Os atores Vanessa Gerbelli e Carmo Dalla Vecchia chegam a São José dos Campos nesta sexta-feira (28) com “Forever Young”, espetáculo que há uma década aborda o envelhecimento de forma bem-humorada e provocadora. A apresentação será no Teatro Colinas, às 20h.
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Escrita por Erik Gedeon e dirigida no Brasil por Jarbas Homem de Mello, a montagem estreou em 2016 e acompanha seis artistas idosos em um retiro. Quando a enfermeira deixa o local, eles se entregam à música e às situações cômicas. Com mais de 500 mil espectadores, o espetáculo chega à cidade em nova turnê pelo Brasil.
No elenco, Vanessa e Carmo levam ao palco uma história que aborda as limitações da idade, mas também a beleza e a poesia de chegar à maturidade.
A OVALE, os protagonistas falaram sobre as transformações do corpo, a finitude, as reflexões provocadas pelo texto, a preparação para o espetáculo e a percepção individual sobre o passar do tempo.
Interpretar uma versão mais velha de si mesmo é também um exercício sobre o próprio corpo. O processo de construção, segundo Vanessa, envolve imaginar um corpo com menos energia, musculatura mais frágil e movimentos mais contidos.
“A gente marca as nossas próprias rugas”, enfatiza. “Então, a gente realmente se projeta no tempo”, conta.
Porém, mais do que pensar na aparência, a experiência desperta na atriz uma preocupação com as limitações que podem surgir com a idade e com a preservação da mobilidade.
Carmo vê a montagem como uma espécie de preparação simbólica para o próprio envelhecimento. “O espetáculo nos ajuda a envelhecer”, diz ele.
Em dez anos de apresentações, o ator também percebeu mudanças no próprio corpo. Algumas características que antes precisavam ser construídas em cena passaram a fazer parte de sua experiência corporal após uma cirurgia bilateral dos meniscos e a perda da cartilagem do ombro.
“Eu já vejo no meu corpo, em dez anos, algumas coisas que eu não preciso mais fazer tanto esforço em cena para mostrar. Já está”, comenta.
Para além das transformações do corpo, “Forever Young” conduz os personagens a uma questão inevitável: a finitude. Mas a velhice, na montagem, não aparece apenas associada às perdas. O espetáculo também procura encontrar beleza na passagem do tempo e na própria experiência de ter vivido.
Transformar a passagem do tempo em arte é um dos temas centrais da montagem. Na peça, o fim se entrelaça com uma vida dedicada à arte, tanto no ofício dos personagens quanto na trajetória dos atores na vida real.
A própria enfermeira funciona como uma representação indireta de uma visão mais negativa sobre o envelhecimento. Sob seus cuidados, os personagens vivem em um ambiente marcado pelas limitações impostas pela idade. Quando ela deixa o espaço, porém, eles recuperam a liberdade e se entregam à música, às lembranças e ao prazer de estar vivos.
Vanessa menciona, entre os momentos que mais lhe tocam emocionalmente, justamente aquele em que os personagens refletem sobre a morte a partir do teatro.
“Quando eles pensam na finitude e, em vez de pensar nisso com tristeza, pensam nisso com arte”, declara. Os personagens recorrem a textos teatrais para refletir sobre a morte, conta. Para ela, a cena se destaca em meio ao ritmo ágil e bem-humorado da montagem. “É um momento que se destaca ali que, para mim, é de uma beleza imensa”, reflete.
Carmo aprecia uma cena em que os atores olham para cartazes de pessoas que já partiram.
“Em meio a esses cartazes tem um colega nosso que fazia a peça com a gente, que partiu. Então tem um... para mim, eu acho bastante tocante”, conta. Ele também menciona um momento em que os atores permanecem em silêncio, olhando para si mesmos e para os outros. O momento, segundo ele, provoca “uma risada nervosa” na plateia, que acaba por se identificar ou enxergar os pais, os avós e conhecidos.
Além de compartilharem uma década em cena, Vanessa e Carmo se conhecem há quase 30 anos. Essa trajetória é um ganho para a plateia, que desfruta da sintonia entre os dois no palco, marcada pela liberdade em cena e pelo profundo conhecimento de todas as nuances do texto.
“Um dos gols do espetáculo é reunir pessoas que tecnicamente no palco mandam muito bem”, afirma Carmo.
Ele considera “Forever Young” um dos trabalhos mais importantes de sua carreira. “Eu acho que, de todos os espetáculos que eu fiz, talvez seja um dos mais importantes da minha carreira”, diz.
Para ele, a importância está principalmente na capacidade de comunicação da montagem. “Às vezes a gente está se divertindo muito no palco e não necessariamente a gente está conseguindo contar a história que deve ser contada”, explica.
Em “Forever Young”, segundo Carmo, a experiência é diferente. “Esse espetáculo se realiza no palco. As pessoas que assistem têm uma experiência muito bonita e muito genuína a respeito da finitude (...) o tema toca o público e toca a gente”, resume.
Vanessa também destaca a reação da plateia. “As pessoas saem e querem voltar no dia seguinte. Eu nunca vivi isso, assim, de você fazer um espetáculo e a pessoa ‘vai, quero ver de novo amanhã’”, conta.
A música é outro elemento importante da montagem e ajuda a aproximar o espetáculo do público. Com um repertório de pop e rock, Carmo afirma que “as pessoas que forem assistir verão, no mínimo, um belo show de rock”.
Forever Young terá uma apresentação no Teatro Colinas, em São José dos Campos, na sexta-feira (28), às 20h. A classificação etária é de 14 anos.
O teatro fica na avenida São João, nº 2000, no bairro Jardim das Colinas. Os ingressos podem ser adquiridos online ou na bilheteria.
Além de Carmo e Vanessa, estão no elenco Janaina Bianchi, a Tia (Guilherme Uzeda), além de Miguel Briamonte ao piano e na direção musical. A produção geral é de Henrique Benjamim.