O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu o fortalecimento da indústria nacional de defesa durante visita à fábrica da Avibras Aeroco, em Jacareí, nesta sexta-feira (24).
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Em discurso voltado à soberania nacional, Lula afirmou que proteger o território brasileiro deve ser uma prioridade permanente do Estado, elogiou os trabalhadores que mantiveram a empresa durante anos de crise e destacou a importância estratégica da recuperação da fabricante de equipamentos militares.
Apesar da expectativa, o presidente não comentou as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos nem anunciou recursos para quitar as dívidas trabalhistas da empresa.
A visita aconteceu na unidade da Avibras Aeroco, localizada no km 14 da Rodovia dos Tamoios, e contou com a presença do vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin.
Durante o pronunciamento, Lula afirmou que um país com as dimensões do Brasil precisa investir continuamente em sua capacidade de defesa, destacando que a proteção do território nacional não pode ser tratada como assunto secundário.
"Cuidar da defesa desse país é muito importante. É coisa prioritária", afirmou o presidente.
Lula citou a extensão das fronteiras brasileiras, a Amazônia, a chamada Amazônia Azul, as reservas minerais e os recursos naturais como razões para que o país mantenha uma estrutura militar moderna e tecnologicamente preparada.
Segundo ele, embora o Brasil tenha tradição diplomática e defenda a paz, é necessário investir em equipamentos, pesquisa, tecnologia e produção nacional para garantir autonomia diante dos desafios internacionais.
O presidente também ressaltou que o fortalecimento das Forças Armadas depende diretamente do desenvolvimento da indústria brasileira de defesa.
Segundo Lula, o país precisa dominar tecnologias estratégicas e reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros, ampliando investimentos em pesquisa científica, inovação e produção industrial.
Nesse cenário, a Avibras ocupa posição estratégica por atuar no desenvolvimento de foguetes, mísseis, sistemas de artilharia, propulsão e veículos especiais.
A direção da empresa afirmou que a fábrica recuperou sua capacidade técnica, financeira e industrial e vive uma nova fase após anos de dificuldades.
Parte significativa do discurso foi dedicada aos funcionários que permaneceram ligados à empresa durante o período de recuperação judicial, paralisação das atividades e atrasos salariais.
Lula afirmou sentir orgulho dos trabalhadores pela preservação da estrutura da fábrica mesmo durante os anos mais difíceis.
"Eu estou muito orgulhoso de todos vocês."
O presidente lembrou que muitos empregados ficaram mais de 30 meses sem receber salários e elogiou a mobilização da categoria, que negociou um acordo para o pagamento parcelado dos valores devidos em até 48 meses.
A retomada da Avibras ocorre após quatro anos de crise e uma greve que durou 1.280 dias.
Embora tenha reconhecido o esforço dos trabalhadores, Lula não anunciou recursos para quitar as dívidas trabalhistas.
Durante a visita, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região entregou ao presidente um pedido de aporte federal de R$ 300 milhões, considerado essencial para viabilizar o pagamento dos créditos trabalhistas previstos no acordo firmado com os credores.
O presidente não informou prazo, fonte de recursos ou qualquer decisão oficial sobre o pedido, mantendo a expectativa por um posicionamento futuro do Governo Federal.
Antes da visita, havia expectativa de que Lula comentasse as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos, especialmente pelo impacto que a medida pode ter sobre empresas brasileiras com atuação internacional.
No entanto, o tema ficou completamente fora do pronunciamento presidencial.
O discurso concentrou-se exclusivamente na política de defesa, na soberania nacional, na retomada da indústria brasileira e na valorização dos trabalhadores da Avibras.
Apesar do apoio político à empresa, Lula não anunciou novos contratos militares, encomendas das Forças Armadas, financiamentos ou investimentos diretos para a Avibras.
A direção da fabricante informou que pretende buscar recursos junto ao BNDES, Finep, Ministério da Defesa e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para ampliar investimentos, desenvolver novos projetos e aumentar as exportações.
A concretização dessas iniciativas, porém, dependerá de futuras decisões do Governo Federal e da celebração de novos contratos.
A visita presidencial representa um importante gesto institucional de apoio à recuperação da Avibras, considerada uma das principais empresas brasileiras do setor de defesa.
A companhia retomou as atividades após a reorganização de seus ativos industriais e tecnológicos, iniciando uma nova fase com 271 trabalhadores ativos e previsão de novas contratações.
O acordo homologado pelos credores também prevê o pagamento de aproximadamente R$ 230 milhões em dívidas trabalhistas para cerca de 1,4 mil pessoas.
Apesar do simbolismo da visita de Lula, o futuro da empresa ainda dependerá da conquista de novos contratos, da continuidade da produção, da ampliação das exportações e da solução definitiva das pendências financeiras.