19 de agosto de 2026
DEZ FORAM PRESOS

'X-Men do PCC' em Taubaté: quadrilha é investigada por 15 mortes

Por Da redação | Taubaté
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação/Polícia Civil
Um dos suspeitos que foram presos durante a Operação X-Men

Uma organização criminosa investigada pela Polícia Civil por ligação com 15 assassinatos em Taubaté mantinha um “dossiê do crime” para planejar a morte de rivais. O material reunia informações sobre possíveis vítimas, incluindo pesquisas em redes sociais, locais frequentados e imagens feitas durante o monitoramento dos alvos.

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A descoberta foi feita pela Deic (Delegacia Especializada de Investigações Criminais) durante a Operação X-Men, deflagrada na segunda-feira (17). Dez integrantes da quadrilha foram presos. Outros sete investigados, que também tiveram a prisão preventiva determinada pela Justiça, são considerados foragidos.

Segundo a investigação, o grupo atuava principalmente no tráfico de drogas e passou a utilizar nomes de personagens dos X-Men para dificultar a identificação dos integrantes durante as comunicações. A estratégia deu origem ao nome da operação.

Quadrilha monitorava rivais

Um dos presos é apontado pela Deic como responsável por organizar a logística dos homicídios determinados pelas lideranças da quadrilha. Ele teria pesquisado os possíveis alvos na internet, utilizado perfis falsos para obter informações e identificado locais frequentados pelas vítimas.

O suspeito também teria circulado de carro por determinados pontos para fazer filmagens. Todo o material era reunido no chamado “dossiê do crime” e encaminhado aos integrantes que seriam responsáveis pelas execuções.

A investigação aponta ainda que o suspeito preparava veículos roubados para serem usados nos homicídios. Os carros eram transformados em veículos “dublês”, com características semelhantes às de outros automóveis, e posteriormente abandonados para dificultar o trabalho da polícia.

Estagiária de Direito é suspeita

Entre os dez presos está uma estagiária de Direito apontada como integrante da organização. Segundo a Polícia Civil, Camila Carvalho Bonafé Alves Corrêa utilizava o apelido “Jean Grey” e teria atuado na comunicação entre integrantes presos e criminosos que continuavam em liberdade.

De acordo com os investigadores, ela recolhia cartas enviadas de dentro de presídios e retransmitia as determinações das lideranças aos integrantes que permaneciam nas ruas.

A prática, segundo a Deic, mostra que a organização conseguiu manter sua estrutura mesmo depois da prisão de integrantes considerados importantes para o grupo.

O líder apontado pela polícia e seu braço direito já estavam presos antes da Operação X-Men, após uma prisão em flagrante realizada pela própria Deic. O homem apontado como responsável pela articulação dos homicídios foi preso durante a ação de segunda-feira.

A defesa dos investigados não foi localizada. O espaço segue aberto para manifestação.

Disputa entre facções

A investigação teve início após uma forte alta no número de homicídios registrada em Taubaté em 2021. Naquele ano, a quantidade de mortes violentas chegou a 42, contra uma média de aproximadamente 21 casos por ano registrada anteriormente, segundo a Polícia Civil.

Para os investigadores, parte da escalada de violência estava relacionada à disputa entre facções rivais pelo controle do tráfico de drogas na cidade e em outros municípios do Vale do Paraíba.

Ao longo das apurações, a Deic identificou integrantes, lideranças e a forma de atuação da organização. Além do tráfico, os criminosos seriam responsáveis por roubos utilizados para financiar a compra de armas e a manutenção da estrutura do grupo.

A polícia também descobriu que a organização passou por mudanças após a prisão de diversos integrantes, mas manteve a atuação no tráfico e a capacidade de transmitir ordens entre membros presos e aqueles que estavam nas ruas.

Operação X-Men

A Operação X-Men cumpriu mandados de prisão preventiva expedidos pela 3ª Vara de Organizações Criminosas e Lavagem de Dinheiro, unidade recentemente criada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo.

A Justiça havia determinado a prisão de 17 investigados. Dez foram localizados e presos durante a operação, enquanto sete continuam foragidos.

A ação contou com o apoio de equipes do 1º e do 4º distritos policiais de Taubaté e da Guarda Civil Municipal.

A Polícia Civil mantém as buscas pelos sete investigados que ainda não foram encontrados. A operação representa uma das principais etapas da investigação sobre a organização apontada como responsável por parte da disputa que contribuiu para a escalada dos homicídios em Taubaté.