A fábrica da Bayer em São José dos Campos iniciou a operação do Projeto Vapor Verde. A iniciativa elimina o gás natural como principal combustível de sua planta e passa a operar com biomassa de origem 100% renovável. O projeto constitui a maior ação da companhia na América Latina para atingir a meta global de neutralidade de carbono até 2030.
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A unidade instalou uma nova caldeira que converte sobras de madeira, como cavacos, aparas e pallets descartados, em vapor de alta pressão para abastecer as linhas de produção da fábrica.
O projeto foi estruturado sob o modelo de economia circular.
Toda a biomassa utilizada provém de madeireiras com certificação ambiental homologadas pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), garantindo a rastreabilidade e a sustentabilidade de ponta a ponta.
Os resíduos sólidos gerados após a queima da biomassa são destinados à compostagem e aplicados em processos de reflorestamento. Micropartículas resultantes da combustão são retidas por sistemas de filtragem que seguem padrões europeus de exigência, reconhecidamente mais rigorosos do que a legislação nacional.
A operação e a manutenção dos novos equipamentos são realizadas em parceria com a Ecogen Brasil, que gerou a contratação de 17 profissionais para a região durante a implantação.
A mudança reduz em cerca de 40% as emissões de dióxido de carbono da unidade industrial. A indústria estima que o impacto seja equivalente à retirada de circulação de mais de 5 mil carros das ruas da região do Vale do Paraíba anualmente.
Para contextualizar a escala dessa redução, Bruno Morante, líder da planta São José dos Campos, explicou que a empresa utiliza como base histórica o ano de 2019, quando a planta de São José dos Campos registrava 65 mil toneladas de emissões anuais.
Esse volume era dividido entre a caldeira, que consome gás natural, responsável por 47% das emissões; a energia elétrica, equivalente a 6%, já corrigida em janeiro de 2024 por meio de certificados de fonte renovável para todas as unidades produtivas do Brasil; e 47% relacionados ao processo produtivo, para os quais a companhia planeja buscar inovações e alternativas futuras.
"Desde janeiro de 2024, não só a planta de São José, mas todas as unidades produtivas do Brasil adquiriram certificados para que a gente tenha uma energia elétrica confirmada de fonte renovável", complementa.
Lígia Izzo, vice-presidente de Operações da Divisão Agrícola da Bayer para a América Latina, detalhou o compromisso institucional com a descarbonização e a importância de São José dos Campos para o processo.
"A Bayer está realmente empenhada em fazer a transição energética não só aqui no Brasil, mas globalmente (...) Em termos de inovação, a gente acredita que ela está sendo feita com parceiros como a Ecogen, nesse projeto Vapor Verde aqui em São José dos Campos. É a forma como a gente vai encontrar soluções mais criativas e mais modernas para estar à frente do mercado. Então, sustentabilidade não é apenas uma bandeira; é realmente pauta e traz vantagem competitiva para a Bayer. A relevância dessa planta na matriz energética da Bayer no Brasil e na América Latina é enorme; por isso, a escolha também de São José dos Campos para fazer o piloto. A gente queria começar pelo que mais fosse trazer impacto positivo na pegada de carbono", afirmou.
O marco da transição energética na indústria celebra 130 anos de atuação da Bayer no Brasil e comemora cinco décadas de fundação da planta industrial em São José dos Campos.
Para Bruno Morante, o projeto posiciona a planta joseense na vanguarda da sustentabilidade global da corporação: "É um orgulho que São José dos Campos esteja na linha de frente desse avanço. O que construímos nesta fábrica pode servir de exemplo para outras unidades da Bayer no Brasil e no mundo", comemora.