13 de agosto de 2026
FEMINICÍDIO

Após matar Lívia, ex-segue internado em estado grave

Por Da Redação | Pindamonhangaba
| Tempo de leitura: 4 min
Redes sociais
Após matar Lívia, ex-segue internado em estado grave

Após matar a ex-namorada, a universitária Lívia Berthoud, de 23 anos, Carlos Eduardo Barbosa Vieira Leite permanece internado em estado gravíssimo na UTI da Santa Casa de Pindamonhangaba. 

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Preso preventivamente, ele está intubado, inconsciente e apresenta edema cerebral, enquanto a Polícia Civil aprofunda as investigações sobre o crime que chocou o Vale do Paraíba e o país.

Carlos Eduardo está preso preventivamente e permanece sob escolta policial no hospital. Ele é investigado pela morte de Lívia, estudante de Direito da Unitau (Universidade de Taubaté), que havia obtido uma medida protetiva contra o ex-namorado.

O caso ganhou repercussão nacional depois que uma câmera de segurança registrou o momento em que Lívia foi baleada pelas costas. 

Familiares afirmam que, antes do crime, a jovem vinha recebendo ameaças de morte atribuídas a Carlos Eduardo. Segundo os relatos, o ex passou a utilizar transferências via Pix para tentar manter contato com Lívia depois de ser bloqueado por ela em aplicativos e redes sociais.

Ex-namorado usava Pix para tentar falar com Lívia

De acordo com familiares, Carlos Eduardo teria feito transferências bancárias para a conta de Lívia e utilizado o campo destinado às mensagens do Pix para enviar textos à jovem. Algumas dessas mensagens teriam conteúdo de ameaça.

A estratégia teria sido adotada depois que Lívia bloqueou o ex nos canais tradicionais de comunicação. Como a transferência bancária gera uma notificação para o destinatário, o recurso teria permitido que Carlos Eduardo continuasse tentando estabelecer contato.

Os relatos da família acrescentam um novo elemento ao histórico de ameaças que antecedeu a morte da universitária. Segundo os familiares, Lívia já havia registrado ameaças de morte e procurado a Justiça para obter proteção contra o ex.

A Polícia Civil deverá analisar os registros bancários e verificar o conteúdo das mensagens, além de confrontá-los com os demais elementos reunidos durante a investigação.

Os comprovantes podem apresentar informações como contas envolvidas, datas, horários e, conforme o sistema utilizado, mensagens associadas às transferências.

A existência da medida protetiva, entretanto, não significa automaticamente que toda transferência tenha configurado descumprimento da decisão. Caberá à investigação verificar o conteúdo da ordem judicial e quais condutas estavam proibidas.

Lívia tinha medida protetiva contra o ex

Familiares afirmam que Lívia e Carlos Eduardo mantiveram um relacionamento durante aproximadamente quatro anos. Após o fim do namoro, segundo os relatos, o ex não teria aceitado a separação.

A jovem bloqueou Carlos Eduardo em redes sociais e aplicativos de mensagens e buscou proteção judicial. Ainda conforme a família, ele teria encontrado outras maneiras de tentar falar com ela.

Lívia também teria alterado parte de sua rotina diante do comportamento do ex-namorado.

Como Lívia foi morta em Pindamonhangaba

Lívia foi morta a tiros na manhã de segunda-feira (10), depois de sair de uma academia em Pindamonhangaba.

A jovem caminhava pela Rua São Sebastião quando foi atingida pelos disparos. Segundo as informações iniciais da investigação, Carlos Eduardo teria seguido Lívia por alguns metros antes de realizar o ataque.

Equipes de emergência foram acionadas, mas a universitária não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

Após o crime, policiais localizaram Carlos Eduardo no apartamento onde ele estava. Durante a ocorrência, a Polícia Civil apreendeu um revólver calibre .38, celulares, uma carta manuscrita, o veículo relacionado ao investigado e outros objetos.

O boletim de ocorrência também registra que o nome de Lívia foi encontrado escrito com sangue em um espelho no imóvel onde Carlos Eduardo foi localizado.

O caso é investigado pela DDM (Delegacia de Defesa da Mulher) de Pindamonhangaba.

Ex continua preso mesmo internado

Apesar de estar hospitalizado, Carlos Eduardo permanece preso preventivamente e sob escolta policial.

A prisão foi formalizada pela Polícia Civil após a ocorrência e posteriormente convertida pela Justiça em prisão preventiva. O fato de o investigado estar internado não suspende automaticamente a ordem judicial.

Policiais permanecem no hospital para fazer a escolta enquanto ele recebe atendimento médico.

O andamento dos procedimentos judiciais deverá considerar tanto a evolução do quadro clínico de Carlos Eduardo quanto as próximas etapas da investigação.

Investigação apura ameaças antes do crime

A Polícia Civil continua reunindo elementos para reconstruir a sequência de acontecimentos que antecedeu a morte de Lívia.

Além das imagens de câmeras de segurança, os investigadores poderão analisar celulares, registros bancários, mensagens, depoimentos de familiares e testemunhas e demais objetos apreendidos durante a investigação.

Os relatos sobre ameaças feitas por meio do Pix também poderão ser confrontados com os registros das instituições financeiras.

Como preservar mensagens e ameaças feitas pelo Pix

Comprovantes de transferência, extratos bancários, notificações e mensagens associadas a pagamentos podem ser preservados como possíveis elementos de uma investigação.

Em casos de ameaça ou perseguição, a orientação é não apagar mensagens, comprovantes ou documentos que possam ajudar a demonstrar as tentativas de contato.

Quando há uma medida protetiva, eventuais condutas que possam contrariar a decisão judicial devem ser comunicadas às autoridades responsáveis.