Uma recepção com cantor, cavalos, chef particular e esquema para convidados “ultra VIP” foi preparada por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para uma visita de Alexandre de Moraes, ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), a Campos do Jordão, segundo mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do ex-banqueiro.
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O encontro, de acordo com a investigação, ocorreu em 30 dezembro de 2023, após três dias de tratativas. A PF identificou o principal convidado como “Alex” nas conversas e atribuiu a referência a Moraes.
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As mensagens indicam que Vorcaro orientou funcionários a preparar uma “experiência completa” para convidados considerados “ultra VIP”. A recepção teria nove convidados e quatro seguranças e contou com a organização de cantor, cavalos e estrutura para a equipe de segurança.
Naquele dia, o ex-ministro das Comunicações Fábio Faria enviou uma mensagem a Vorcaro informando que “Alex quer ir almoçar lá no dia 30”. O banqueiro concordou, e Fábio Faria posteriormente informou que o compromisso havia sido confirmado.
O ex-ministro também disse que seriam “nove pessoas e quatro seguranças”. Ele pediu que a estrutura necessária fosse preparada para os integrantes da escolta e solicitou o endereço exato do local para encaminhá-lo à equipe de segurança.
Depois da conversa com Fábio Faria, Vorcaro acionou uma funcionária e passou orientações para a recepção. “Tem que ser experiência completa. Convidados ultra VIP”, escreveu o banqueiro.
A localização compartilhada por Fábio Faria nas mensagens corresponde ao Hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão.
A equipe de Vorcaro também perguntou sobre a possibilidade de contratar um cantor para o encontro. O banqueiro autorizou a contratação e acrescentou outra orientação: “Deixar cavalos etc.”
Durante o dia da visita, funcionários mantiveram Vorcaro informado sobre a chegada e a movimentação dos convidados. Em uma das mensagens, o empresário pediu que a condução do grupo fosse discreta.
“Não precisa ficar indo em todos locais dentro da casa pra não ficar forçado demais. Deixa ser bem natural”, escreveu.
Durante o encontro, um funcionário identificado como Michael informou a Vorcaro que um desembargador chamado Airton estava presente.
Michael perguntou se deveria providenciar um carro para levá-lo ao fim da visita. Vorcaro autorizou.
As mensagens também registram um episódio envolvendo o chef de cozinha particular de Vorcaro, identificado como Zé Maria.
Segundo Michael, o chef tirou uma fotografia com “o ministro”, trocou telefone com ele e enviou uma mensagem de agradecimento pelo WhatsApp. “Zé Maria tirou foto com o ministro e trocou telefone e chamou no WhatsApp agradecendo. Só para seu conhecimento mesmo”, escreveu o funcionário.
Inicialmente, Vorcaro demonstrou incômodo com a situação. “Isso não podia, né”, respondeu. Em seguida, acrescentou: “Fale com ele pra mim que eu não vou gostar disso.”
Michael explicou que não havia conseguido impedir a fotografia porque, segundo seu relato, o próprio ministro teria pedido para tirar fotos com os presentes.
O funcionário afirmou ainda que havia alertado os presentes de que a empresa não permitia aquele tipo de contato. “Na hora eu não consegui intervir, porque o ministro pediu para tirar fotos com todos, porém eu falei que não podia porque a empresa não permite”, relatou.
Segundo Michael, Zé Maria teria dito que “não podia falar não para o ministro”. O funcionário afirmou que explicou ao chef que Vorcaro não gostava daquele tipo de situação.
Depois da explicação, o banqueiro respondeu: “Mas se foi o ministro que pediu tudo bem”.
A visita ocorreu quatro dias depois de Fábio Faria compartilhar com Vorcaro um número de telefone identificado como “Alexandre de Moraes BRASÍLIA”.
Segundo o relatório da PF, o mesmo terminal telefônico aparecia na agenda de Fábio Faria com outras três identificações: “Novo”, “STF TSE NOVO” e “Eu STF”.
Para a Polícia Federal, as interações analisadas no celular de Vorcaro indicam que “Alex” seria Alexandre de Moraes.
O material integra um documento sigiloso encaminhado pela PF ao ministro André Mendonça, relator no STF das investigações relacionadas ao Banco Master.
A análise foi realizada a partir do celular de Vorcaro, apreendido durante a Operação Compliance Zero.