A Justiça de Minas Gerais recebeu a denúncia apresentada pelo Ministério Público contra um homem de 27 anos acusado de matar e decapitar a própria mãe. Com a decisão, ele passa oficialmente à condição de réu por feminicídio qualificado. O juiz também manteve a prisão preventiva do acusado, afastando a possibilidade de substituição por medidas cautelares.
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O crime ocorreu em Belo Horizonte, onde Jussara Maria Rodrigues, de 54 anos, foi encontrada morta no apartamento em que morava com o filho. A decisão judicial foi assinada na terça-feira (14).
Ao justificar a manutenção da prisão, o magistrado destacou a extrema violência empregada no crime. Segundo a decisão, a forma como o homicídio foi cometido demonstra elevada gravidade e justifica a permanência do acusado no sistema prisional para garantir a ordem pública.
De acordo com a investigação, o homem foi preso em flagrante em 22 de junho, um dia após o assassinato. Aos policiais, ele confessou o crime e entregou a faca que teria sido utilizada.
O Ministério Público sustenta que o homicídio foi motivado pela decisão da vítima de deixar de sustentar financeiramente o filho e passar a exigir que ele trabalhasse. A denúncia aponta ainda que a convivência entre os dois era marcada por dependência financeira, ameaças, violência psicológica e comportamento controlador.
Paralelamente ao processo criminal, a Justiça analisa a condição mental do acusado. Um laudo psiquiátrico concluiu que ele apresenta um quadro psicótico, indicando tratamento em regime de internação. No entanto, o Ministério Público contestou o resultado e pediu a realização de esclarecimentos complementares antes da definição sobre sua imputabilidade.
Segundo as investigações, o crime aconteceu na madrugada de 21 de junho, no bairro Ermelinda, na Região Noroeste da capital mineira. A Polícia Civil apurou que o acusado teria estrangulado a mãe enquanto ela dormia, desferido golpes de faca e, posteriormente, decapitado o corpo.
Ainda conforme o inquérito, o suspeito havia retornado de Portugal cerca de um ano antes e passou a morar com a mãe. O Ministério Público afirma que ele se recusava a trabalhar, exigia que a vítima arcasse com todas as despesas da residência e mantinha um histórico de ameaças e agressões.
Após o crime, segundo a investigação, o homem permaneceu no apartamento. Vizinhos acionaram a Polícia Militar ao perceberem a ausência de contato com a vítima, e os policiais precisaram arrombar a porta para entrar no imóvel.
Em depoimento, o acusado afirmou ter ouvido uma "voz" ordenando que matasse a própria mãe. Ele relatou ainda que, após o assassinato, tomou banho e foi dormir. A alegação faz parte do processo e será analisada durante a instrução da ação penal.