Criar oportunidades de acesso, de permanência e de desenvolvimento profissional no mercado de trabalho é uma condição indispensável para a inclusão das pessoas com deficiência. Trata-se de um fator que transforma a realidade dessa população, ao garantir a autonomia e a dignidade nos seus dias. A Lei de Cotas, que neste mês completa 35 anos de vigência, é um dos marcos legislativos para cumprir a premissa de ter uma oferta de empregos plural e inclusiva no nosso país.
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Ao determinar a contratação obrigatória de pessoas com deficiência por empresas com mais de 100 empregados, a regulamentação não só possibilitou a ampliação do acesso, mas também abriu caminho para a criação de uma série de ações e iniciativas com foco na empregabilidade inclusiva.
No estado de São Paulo, um exemplo de política pública que promoveu a inserção de milhares de pessoas com deficiência no mercado de trabalho é o Programa Meu Emprego Inclusivo. Resultado de parceria entre a Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD) e a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), o projeto contabiliza mais de 15 mil entrevistas e a contratação de mais de três mil profissionais com deficiência somente durante a gestão do governador Tarcísio de Freitas.
O programa da SEDPcD possui equipes especializadas para apoiar a inclusão dos candidatos com deficiência e aumentar a taxa de permanência, seja com entrevistas de habilidades e interesses profissionais, ou orientações de cursos gratuitos de qualificação técnica e empreendedorismo. Outro aspecto para favorecer a construção de um ambiente mais diverso é que as unidades mantêm contato direto com o outro lado, as empresas empregadoras, oferecendo suporte às equipes de Recursos Humanos, e investindo no treinamento e sensibilização dos funcionários, bem como no acompanhamento dos colaboradores contratados.
Além de ampliar o acesso à renda, esses esforços também visam desconstruir atitudes e percepções capacitistas, que geralmente desqualificam as pessoas com deficiência no ambiente profissional. Tanto que na descrição dos currículos não há a descrição do tipo de deficiência dos candidatos, mas sim de suas competências. Consiste em um conjunto de ações de assessoria, orientação, treinamento e acompanhamento personalizado para garantir igualdade de condições e oportunidades.
Nessa comunicação constante com as empresas contratantes, também são avaliados fatores que podem desestimular a permanência dessas pessoas, como a falta de chances de promoção, de melhoria e de desenvolvimento profissional. Para superar esses obstáculos, os processos internos e os critérios de avaliação de desempenho precisam ser revisados continuamente. A adoção de treinamentos periódicos nas organizações é fundamental para ajustar rotinas, atualizar práticas de gestão e assegurar que o crescimento na carreira seja uma realidade acessível a todos.
Dessa forma, avançar na pauta da empregabilidade inclusiva exige o compromisso contínuo de alinhar políticas públicas eficientes e transformações reais no ambiente corporativo, e o governo de São Paulo está na direção certa. Celebrar os 35 anos da Lei de Cotas é reconhecer conquistas históricas, mas também reafirmar que a inclusão plena só se consolida quando oportunidades de trabalho, condições adequadas e respeito às potencialidades caminham juntos para garantir a autonomia e a dignidade de cada pessoa com deficiência.