A entrada no período de estiagem provocou uma queda de 20% na reserva de água dos reservatórios da bacia do rio Paraíba do Sul em três meses.
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De acordo com o Sistema de Acompanhamento de Reservatórios da ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), o reservatório equivalente reduziu de 60,54% em meados de abril para 48,26% nessa segunda-feira (13), um recuo de 20,29% em cerca de três meses.
A diminuição ocorre após recuperação parcial do nível dos reservatórios com a temporada chuvosa de 2026 no Vale do Paraíba, encerrada em março.
O reservatório equivalente passou de 34% no começo de janeiro, quando marcou um dos menores percentuais desde 1998 para o início do ano, para 60,54% em 18 de abril.
Desde então, as chuvas do primeiro trimestre recuperaram os volumes das represas do sistema, mas o nível médio está mais baixo do que estava em julho de 2025, o que acende um alerta.
O sistema registra 48,26% de volume útil em 13 de julho deste ano contra 59,43% no mesmo dia do ano passado, uma queda de 18,80% na reserva de água.
Principal represa da região, Paraibuna tinha 36% em janeiro e aumentou para 57,61% em abril deste ano, 57,71% a mais de volume útil. Com a entrada da estiagem, o volume caiu para 49,99% em 13 de julho, 35% a menos do que tinha em julho do ano passado (77,03%).
O mesmo aconteceu com as represas de Santa Branca e Jaguari, com aumento de 54% e 62% ante o volume de janeiro, mas queda de 26,58% e 16,36% considerando a reserva de água de julho de 2025.
A exceção é a represa de Funil, que aumentou em 143% o volume em abril comparado a janeiro e 32,43% na comparação com julho do ano passado.
O CBH-PS (Comitê das Bacias Hidrográficas do Rio Paraíba do Sul) informou que faz um “monitoramento contínuo da situação hídrica da bacia”, com “acompanhamento das previsões climatológicas, dados hidrometeorológicos e níveis dos principais reservatórios que abastecem a região”.
Além disso, os dados disponibilizados na Sala de Situação do SIGA-Ceivap, mantidos pelo Ceivap (Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul), permitem acompanhar, em tempo real, a vazão e o nível dos reservatórios e dos 21 pontos de monitoramento da bacia, com informações atualizadas diariamente conforme publicação da ANA.
Em janeiro, o CBH-PS já havia alertado que projeções climáticas de instituições meteorológicas nacionais, como o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), indicavam que as chuvas ao longo do verão poderiam se manter abaixo da média histórica em algumas regiões do Sudeste, o que reforçava a necessidade de gestão responsável e uso racional da água.
Diante desse contexto, o CBH-PS informou que mantém rotina permanente de análise integrada de dados hidrológicos e pluviométricos, com base em informações técnicas e atualizadas.
O comitê também promove articulações com órgãos gestores, agências reguladoras e operadores dos sistemas de água e saneamento, visando subsidiar o planejamento operacional e ações de segurança hídrica.
Além disso, o órgão incentiva a população e os usuários dos recursos hídricos a adotarem práticas de uso eficiente da água, em consonância com o Plano de Bacia e a Política de Recursos Hídricos da região.
“O Comitê reforça que a situação atual exige atenção ao uso da água e que todas as decisões são fundamentadas em dados confiáveis, com o compromisso de assegurar o abastecimento humano, os usos socioeconômicos e a sustentabilidade ambiental da Bacia do rio Paraíba do Sul”, informou.
A bacia do rio Paraíba do Sul tem uma área de 62.074 km² e abrange 184 municípios, sendo 88 em Minas Gerais, 57 no Rio de Janeiro e 39 em São Paulo.
O rio Paraíba do Sul resulta da confluência dos rios Paraibuna e Paraitinga, que nascem no Estado de São Paulo, a 1.800 metros de altitude.
O curso d’água percorre 1.150 km, passando por Minas e Rio de Janeiro, até desaguar no Oceano Atlântico em São João da Barra (RJ). Os principais usos da água na bacia são: abastecimento, diluição de esgotos, irrigação e geração de energia hidrelétrica.