10 de agosto de 2026
ESTUPROS

Apontado como serial killer, 'predador sexual' é condenado em SJC

Por Da redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min

Apontado pela polícia como "serial killer" e descrito nas investigações como um “predador sexual”, Anderson Pereira Guedes foi condenado pela Justiça por crimes sexuais cometidos em São José dos Campos. Ele ainda será julgado pela morte de duas jovens.

As duas sentenças por estupro proferidas em 2026 determinaram penas que, somadas, chegam a 42 anos, 2 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado.

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As decisões são da 1ª Vara Criminal de São José. Em uma delas, publicada em abril, Guedes foi condenado a 26 anos e 8 meses de prisão por dois crimes de estupro de vulnerável, praticados contra a mesma vítima em 2016.

Na outra sentença, de junho, a Justiça aplicou 15 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão por estupro de vulnerável contra uma menina que tinha 9 anos na época dos fatos, em 2015. O crime também foi considerado hediondo, com regime inicial fechado.

Duas condenações por estupros

No processo que resultou na pena de 26 anos e 8 meses, a vítima relatou dois episódios ocorridos em 2016. Segundo a sentença, no primeiro, ela estava dormindo quando acordou com Anderson sobre ela, praticando atos de natureza sexual. No segundo, ocorrido meses depois, ele teria voltado a violentá-la durante a madrugada.

De acordo com a decisão judicial, no segundo episódio Anderson manteve relação sexual forçada com a vítima. Após o crime, ainda teria ameaçado Marimar Alves Moreira da Silva, que estava no local, dizendo que ela seria a próxima. Marimar foi assassinada em 2018 e é uma das mortes pelas quais Anderson é acusado.

A Justiça considerou que o relato da vítima era coerente e seguro. A sentença também destacou que ela demorou anos para denunciar os crimes porque tinha medo do acusado e só se sentiu encorajada após a prisão dele e a revelação de outras acusações.

A pena-base de cada crime foi fixada em 13 anos e 4 meses. Como foram reconhecidos dois crimes em concurso material, as penas foram somadas, chegando aos 26 anos e 8 meses de reclusão.

Abuso contra menina de 9 anos

A segunda condenação envolve um crime ocorrido em 2015, na Vila Ester, em São José. Segundo a sentença, a vítima tinha apenas 9 anos quando Anderson se aproveitou de que ela dormia para praticar atos de natureza sexual. Após a menina acordar, ele teria feito ameaças para que ela não contasse o que havia acontecido.

A vítima só registrou a ocorrência anos depois, quando Anderson já havia sido preso por outro crime. Em audiência, segundo a decisão, ela apresentou um relato considerado firme, coerente e detalhado pela Justiça.

A sentença rejeitou a argumentação da defesa de que o longo período até a denúncia comprometeria a acusação. Para a magistrada, o fato de a vítima ser uma criança e ter sido ameaçada pelo acusado explica o silêncio prolongado.

A Justiça também considerou os antecedentes criminais de Anderson na definição da pena. Houve reconhecimento de reincidência, elevando a pena para 15 anos, 6 meses e 20 dias de reclusão, em regime inicialmente fechado.

Investigação apontou perfil de “serial killer”

A história de Anderson Guedes ganhou repercussão em São José dos Campos a partir de uma investigação que passou a relacioná-lo a uma série de crimes.

Em 2024, a polícia afirmou investigar o envolvimento do homem em homicídios, estupros e outros delitos e apontou que ele poderia ter perfil de serial killer. As investigações também levantaram suspeitas de que outras mulheres poderiam ter sido vítimas.

A própria sentença que condenou Anderson pelos dois estupros de 2016 registra que Marimar, que teria presenciado um dos crimes e sido ameaçada pelo acusado, foi assassinada posteriormente.

Homicídios de Marimar e Vitória

Além das condenações pelos crimes sexuais, Anderson ainda responde pelas acusações relacionadas às mortes de Marimar Alves Moreira da Silva e Vitória Cristina Oliveira Souza, casos que fazem parte da investigação que levou a polícia a apontá-lo como possível serial killer.

Segundo as informações mais recentes encaminhadas pela polícia a OVALE, as vítimas foram ouvidas como protegidas no inquérito dos homicídios e os relatos posteriormente deram origem aos boletins de ocorrência registrados na Delegacia de Defesa da Mulher. As duas novas condenações são resultado desses procedimentos.

Anderson ainda será levado a julgamento pelos dois homicídios, conforme a atualização mais recente do caso.

O caso Marimar

Marimar Alves Moreira da Silva, de 20 anos, foi encontrada morta em abril de 2018. A investigação passou a apontar Anderson como suspeito de participação no assassinato.

O nome de Marimar também aparece na sentença dos dois estupros de 2016. Segundo o relato considerado pela Justiça, ela estava presente no segundo episódio e teria sido ameaçada por Anderson.

A decisão judicial registra ainda que Marimar não pôde ser ouvida no processo porque foi assassinada.

O caso Vitória

Vitória Cristina Oliveira Souza tinha 12 anos quando desapareceu e foi morta, segundo a linha investigativa apresentada pela polícia à época. O caso também passou a ser relacionado a Anderson durante as investigações sobre Marimar.

A morte de Vitória é outro dos dois homicídios pelos quais Anderson ainda deverá ser julgado.

Anderson negou os crimes

Durante os processos, Anderson negou as acusações. Em depoimento judicial, afirmou ser inocente e sustentou que as denúncias seriam consequência de conflitos relacionados a outros casos, especialmente ao episódio que resultou na morte de Diogo e nas lesões sofridas por Mônica.

As decisões ainda podem ser objeto de recurso.