06 de julho de 2026
RECUPERAÇÃO DE MATA

Inpe e SOS Mata Atlântica vão restaurar 210 hectares em Cachoeira

Por Da redação | Cachoeira Paulista
| Tempo de leitura: 2 min
Divulgação/Inpe
Imagem de satélite das áreas para restauração ecológica no Inpe de Cachoeira Paulista

O Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) e a Fundação SOS Mata Atlântica deram início a um novo projeto de restauração ecológica no campus da instituição, em Cachoeira Paulista, no Vale do Paraíba.

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A iniciativa prevê a recuperação de 210,8 hectares de áreas degradadas, unindo preservação ambiental, pesquisa científica e ações para reforçar a proteção da unidade contra incêndios.

A parceria amplia uma cooperação técnica iniciada em 1989 entre as duas instituições, responsáveis pela elaboração do Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica.

Agora, o foco passa a ser a criação de uma floresta experimental, onde pesquisadores poderão desenvolver e testar novas metodologias de restauração ecológica.

Trabalhos começaram com coleta de amostras

Os trabalhos começaram oficialmente em 1º de julho, com a coleta de amostras de solo para análises laboratoriais realizadas pelo IAC (Instituto Agronômico de Campinas). Nesta etapa inicial, equipes técnicas identificaram e mapearam os primeiros 50 hectares que serão restaurados nos setores 3 e 4 do campus.

Além da recuperação da vegetação nativa, o projeto pretende transformar a área em um laboratório a céu aberto, permitindo que cientistas do Inpe e de outros centros de pesquisa desenvolvam estudos voltados à conservação ambiental, inovação tecnológica e adaptação às mudanças climáticas.

A região foi escolhida por sua importância estratégica para a recuperação da Mata Atlântica. Atualmente, Cachoeira Paulista preserva apenas 15,8% de sua cobertura vegetal nativa e está classificada pelo Governo do Estado de São Paulo como área de prioridade muito alta para restauração ambiental.

Recuperação vai reconectar fragmentos florestais

A expectativa é que a recomposição da vegetação contribua para reconectar fragmentos florestais, melhorar a qualidade da água, favorecer a biodiversidade e ampliar serviços ecossistêmicos essenciais, como a regulação do clima.

Outro objetivo do projeto é aumentar a segurança do campus do Inpe, que abriga estruturas estratégicas para o país, entre elas o Cptec (Centro de Previsão do Tempo e Estudos Climáticos), o supercomputador Jaci, utilizado nas previsões meteorológicas e climáticas, o LCP (Laboratório de Combustão e Propulsão) e as antenas do projeto BDA (Brazilian Decimetric Array), responsáveis pelo monitoramento da atividade solar.

Historicamente, a unidade sofre com incêndios provocados, em muitos casos, por focos iniciados em propriedades vizinhas. Com a restauração da vegetação e a implantação de aceiros, além da articulação com proprietários do entorno, a expectativa é reduzir significativamente o risco de queimadas e proteger os equipamentos científicos instalados no local.

O projeto também prevê ações de educação ambiental e comunicação com a comunidade. A Fundação SOS Mata Atlântica apoiará o Inpe na elaboração de um plano para ampliar o envolvimento da população e desenvolver atividades em parceria com a Prefeitura de Cachoeira Paulista.

Para as instituições, a iniciativa representa um avanço na integração entre ciência, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, fortalecendo o papel do município como referência em pesquisa, inovação e proteção da Mata Atlântica.