Um menino de 11 anos permanece internado em estado grave após sofrer queimaduras em 80% do corpo em Campo Grande (MS). O caso, inicialmente tratado como uma brincadeira com álcool, passou a ser investigado como ato infracional análogo à tentativa de homicídio depois que a vítima afirmou no hospital que um colega de 12 anos ateou fogo em seu corpo depois de terem brigado.
Segundo a Polícia Civil, o relato da vítima contradiz a versão apresentada pelo adolescente apreendido.
"A princípio, o caso chegou como um acidente. Mas a vítima relatou para todas as pessoas que estavam no hospital que o menino colocou fogo nela por causa de uma briga. Essa história de brincadeira com fogo é a versão do adolescente apreendido", afirmou a delegada responsável pelo caso.
Antes de ser intubado por causa da gravidade das queimaduras de terceiro grau, o garoto contou à assistente social que estava na casa do amigo quando foi incendiado.
Já o adolescente de 12 anos disse aos policiais que a ideia de brincar com álcool partiu da própria vítima. Segundo ele, os dois foram para o quintal "riscar pedra" usando um galão de 5L de álcool. Enquanto um segurava a pedra, o outro despejava o combustível e manuseava o isqueiro. As chamas atingiram o galão, provocando explosão que lançou o líquido em chamas sobre o corpo do menino.
Após o incêndio, o adolescente afirmou que tentou socorrer o amigo. A vítima correu para o banheiro, mas a água do poço da casa acabou antes que o fogo fosse controlado. Em seguida, os dois usaram potes com água da pia para apagar as chamas. O garoto ainda trocou de roupa continuou cerca de meia hora na casa antes de sair para pedir ajuda. Coletores de lixo acionaram moradores da região, que providenciaram o transporte até uma unidade de saúde.
O adolescente foi apreendido na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol e aguarda decisão da Justiça sobre eventual internação provisória. Segundo a delegada, ele poderá permanecer apreendido por até 45 dias caso a medida seja determinada, período em que serão ouvidos os envolvidos e definida a medida socioeducativa cabível.
O pai do adolescente afirmou estar abalado com o caso e disse que também se preocupa com o estado de saúde da vítima.
Com informações do Campo Grande News.