uma nova informação de que uma pessoa havia sido ferida e apresentava intenso sangramento.
Ao chegar ao imóvel, a PM encontrou Ana Carolina caída e aparentemente sem movimentos. Ela apresentava um ferimento na região próxima ao pescoço.
O Samu foi acionado e encaminhou a vítima para a FUSAM, mas ela morreu após dar entrada na unidade.
O boletim aponta que a ocorrência aconteceu durante uma discussão doméstica envolvendo Ana Carolina, o irmão dela e a companheira dele. A vítima estava temporariamente na residência do casal.
O irmão de Ana Carolina prestou depoimento à Polícia Civil e relatou que já haviam ocorrido discussões antes do confronto entre as duas mulheres.
A própria autoridade policial, porém, registrou que o depoimento apresentou hesitações sobre a sequência dos acontecimentos. Por isso, ainda não foi possível estabelecer de maneira inequívoca como ocorreu exatamente o momento em que Ana Carolina foi ferida.
A dinâmica da morte permanece sob investigação. A Polícia Civil determinou a realização de novas oitivas, exames periciais e do laudo necroscópico para esclarecer as circunstâncias do crime.
De acordo com o registro policial, a investigada permaneceu na residência após o episódio e não ofereceu resistência à abordagem. Ainda conforme o relato registrado no boletim, a mulher teria apresentado inicialmente uma versão de legítima defesa.
Ela teria afirmado que houve uma luta corporal entre as duas e que Ana Carolina estaria com uma faca.
Em outro momento, segundo o relato feito pelo policial responsável pela ocorrência, a investigada teria dito que entrou na discussão para proteger o companheiro. Nessa versão, ela teria tomado a faca da vítima e desferido um golpe que atingiu a região próxima ao pescoço.
A informação, no entanto, não é considerada uma confissão formal.
Durante o interrogatório realizado na Polícia Civil, a investigada foi informada sobre o direito de permanecer em silêncio e decidiu não responder às perguntas.
A Polícia Civil registrou inicialmente a ocorrência como feminicídio consumado.
Na decisão que fundamentou o flagrante, o delegado apontou que a legislação permite que uma mulher seja autora de feminicídio quando a morte de outra mulher ocorre em circunstâncias previstas na lei, como em contexto de violência doméstica e familiar.
No caso de Caçapava, a autoridade policial considerou a relação familiar entre as envolvidas e a convivência no mesmo ambiente. Ana Carolina era irmã do companheiro da investigada e estava temporariamente na residência do casal.
A classificação feita no flagrante é inicial e poderá ser analisada ao longo da investigação e do processo judicial.
A Polícia Científica foi acionada para realizar perícia na residência onde ocorreu a morte.
Segundo o boletim, o local sofreu alterações antes da chegada dos peritos, tanto pela presença de pessoas quanto pelas tentativas de conter o sangramento da vítima. Também chovia no momento da ocorrência, fator que deverá ser considerado na análise dos vestígios.
Uma faca de cabo branco, descrita no boletim como do tipo açougueiro, foi apreendida e será submetida a exame pericial.
A autoridade policial também determinou o exame necroscópico de Ana Carolina. O procedimento deverá ajudar a esclarecer a causa da morte, as características e a trajetória do ferimento e a eventual presença de lesões que possam indicar defesa.
A principal questão ainda sem resposta é a sequência exata da briga que terminou com a morte de Ana Carolina. A Polícia Civil deverá ouvir outras pessoas que possam ter presenciado o confronto e analisar os vestígios encontrados na residência.
Também serão preservados e analisados os registros relacionados aos acionamentos da Polícia Militar e do Samu.
A faca apreendida passará por perícia, enquanto o laudo necroscópico poderá contribuir para esclarecer a dinâmica da agressão.
Após a prisão em flagrante, a Polícia Civil pediu à Justiça a conversão em preventiva. A decisão sobre a manutenção da prisão cabe ao Poder Judiciário.