Candidato ao Governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) afirmou na noite dessa quinta-feira (30), em São José dos Campos, que o eleitor conservador deveria votar nele nas eleições estaduais porque, segundo o petista, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) "não está conservando nada" no Estado.
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A declaração foi dada durante um evento de pré-campanha realizado no CEPE (Clube dos Empregados da Petrobras), que reuniu centenas de militantes. A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva também participou da atividade.
Ao responder a uma pergunta de OVALE sobre como pretende conquistar o voto do eleitor conservador, Haddad reforçou o argumento de que a atual gestão estadual estaria promovendo um processo de desmonte em diferentes áreas da administração pública.
"Se o eleitor do Vale é conservador, ele vai votar em mim. Porque não está sendo conservado nada. Quem quer conservar vai ter que mudar para conservar, porque eles não estão conservando nada", afirmou.
Durante o discurso, Haddad direcionou uma série de críticas ao governo de Tarcísio de Freitas, especialmente nas áreas da educação, segurança pública, saneamento e gestão financeira.
Segundo o ex-ministro da Fazenda, a educação pública paulista vive uma crise. Ele afirmou que professores enfrentam dificuldades com mudanças na política educacional e criticou o uso de plataformas digitais como substituição ao trabalho docente.
Haddad também disse que o ensino médio paulista perdeu posições em indicadores nacionais, ficando atrás de estados como Ceará e Pernambuco, apesar de São Paulo possuir maior capacidade de investimento por aluno. O petista ainda afirmou que a Fundação Paula Souza deixou de expandir escolas técnicas e faculdades de tecnologia.
Na segurança pública, o pré-candidato criticou a gestão da Secretaria de Segurança Pública e citou o afastamento do então comandante-geral da Polícia Militar durante investigações relacionadas a suspeitas de ligação com o crime organizado.
Outro alvo das críticas foi a privatização da Sabesp. Haddad afirmou que a venda da companhia ocorreu abaixo do valor de mercado e disse que moradores de cidades atendidas pela empresa enfrentam problemas no abastecimento e aumento das tarifas.
O petista também contestou declarações do governador sobre a Cracolândia. Segundo ele, dados da Fundação Seade apontam crescimento da população em situação de rua durante a atual gestão estadual, argumento utilizado para rebater a afirmação de que o problema teria sido solucionado.
Na área econômica, Haddad afirmou que a renegociação da dívida do Estado com a União foi fundamental para aliviar as contas públicas paulistas. Segundo ele, o acordo garantirá aproximadamente R$ 11 bilhões por ano aos cofres estaduais e evitou dificuldades fiscais para o governo.
Ainda durante o evento, o pré-candidato afirmou que Tarcísio de Freitas teria utilizado o governo paulista como projeto político nacional e voltou a defender que a população avalie os resultados da atual administração antes das eleições.
Ao encerrar a entrevista, Haddad voltou a dizer que pretende dialogar com eleitores de diferentes perfis ideológicos.
"Os trabalhadores estão na escola pública, estão na fila do SUS e vivem a realidade da segurança pública. Precisamos discutir o que está acontecendo no Estado. Quem quer conservar, vai ter que mudar para conservar", declarou.