A fabricante brasileira Embraer ganhou destaque no cenário internacional após receber uma avaliação extremamente positiva da revista britânica The Economist, referência mundial em análise econômica.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Em reportagem publicada nesta semana, a publicação afirma que a empresa vive um dos melhores momentos de sua história e reúne condições para alcançar um novo patamar na indústria aeroespacial mundial.
Com o título "Esqueça a Airbus e a Boeing. A Embraer está decolando", a revista destaca o crescimento acelerado da companhia, impulsionado pelo aumento da demanda por aeronaves comerciais, executivas e militares, além da confiança demonstrada por investidores e pelo mercado.
A análise também ressalta a importância estratégica da Embraer para a cadeia produtiva dos Estados Unidos. Recentemente, componentes da indústria aeroespacial brasileira ficaram de fora das novas tarifas comerciais impostas pelo governo norte-americano, justamente pela relevância do setor para a indústria americana.
Atualmente considerada a terceira maior fabricante de jatos comerciais do mundo, a Embraer vem ampliando sua produção. Segundo a reportagem, a empresa entregou 141 aeronaves em 2021 e poderá atingir a marca de 255 unidades neste ano. Outro destaque é a carteira recorde de pedidos, anunciada em 24 de julho, que alcançou US$ 34,5 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 175 bilhões.
O presidente e CEO da companhia, Francisco Gomes Neto, afirmou à publicação que enxerga uma oportunidade de "crescimento substancial" para a fabricante. O otimismo também é compartilhado pelos investidores. Desde o início de 2021, as ações da Embraer multiplicaram seu valor por aproximadamente dez, desempenho superior ao das gigantes Airbus e Boeing no mesmo período.
A reportagem explica que parte desse avanço ocorre porque Airbus e Boeing enfrentam dificuldades para atender à demanda global. Juntas, as duas fabricantes acumulam uma fila de cerca de 16 mil aeronaves comerciais, com prazos de entrega que variam entre oito e dez anos.
Nesse contexto, o jato regional E2 da Embraer ganha competitividade por poder ser entregue em menos de dois anos. Comercializado como "Profit Hunter" ("Caçador de Lucros"), o modelo acompanha uma tendência crescente da aviação: a ampliação de voos diretos entre cidades médias e menores, reduzindo a dependência dos grandes aeroportos de conexão.
Outro modelo apontado como estratégico é o E175, que ocupa praticamente sozinho um nicho importante do mercado regional norte-americano por atender às regras trabalhistas impostas aos pilotos nos Estados Unidos.
Além da aviação comercial, a revista destaca o desempenho da divisão de jatos executivos. O Phenom 300 lidera as vendas globais de sua categoria há 14 anos consecutivos. No segmento militar, o cargueiro KC-390 também registra aumento da procura, impulsionado pelo crescimento dos investimentos em defesa em diversos países.
A publicação ainda cita a Eve Air Mobility, empresa controlada pela Embraer voltada ao desenvolvimento de aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), como uma aposta promissora diante da redução da concorrência no mercado de mobilidade aérea urbana.
Um dos pontos que mais chamou atenção na análise foi a possibilidade de a Embraer disputar diretamente o mercado hoje dominado por Airbus e Boeing. Segundo a revista, analistas já consideram viável o desenvolvimento de uma aeronave de maior porte para competir no segmento de aviões de corredor único.
Francisco Gomes Neto confirmou que a empresa trabalha para preparar um novo ciclo de produtos, capaz de sustentar um crescimento ainda mais ambicioso. Entre os projetos estudados estão um novo jato executivo de grande porte e um avião comercial maior.
Apesar das especulações, o executivo afirmou que a fabricante não pretende acelerar essa decisão. "Estamos muito confortáveis com a situação atual", declarou à revista.
A The Economist lembra que desafiar o domínio de Airbus e Boeing exigirá investimentos bilionários — estimados em cerca de US$ 10 bilhões — e uma ampla rede de parceiros. Ainda assim, especialistas ouvidos pela publicação avaliam que a Embraer vive uma oportunidade rara para ampliar sua participação no mercado global e consolidar sua posição entre as maiores empresas da indústria aeronáutica.
* Com informações do jornal O Globo