O presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e candidato ao Senado por São Paulo, André do Prado (PL), afirmou que sua trajetória política foi construída a partir da experiência no município de Guararema e defendeu a candidatura como uma oportunidade de ampliar a atuação em defesa dos municípios paulistas. Prado também defendeu a privatização da Sabesp, criticou decisões monocráticas do Supremo Tribunal Federal (STF) e afirmou que pretende apoiar uma anistia ampla, geral e irrestrita para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. “Não houve tentativa de golpe”, declarou.
Durante entrevista ao jornalista Corrêa Neves Jr., do Portal GCN/Rede Sampi, no podcast Arena GCN, Prado relembrou a trajetória iniciada aos 12 anos, quando começou a trabalhar em uma feira, a entrada na política aos 22 anos, a passagem pela Prefeitura de Guararema e a ascensão até a Presidência da Alesp; falou sobre a relação com o PT e as demais bancadas durante o comando do Legislativo paulista, defendeu a Tabela SUS Paulista e a universalização do saneamento, criticou o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou acreditar na vitória de Flávio Bolsonaro (PL) para a Presidência da República e apresentou as prioridades que pretende levar ao Senado caso seja eleito.
Assista ao podcast na íntegra no vídeo acima.
André do Prado contou que começou a trabalhar aos 12 anos, após a separação dos pais, ajudando o tio em uma feira e a mãe em um comércio da família. Segundo ele, a experiência marcou sua formação e permanece como referência em sua atuação pública.
A entrada formal na política ocorreu aos 22 anos, quando recebeu o convite para disputar uma vaga de vereador em Guararema. Na primeira eleição, conquistou 241 votos e terminou em segundo lugar, apenas oito votos atrás do primeiro colocado.
Depois, foi reeleito vereador, presidiu a Câmara Municipal, tornou-se vice-prefeito e ocupou a Secretaria de Saúde. A experiência na área, segundo o deputado, alterou sua percepção sobre a realidade enfrentada pela população.
“Quando você passa na Secretaria de Saúde, você entende realmente os valores da vida. Você entra um ser humano e sai outro ser humano, muito mais sensível, muito mais humano”, afirmou.
Na Prefeitura de Guararema, André disse ter reorganizado administrativamente o município e triplicado o orçamento. Também afirmou ter encerrado o mandato com 92% de aprovação, resultado que, segundo ele, chamou a atenção da classe política.
A partir daí, recebeu o convite de Valdemar Costa Neto para disputar uma vaga na Alesp. Em 2009 e 2010, percorreu mais de 400 municípios paulistas em busca de apoio e foi eleito deputado estadual em 2010, com 86.346 votos.
Nas eleições seguintes, ampliou a votação e participou do crescimento da bancada do PL. Com a chegada de Jair Bolsonaro ao partido, a legenda passou a ter a maior bancada da Assembleia, com 19 deputados estaduais.
Após quatro mandatos na Assembleia, André do Prado decidiu disputar uma das duas vagas de São Paulo no Senado em 2026. Ele afirmou que a decisão ocorreu após um convite do governador Tarcísio de Freitas.
O deputado considera que a eleição para o Senado está diretamente relacionada à disputa pelo governo estadual e aposta na associação de sua candidatura com a gestão de Tarcísio.
“A população vai entender que se o governador me escolheu é porque São Paulo precisa de um senador alinhado, conectado com os problemas do Estado de São Paulo”, disse.
André afirmou ainda que sua experiência de 16 anos como deputado estadual e sua participação na aprovação de projetos do governo na Assembleia seriam fatores importantes para a candidatura.
A eleição de André do Prado para a Presidência da Alesp teve apoio de diferentes bancadas, incluindo a do PT. Ele atribuiu o resultado ao cumprimento do regimento interno da Casa e à necessidade de respeitar a proporcionalidade entre os partidos.
Segundo André, como o PT era a segunda maior bancada, coube ao partido a Primeira Secretaria. Outras legendas também receberam posições na Mesa conforme o tamanho das respectivas bancadas.
O presidente da Alesp afirmou que, depois de eleito, precisou assumir uma postura institucional, independentemente de sua filiação partidária.
“Como presidente, eu tenho que gerenciar a Casa como um todo, levar harmonia para dentro dessa Casa para ela poder votar os projetos importantes para a população”, afirmou.
Ele também defendeu o direito da oposição de participar das comissões, audiências públicas e frentes parlamentares, além de ocupar o espaço regimental no plenário.
Para André, a existência de uma oposição representando cerca de 30% da Assembleia exige respeito institucional, mas as decisões finais devem seguir a maioria dos votos.
Entre as votações das quais afirma ter mais orgulho, André do Prado citou a alteração da Constituição Estadual que permitiu flexibilizar a aplicação de recursos entre Saúde e Educação e a privatização da Sabesp.
A votação da companhia de saneamento foi marcada por tumulto no plenário e uso de spray de pimenta. Questionado se repetiria a decisão de manter a sessão naquela ocasião, o presidente da Alesp respondeu que sim.
“Eu faria da mesma forma”, afirmou.
André sustenta que a privatização permitirá acelerar a universalização do saneamento no Estado de São Paulo. Ele afirmou que o Estado passou de cerca de R$ 5 bilhões anuais em investimentos para um cenário de dezenas de bilhões de reais contratados para obras de saneamento.
Como exemplo, citou Cajamar, Francisco Morato e Franco da Rocha, onde afirmou que não havia tratamento de esgoto e que, posteriormente, houve avanço na coleta e tratamento.
Também mencionou Guarulhos, que, segundo ele, passou de uma situação de baixa cobertura para uma previsão de alcançar 80% de esgoto coletado e tratado até o fim de 2026.
O deputado defendeu que o saneamento tem impacto direto sobre saúde pública, segurança hídrica, desenvolvimento econômico e qualidade de vida.
Ele também afirmou que a experiência de Guararema reforçou sua posição. Durante sua gestão como prefeito, foi inaugurada uma estação de tratamento de esgoto que, segundo André, contribuiu para a recuperação do Rio Paraíba do Sul no município.
A alteração constitucional que permitiu a criação da Tabela SUS Paulista também foi apontada por André como uma das principais entregas de sua passagem pela Presidência da Alesp.
Segundo ele, o mecanismo aumentou os valores pagos pelos procedimentos realizados por hospitais filantrópicos. Como exemplo, citou o parto normal, cujo pagamento mencionado para o SUS nacional seria de R$ 443, enquanto, pela tabela paulista, chegaria a R$ 2.300.
Na avaliação do deputado, o aumento da remuneração ajudou hospitais filantrópicos a ampliar serviços e leitos.
André citou a Santa Casa de Franca como exemplo e afirmou que o hospital passou a ter situação financeira mais favorável em razão da Tabela SUS Paulista.
Também relacionou a medida à reabertura de mais de 8,4 mil leitos hospitalares no Estado.
Na entrevista, André do Prado também apresentou uma posição crítica em relação ao Supremo Tribunal Federal. Ele afirmou defender o impeachment de qualquer autoridade que cometa crime de responsabilidade, inclusive ministros da Corte.
“Ninguém está acima da lei”, declarou.
O deputado criticou especialmente decisões monocráticas que, segundo ele, podem interferir em decisões tomadas pelo Poder Legislativo.
Para André, é necessário restabelecer maior equilíbrio entre os Poderes e limitar situações em que uma decisão individual de um ministro possa interromper efeitos de uma decisão tomada pelo Congresso Nacional.
Ele afirmou que, caso seja eleito senador, pretende ter disposição para votar medidas consideradas impopulares quando entender que sejam necessárias.
André do Prado defendeu uma anistia ampla, geral e irrestrita para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro. Para ele, a chamada dosimetria poderia apenas reduzir as consequências das condenações, mas sua prioridade seria a aprovação da anistia.
Questionado se considera que houve uma tentativa de golpe de Estado, respondeu negativamente.
Segundo André, os atos deveriam ser classificados individualmente, distinguindo quem participou de manifestações daqueles que efetivamente cometeram vandalismo.
“Não houve tentativa de golpe”, afirmou.
Ele também rejeitou a interpretação atribuída ao brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, segundo a qual houve uma tentativa de golpe que não teria sido concretizada.
Para André, não estavam presentes os elementos necessários para caracterizar um golpe de Estado.
Na discussão sobre a eleição presidencial, André declarou acreditar na vitória de Flávio Bolsonaro e contestou a avaliação de Gilberto Kassab, que havia manifestado opinião contrária à possibilidade de vitória do senador.
André atribuiu sua confiança ao cenário econômico e à avaliação que faz do governo federal.
“Acredito piamente na vitória do Flávio”, afirmou.
O deputado também afirmou que a população estaria percebendo os problemas econômicos do país e que esse cenário poderia influenciar o resultado eleitoral.
André fez uma avaliação negativa da situação fiscal do governo federal. Entre os problemas citados estão o crescimento da dívida pública, o endividamento das famílias, os juros elevados, a carga tributária e o aumento dos gastos públicos.
Ele defendeu uma reorganização das contas nacionais e afirmou que o país precisa adotar medidas de responsabilidade fiscal para evitar a perda de capacidade de investimento.
O deputado usou a administração estadual como referência e citou medidas adotadas em São Paulo, como reforma administrativa, redução de cargos, reorganização de empresas e renegociação de dívidas.
“Tem que dar uma reorganizada no país para dar esperança para a população”, afirmou.
André também comparou a situação fiscal a uma família que acumula dívidas e chega a um ponto em que não consegue mais pagar as contas.
Ao ser questionado sobre uma eventual aproximação do Brasil com o modelo venezuelano, afirmou que o país está distante daquela realidade, mas defendeu uma mudança de direção econômica e fiscal.