A volta às aulas nunca é corriqueira quando se é adolescente.
Pernas e braços esticam de uma noite para outra e eles se levantam da cama gigantes, desengonçados e literalmente mal-humorados. E elas, então... O cabelo, a barriguinha dos hambúrgueres e milk-shakes dos passeios ao shopping com as amigas, as espinhas, as inseguranças...
Rever os colegas de sala pode ser o maior desafio do ano. Da vida, sim, sem exageros. Afinal, nessa fase, tudo é muito maior do que realmente é.
Aos pais cabe o acalento e o abraço que acalma; aos amigos, o olhar de cumplicidade. Aos professores, porém, resta a maior odisseia pedagógico-afetivo-humorístico-espiritual da temporada de retorno da moçada.
Somos nós que calibramos, dentro das salas de aula, adolescentes tão carregados de emoção. Uma tarefa anônima, que não aparece em tabelas, gráficos ou cifrões, mas que exige uma imensa riqueza de alma e uma profunda experiência humana.
Daí eu lanço a pergunta: quem vai me abraçar na escola quando eu voltar das férias?