05 de agosto de 2026
MORTE NA REGIÃO

Patroa e dois homens presos por morte de Berenice viram réus

Por Da redação | Ubatuba
| Tempo de leitura: 4 min
Imagem gerada com auxílio de IA
Corpo de Berenice foi levado até área de mata em Angra dos Reis

Os três investigados pela morte da cozinheira Berenice Ramos de Aguiar, de 60 anos, tornaram-se oficialmente réus na Justiça pelo crime que chocou a região. A denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo foi aceita pelo Judiciário, que também manteve a prisão preventiva da ex-patroa da vítima, do companheiro dela e do sobrinho.

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Os três responderão por homicídio qualificado por motivo torpe e por recurso que dificultou a defesa da vítima. Além disso, dois dos acusados também passaram a responder pelos crimes de ocultação de cadáver e fraude processual.

Segundo a denúncia assinada pela promotora de Justiça Heloíse Maia da Costa, a principal motivação do assassinato teria sido um desentendimento envolvendo o pagamento de verbas trabalhistas e acertos financeiros decorrentes da relação de emprego entre Berenice e sua ex-patroa.

Como crime ocorreu

De acordo com o Ministério Público, no dia 30 de junho, após uma discussão, a cozinheira foi colocada em uma caminhonete sob a justificativa de que seria levada a um hospital.

No entanto, durante o trajeto pela rodovia Rio-Santos, a empregadora teria efetuado disparos de arma de fogo contra a vítima, que ocupava o banco do passageiro.

Ainda conforme a Promotoria, após o homicídio, a mulher e um dos comparsas transportaram o corpo até uma área de mata de difícil acesso, em Angra dos Reis (RJ), onde o lançaram de um penhasco para dificultar sua localização.

MP aponta tentativa de ocultar provas

A investigação também aponta que os três denunciados atuaram em conjunto para dificultar a apuração do crime.

Conforme o Ministério Público, eles fizeram pesquisas na internet sobre limpeza e desmontagem do veículo utilizado, providenciaram reparos para eliminar marcas dos disparos, apagaram dados de celulares e retiraram o disco rígido do sistema de monitoramento da pousada onde a vítima trabalhava.

Para a Promotoria, as ações demonstram uma atuação coordenada para impedir a produção de provas e dificultar a identificação dos responsáveis.

Além do julgamento pelo Tribunal do Júri, o Ministério Público pediu que a Justiça fixe uma indenização mínima por danos morais e materiais aos herdeiros de Berenice.

Três suspeitos estão presos

A última prisão ocorreu na terça-feira (4), quando a Polícia Civil capturou, em Ubatuba, o sobrinho da ex-patroa de Berenice. Ele era considerado foragido desde a decretação da prisão preventiva.

Segundo a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de São Sebastião, equipes fizeram buscas na residência do investigado, mas ele não foi localizado. Cerca de dez minutos depois, o advogado informou que o cliente se apresentaria espontaneamente, momento em que o mandado foi cumprido.

Com a captura, todos os denunciados permanecem presos preventivamente.

A ex-patroa havia sido presa durante a Operação Último Rastro, deflagrada em 10 de julho. Inicialmente detida temporariamente, ela teve a prisão convertida em preventiva após a conclusão do inquérito.

Já o companheiro dela, policial militar da reserva, foi preso na noite de segunda-feira (3), em uma residência na região da Praia do Estaleiro, no bairro Ubatumirim, em Ubatuba.

O relatório final da Polícia Civil sustenta que foi a ex-patroa quem efetuou o disparo que matou a cozinheira. Já em relação ao companheiro e ao sobrinho, a investigação aponta indícios de participação no crime e na tentativa de ocultação de provas. A responsabilidade individual de cada acusado será definida durante o andamento da ação penal.

Relembre o caso

O desaparecimento de Berenice Ramos de Aguiar mobilizou as forças de segurança no fim de junho, após ela deixar a pousada onde trabalhava, na região de Ubatumirim, em Ubatuba, e não ser mais vista.

Durante as investigações, a Polícia Civil identificou contradições nos depoimentos e reuniu imagens de câmeras de segurança, registros de radares, dados telefônicos e provas periciais.

Peritos da Polícia Científica localizaram vestígios de sangue em uma caminhonete relacionada ao caso após exames com luminol. Também foram apreendidos armas, veículos, aparelhos eletrônicos e outros materiais considerados importantes para a investigação.

O corpo de Berenice foi encontrado em 17 de julho, em uma área de mata de Serra d'Água, em Angra dos Reis (RJ), às margens da RJ-155. A vítima havia sido lançada de um penhasco de difícil acesso, sendo necessário o uso de técnicas de rapel pelo Corpo de Bombeiros para a retirada do corpo. A identificação foi confirmada posteriormente pela Polícia Civil, após reconhecimento realizado pela família.

Agora, com a denúncia recebida pela Justiça, os três investigados passam oficialmente à condição de réus e responderão ao processo criminal, com direito à ampla defesa e ao contraditório durante o andamento da ação judicial.