Taubaté passou por diferentes fases até se consolidar como um dos principais polos urbanos e industriais do Vale do Paraíba.
Depois dos ciclos do ouro e do café, a cidade entrou em uma nova etapa de sua história: a industrialização.
O processo começou ainda no século 19 e ganhou força nas primeiras décadas do século 20, alterando a economia, atraindo trabalhadores e estimulando o surgimento de novos negócios.
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A primeira grande experiência industrial de Taubaté está ligada à Companhia de Gás e Óleos Minerais, criada em 1884. A empresa explorava o xisto betuminoso encontrado na região de Tremembé, que naquele período ainda era distrito de Taubaté.
O material era extraído e levado para a cidade, onde passava por beneficiamento em uma área próxima ao local onde atualmente funciona a distribuidora EDP, às margens da antiga estrada e ao lado da Rodoviária Velha. A fábrica produzia gás e também se tornou pioneira na produção de ácido sulfúrico no Brasil.
A atividade industrial ajudou a criar uma nova infraestrutura para Taubaté. A produção de gás, por exemplo, esteve ligada à implantação da iluminação pública. Também começaram a surgir pequenas oficinas e fábricas voltadas à produção e manutenção de veículos de tração animal e outros equipamentos.
A movimentação ainda estimulou a chegada de profissionais especializados, como mecânicos, que passaram a atender as novas demandas. Linhas de bondes também foram implantadas, conectando diferentes pontos da cidade e a região de Tremembé.
Esta reportagem integra o projeto Taubaté#400, iniciativa de OVALE que propõe uma reflexão sobre a trajetória da cidade, os desafios do presente e as oportunidades para as próximas décadas. Desenvolvido por OVALE, o projeto conta com apoio institucional da Prefeitura de Taubaté e patrocínio da Unitau (Universidade de Taubaté) e Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), Milclean e Avocar.
Outro nome importante nessa primeira fase foi Carneiro de Souza, ligado a uma indústria de beneficiamento de açúcar. A atividade foi uma das primeiras experiências industriais de menor escala na cidade e deixou seu nome na história de Taubaté — e também em uma rua do centro que homenageia o empresário.
O salto mais significativo, porém, viria com a CTI (Companhia Taubaté Industrial). Instalada no fim do século 19, a empresa se tornaria o principal motor do processo de industrialização local.
A CTI era uma indústria têxtil e começou produzindo artigos como meias e camisas de algodão. Entre os responsáveis pelo empreendimento estavam investidores e profissionais com conhecimento técnico para colocar uma grande fábrica em funcionamento.
A empresa ganhou relevância principalmente a partir de 1905 e 1906. Com a contratação de um número crescente de trabalhadores, a região no noroeste de Taubaté passou a concentrar novas atividades econômicas.
Foi o início de um efeito em cadeia. Ao redor da grande indústria surgiram pequenos negócios para atender os funcionários e suas famílias, como estabelecimentos de alimentação, comércio e serviços. Essa “economia marginal” ajudou a acelerar o crescimento urbano.
O processo de industrialização representou mais do que a instalação de fábricas. Ele modificou a dinâmica econômica e social de Taubaté e criou novas oportunidades de trabalho, além de estimular investimentos em infraestrutura e transporte.
A Companhia de Gás e Óleos Minerais chegou a ser apontada, na época, como uma indústria com potencial para crescer ainda mais. O empreendimento enfrentou, porém, dificuldades diante da concorrência de empresas estrangeiras, especialmente britânicas, segundo registros e debates políticos do período.
O verdadeiro surto industrial e urbano, contudo, veio com a CTI, de Félix Guisard. A partir dela, Taubaté começou a construir uma identidade econômica cada vez mais ligada às fábricas e aos operários.
Após os ciclos do ouro e do café, a indústria inaugurou uma nova fase, responsável por ajudar a moldar a Taubaté urbana que se desenvolveria ao longo do século 20 e que agora mira o futuro.