A mulher de 24 anos que foi encontrada presa, amarrada e mantida em um cativeiro por cinco dias conseguiu uma medida protetiva contra o ex-marido nesta segunda-feira (24). A decisão ocorreu três dias após o resgate da vítima pela Polícia Militar.
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O caso aconteceu em Águas Lindas de Goiás, no Entorno do Distrito Federal. Emiliane Tamara Nunes Carvalho afirma que buscava proteção contra Ailton Rodrigues de Souza desde 2020. Segundo o Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), pedidos anteriores foram concedidos em determinado momento, posteriormente encerrados, ou acabaram indeferidos diante dos elementos apresentados à Justiça.
A nova medida protetiva foi concedida depois que Ailton foi preso em flagrante na sexta-feira (21). Os policiais encontraram Emiliane em um imóvel, presa com correntes, cordas e algemas.
Segundo o TJGO, Emiliane chegou a obter uma medida protetiva em dezembro de 2020, com validade de 180 dias. No ano seguinte, durante um inquérito policial, a própria vítima teria informado que não tinha interesse na continuidade da proteção.
O Ministério Público pediu o arquivamento da investigação por falta de justa causa, e a Justiça determinou também o encerramento da medida protetiva, por estar vinculada ao inquérito.
Em 2026, a mulher voltou a procurar a Justiça e relatou episódios ocorridos entre dezembro de 2025 e março deste ano. Entre as situações mencionadas estavam danos a uma câmera de segurança, lançamento de artefatos explosivos nas proximidades da residência e problemas no veículo.
Na ocasião, porém, a vítima afirmou não ter certeza sobre a autoria dos episódios e apenas suspeitava do envolvimento do ex-marido.
Posteriormente, ela relatou uma invasão à residência, com destruição de câmeras e pichações no muro. De acordo com o TJGO, não havia naquele momento elementos objetivos que permitissem relacionar os fatos ao ex-companheiro.
O pedido foi indeferido, mas a Justiça ressaltou que uma nova solicitação poderia ser apresentada caso surgissem fatos novos e concretos.
A vítima estava desaparecida desde segunda-feira (17), quando saiu de casa para uma consulta e não retornou. Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que ela deixou a clínica onde havia sido atendida.
Segundo a Polícia Militar de Goiás (PMGO), depois da consulta, a jovem teria sido sequestrada pelo ex-marido e levada para um cativeiro, onde permaneceu por cinco dias.
A localização da vítima ocorreu após policiais abordarem Ailton em uma via pública. Conforme a PMGO, ele tentou fugir e resistiu à abordagem, mas acabou preso.
A partir da análise de endereços relacionados ao suspeito, os policiais chegaram ao imóvel onde Emiliane era mantida.
No local, a equipe da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) Entorno Oeste encontrou a mulher presa com algemas, cordas e uma corrente de ferro. Ela também estava com uma máscara no rosto, segundo a PMGO.
A polícia apreendeu ainda um carro, uma arma de fogo, algemas, cordas, correntes e sedativos.
Durante a audiência de custódia, Ailton afirmou possuir registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas negou ter utilizado a arma para ameaçar ou sequestrar a ex-esposa.
A Justiça de Goiás manteve a prisão preventiva do homem no sábado (22). O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás.
Segundo o relato da vítima às autoridades, ela também teria sofrido violência sexual durante o período em que permaneceu no cativeiro. A investigação deverá apurar todas as circunstâncias e responsabilidades relacionadas ao caso.