A mulher que matou o marido com uma facada no tórax durante uma discussão em Taubaté afirma que sofria violência doméstica reiteradamente e que agiu em legítima defesa.
Luciano Donizete Ferreira morreu na noite de domingo (9), após ser atingido por um golpe de faca desferido pela companheira, no bairro Três Marias. O casal estava junto havia 26 anos.
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Segundo o advogado da mulher, Flávio Bonafé, ela teria sido agredida e ameaçada pelo marido instantes antes do golpe que o atingiu. A versão foi apresentada pela própria mulher em depoimento à polícia e será investigada pelas autoridades.
De acordo com o relato, os dois começaram a discutir dentro da residência, localizada na Avenida Marcílio Siqueira Frade. Durante a briga, o homem teria dado pontapés na companheira, além de acertá-la com um soco no rosto e provocar um ferimento superficial em sua barriga com uma faca.
Ainda segundo a versão apresentada pela defesa, após essas agressões, Luciano teria avançado contra a mulher segurando a faca e dito que ela não sairia do imóvel.
Nesse momento, conforme o depoimento, ela teria pegado outra faca para se defender e atingido o marido na região do peito.
Ferido, Luciano teria conseguido chegar até a área externa da residência e seguido para a rua. Ele caiu na avenida e não resistiu. O Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) foi acionado, mas constatou a morte no local.
A mulher também apresentava ferimentos após a briga. Ela foi encaminhada para atendimento médico por causa de um ferimento no rosto e por sentir tontura.
Depois, foi levada ao plantão policial, onde prestou depoimento. Após os procedimentos da Polícia Judiciária, ela foi liberada para responder ao inquérito em liberdade, diante da alegação de legítima defesa.
Segundo o advogado, a mulher está "em choque e desesperada" após a morte do marido.
Durante o atendimento da ocorrência, a polícia apreendeu duas facas que estavam relacionadas ao caso. Um simulacro de pistola também foi encontrado no quarto de um dos filhos do casal e recolhido pelos policiais.
A investigação deverá esclarecer a sequência dos acontecimentos, incluindo como a discussão começou, quais agressões ocorreram antes do golpe fatal e em que circunstâncias cada uma das facas foi utilizada.
De acordo com a defesa, a mulher relatou à polícia episódios de violência doméstica, além das agressões que, segundo ela, ocorreram imediatamente antes da morte do marido.
A versão apresentada pela mulher ainda será analisada pela investigação. O caso foi registrado com relatos de ameaça, lesão corporal e violência doméstica atribuídos ao homem, além da apuração da morte provocada pelo golpe de faca.
A dinâmica do caso deverá ser esclarecida a partir dos depoimentos, perícias e demais elementos reunidos pela polícia.
O advogado Flávio Bonafé afirmou a OVALE que a mulher sofria violência doméstica reiteradamente e que, na noite do crime, teria sido agredida e ameaçada pelo marido. Segundo ele, a cliente sustenta que agiu para se defender.
A defesa considera que a versão apresentada pela mulher deve ser analisada sob a perspectiva da legítima defesa. A investigação ainda deverá reunir os elementos necessários para esclarecer a dinâmica da ocorrência.