Uma adolescente de 17 anos, identificada como Clara Victória de Oliveira Palhares, foi morta com uma facada no peito em Caraguatatuba, no Litoral Norte, na noite de segunda-feira (31). Ela chegou sem vida à UPA Sul, no bairro Perequê-Mirim, e a Polícia Civil investiga o caso como homicídio qualificado por motivo fútil e emboscada.
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Segundo o boletim de ocorrência, Clara deu entrada na unidade de saúde por volta das 18h30, levada por um homem em um Chevrolet Prisma prata. O homem afirmou aos funcionários que havia encontrado a adolescente ferida em via pública e decidiu socorrê-la. Depois, deixou a UPA dizendo que precisava devolver o veículo.
A adolescente apresentava uma ferida profunda e extensa no peito provocada por arma branca. O atendimento médico chamou a atenção dos investigadores porque, apesar da gravidade do ferimento, a roupa aparentemente não tinha uma perfuração compatível e havia poucos vestígios de sangue.
Clara também apresentava um dente fraturado e marcas no pescoço. Conforme o registro policial, os sinais levantaram a possibilidade de que ela tenha sofrido agressões e até estrangulamento antes de morrer. A hipótese, porém, ainda depende dos exames periciais.
Depois de receber informações sobre a morte da adolescente, policiais retornaram a um imóvel relacionado à ocorrência. No local, encontraram um Chevrolet Prisma prata estacionado em frente à residência. O veículo tinha as mesmas características do carro usado para levar Clara à UPA e foi identificado como pertencente a um dos investigados.
Dentro da casa, os policiais encontraram manchas de sangue e indícios de que o imóvel havia passado por uma tentativa de limpeza. Havia ainda sangue na calçada, segundo o boletim, além de um travesseiro com sangue próximo ao muro, um tijolo aparentemente deslocado, o piso molhado e uma garrafa de água sanitária perto da porta.
O celular de Clara, um iPhone, também foi localizado dentro da residência e apreendido para auxiliar na investigação.
A Polícia Civil passou a investigar Luiz Paulo Prates de Souza e Gabriely Nascimento Pereira. De acordo com o boletim, o pai de Luiz Paulo relatou ter ouvido uma discussão na residência do filho e afirmou que ele mantinha um relacionamento com Gabriely, com quem tem um filho. O homem também disse que era possível que Luiz Paulo tivesse algum tipo de relacionamento com Clara.
Durante as diligências, os policiais tentaram entrar em contato com Gabriely. Nesse momento, o telefone dela começou a tocar dentro da casa do pai de Luiz Paulo. O aparelho foi apreendido.
Até a segunda edição do boletim, emitida na manhã de terça-feira (1º), não havia registro de prisão em flagrante dos investigados.
A Polícia Civil também obteve imagens das câmeras de segurança da UPA que mostram o homem responsável por levar Clara até a unidade de saúde. As gravações serão analisadas para auxiliar na identificação dele e esclarecer o que ocorreu antes da chegada da adolescente ao hospital.
O carro utilizado no socorro também foi apreendido. A perícia deverá procurar impressões digitais e outros vestígios que possam ajudar a reconstruir a dinâmica do crime.
Durante a perícia realizada na residência, a Polícia Técnico-Científica encontrou uma faca que pode ter sido utilizada no homicídio. O objeto foi apreendido e será submetido à análise.
Além da faca, celulares relacionados à vítima e aos investigados foram recolhidos. A Polícia Civil requisitou exame necroscópico e também um exame subungueal, que pode ajudar a identificar eventuais vestígios relacionados a uma possível luta ou contato físico.
O boletim registra ainda o relato de uma pessoa próxima de Clara sobre uma discussão recente envolvendo a adolescente e outra mulher.
Segundo esse relato, a mulher acreditava que Clara teria interesse em seu namorado. A adolescente, por outro lado, teria enviado uma mensagem ao homem para pedir uma tesoura que pertencia a ela. A informação foi repassada à polícia e passou a integrar as linhas de investigação.
Até o momento, não há confirmação de que essa discussão tenha relação com o assassinato.
A Polícia Civil continua analisando os vestígios encontrados na residência, as imagens das câmeras de segurança, os celulares apreendidos e os exames periciais para esclarecer a dinâmica do crime, a motivação e a eventual participação dos investigados.
O caso foi registrado na Delegacia de Polícia de Caraguatatuba como homicídio qualificado por motivo fútil e emboscada.