Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola e natural de Caraguatatuba, no Litoral Norte, deixou a equipe da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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A decisão foi tomada após a divulgação de informações sobre pagamentos que ele recebeu da empresária e lobista Roberta Luchsinger, apontada como ligada ao empresário conhecido como "Careca do INSS".
Segundo informações divulgadas pelo portal Poder360, Marcola conversou com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, antes de comunicar oficialmente sua saída ao presidente Lula.
De acordo com pessoas próximas ao ex-chefe de gabinete, a decisão foi política, e não jurídica. A avaliação foi de que sua permanência poderia ampliar o desgaste da campanha e alimentar disputas internas durante o período eleitoral.
A revelação envolve um empréstimo pessoal que, segundo Marcola, foi integralmente quitado (veja nota abaixo). O ex-integrante da campanha afirma que todas as movimentações financeiras foram legais e que está à disposição da Justiça para prestar esclarecimentos.
Natural de Caraguatatuba, Marcola construiu parte de sua trajetória política mantendo vínculos com a cidade onde nasceu.
Em fevereiro deste ano, a Câmara Municipal concedeu a ele o Título de Gratidão Caiçara, homenagem destinada a personalidades que prestaram relevantes serviços ao município. A iniciativa foi proposta pelo vereador Renato Leite Carrijo de Aguilar (Tato Aguilar), do MDB.
Na justificativa, a homenagem destacou a atuação de Marcola no serviço público e sua contribuição para projetar o nome de Caraguatatuba nacionalmente.
Dias antes, em janeiro, a vereadora Cássia Gonçalves de Jesus (PT) apresentou uma moção de congratulação ao político, reconhecendo sua dedicação ao serviço público e sua contribuição para a política nacional e para a região do Litoral Norte.
Apesar do apelido Marcola, frequentemente associado ao líder da facção criminosa PCC, Marco Willians Herbas Camacho, Marco Aurélio não possui qualquer relação com o criminoso.
Mestre em Ciência Política pela UFSCar (Universidade Federal de São Carlos), ele aproximou-se de Lula há cerca de dez anos, após atuar em gabinetes na Assembleia Legislativa de São Paulo e na Câmara dos Deputados.
Ele participou das caravanas realizadas pelo então ex-presidente em 2017 e 2018 e, durante os 580 dias em que Lula permaneceu preso em Curitiba, tornou-se um dos principais interlocutores entre o petista, familiares, aliados e lideranças políticas.
Posteriormente, ocupou cargos estratégicos na Presidência da República, chegando à chefia do Gabinete Presidencial.
As informações divulgadas apontam que Roberta Luchsinger teria realizado pagamentos de despesas pessoais de Marcola, totalizando R$ 249 mil.
Segundo o ex-chefe de gabinete, os valores correspondem a um empréstimo pessoal, posteriormente quitado por transferência bancária. Ele também afirma que não houve qualquer contrapartida ilegal relacionada aos pagamentos.
Após tomar conhecimento de que as mensagens entre ele e a empresária haviam sido obtidas durante investigação, Marcola comunicou o presidente Lula sobre a situação. Em seguida, acabou deixando a equipe da campanha.
O episódio ocorre em meio às investigações que apuram a atuação do grupo ligado ao chamado "Careca do INSS", ampliando o desgaste político para integrantes próximos ao Palácio do Planalto.
Leia a íntegra da nota de Marco Aurélio, o Marcola:
"A respeito das matérias que tratam do empréstimo pessoal que contraí com Roberta Luchsinger, esclareço: Em primeiro lugar, meus sigilos bancário e fiscal estão integralmente à disposição da Justiça. Faço isso para deixar claro e público que jamais houve nada além do empréstimo pessoal que obtive junto a ela, pago com a transferência bancária de R$ 249 mil, uma movimentação de natureza estritamente privada.
Já constituí advogado e o orientei a fazer uso de todos os documentos necessários para esclarecer os fatos. Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência.
A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e minha inteira disposição e tranquilidade para colaborar com a Justiça."
* Com informações do portal Poder360 e do jornal Valor Econômico