Um instrutor de artes marciais que atuava em uma academia vinculada ao programa Atleta Cidadão, da Prefeitura de São José dos Campos, foi afastado das atividades por decisão judicial. Ele é acusado de importunação sexual contra oito alunas, cinco delas adolescentes.
As denúncias foram encaminhadas à Defensoria Pública, que solicitou medidas para proteger as vítimas e impedir a continuidade das condutas relatadas. Segundo o defensor público Júlio Camargo de Azevedo, os episódios teriam ocorrido durante as aulas e envolveriam contatos físicos inadequados, aproximações indevidas, comentários impróprios e olhares de caráter sexual.
Os relatos indicam que as situações não teriam sido isoladas, mas repetidas com diferentes alunas que frequentavam o local.
O instrutor já havia sido afastado das aulas em uma decisão tomada no dia 10 de junho. Em nova liminar, publicada em 21 de julho, a Justiça manteve o afastamento e ampliou as medidas de proteção às vítimas.
Além de não poder exercer suas atividades na academia, o profissional está proibido de se aproximar das jovens e de seus familiares.
A decisão judicial também estabeleceu regras para o funcionamento das aulas. A academia não poderá impedir a presença de pais ou responsáveis durante as atividades, nem proibir que as atletas utilizem celulares para fazer registros em vídeo.
A Prefeitura de São José dos Campos deverá ainda acompanhar e fiscalizar as atividades realizadas no local, além de garantir atendimento psicológico às vítimas já identificadas.
Para a Defensoria Pública, as medidas são necessárias para interromper uma situação classificada como violência de gênero e evitar que outras atletas possam ser expostas a episódios semelhantes.
O caso foi divulgado inicialmente pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, e posteriormente confirmado pela Rede Vanguarda nesta segunda-feira (27).
Em nota, a Prefeitura informou que ainda não havia sido oficialmente intimada sobre a decisão. A defesa do instrutor declarou que não comentaria o caso, já que o processo tramita em segredo de Justiça.
A academia onde o profissional ministrava as aulas também foi procurada, mas não havia se manifestado até a última atualização.