Uma mulher de 59 anos morreu na noite desta terça-feira (2), dias após passar por uma endoscopia em uma clínica particular e sofrer duas paradas cardiorrespiratórias. A família questiona as circunstâncias do atendimento e busca respostas sobre o que aconteceu durante e após o procedimento.
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Miranir de Souza Dias, moradora do Distrito Federal, realizou o exame no sábado (29), na clínica Endocorp, em Planaltina. Segundo familiares, ela tinha histórico de hipertensão e fazia exames de rotina. O caso foi registrado na 16ª Delegacia de Polícia de Planaltina como suspeita de negligência médica.
A cunhada de Miranir, Aldeany Sousa, afirma que a família ainda não recebeu explicações sobre o que teria provocado a piora no estado de saúde da paciente.
“Até agora, ninguém explicou para a gente o que aconteceu. Ela tem apenas histórico de hipertensão, mas estava fazendo exames de rotina. Quando ela saiu da clínica, já estava na maca, com a barriga muito inchada. Algo aconteceu durante esse procedimento para ela ter ficado desse jeito. Se foi um erro médico, queremos saber”, afirmou.
Após a endoscopia, Miranir passou mal e precisou ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF). Ela foi levada ao Hospital Regional de Planaltina (HRPL).
Na unidade, a paciente sofreu uma segunda parada cardiorrespiratória e precisou ser intubada.
De acordo com Aldeany, os familiares receberam inicialmente a informação de que Miranir estava estável. Quando conseguiram visitá-la, porém, encontraram a paciente desacordada e intubada na ala vermelha.
“Quando chegamos ao hospital, falaram para a gente que ela estava estável. Depois, quando conseguimos entrar para visitar, vimos que ela estava na ala vermelha, entubada e desacordada. Foi quando o médico explicou que o estado dela era grave e que precisava de uma UTI”, relatou.
Miranir foi encaminhada para um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e permaneceu internada em estado grave.
Durante o fim de semana, os familiares afirmam que tentaram conseguir uma vaga em um hospital público com estrutura considerada mais adequada, mas não tiveram sucesso.
Diante da dificuldade, a família recorreu à Justiça. Uma decisão judicial permitiu a transferência da paciente, realizada na madrugada de segunda-feira (31), para um hospital particular em Ceilândia.
Miranir permaneceu internada na unidade até a noite desta terça-feira (2), quando morreu.
Os familiares também procuraram a clínica onde a paciente havia realizado a endoscopia para tentar obter informações sobre o atendimento.
Segundo a família, o estabelecimento foi encontrado fechado e sem o letreiro de identificação.
A situação aumentou as dúvidas dos parentes, que agora querem esclarecer se houve alguma intercorrência durante o exame ou no atendimento prestado após o procedimento.
O caso foi denunciado à 16ª Delegacia de Polícia (Planaltina) como suspeita de negligência médica. A investigação deverá analisar os registros do atendimento, os exames realizados e as circunstâncias que levaram às complicações apresentadas pela paciente.
Até o momento, não há conclusão oficial de que tenha ocorrido erro médico.
A reportagem procurou a clínica Endocorp para obter esclarecimentos sobre o procedimento e o atendimento prestado a Miranir, mas não recebeu retorno até a publicação. O espaço permanece aberto para manifestação.