A Prefeitura de São José dos Campos lançou o programa Conecta50+ para reunir iniciativas voltadas a pessoas com mais de 50 anos. A solenidade ocorreu durante o seminário “Economia da Longevidade: Emprego e Empreendedorismo”, realizado no Sesc São José dos Campos, na manhã de quarta-feira (24).
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São José tem mais de 215 mil habitantes com mais de 50 anos, o que representa 30% da população da cidade. A partir do mês de agosto, a coordenação do programa vai realizar reuniões com empresas, universidades, entidades e outros, para fomentar ações que viabilizem a criação de políticas públicas voltadas a esse público.
O projeto quer ser referência no tema longevidade por meio da criação de um ecossistema colaborativo para incentivar o aprendizado contínuo, geração de empregos, oportunidades de trabalho voluntário, prestação de serviços, empreendedorismo, pesquisas científicas, além da criação de novos produtos, serviços e financiamentos.
A OVALE, o prefeito de São José dos Campos, Anderson Farias (PSD), ressaltou a importância de readequar as demandas do município frente às mudanças demográficas.
"A nossa pirâmide hoje está ao contrário, né? Não quer dizer que ela está errada, mas ela está ao contrário do ponto de vista daquilo que era natural", disse, ressaltando que aos 50 anos ainda se é considerado jovem.
"Então isso faz com que a gente tenha que fazer uma readequação de todo o mercado, principalmente o mercado de trabalho. Você tem pessoas que querem trabalhar, mas que já estão no processo de aposentadoria e não conseguem voltar para o mercado de trabalho. Esse (o programa) tem esse conceito, de a gente trabalhar essas questões da longevidade, a gente trabalhar essas questões, a adaptação das cidades", completou.
Segundo dados apresentados no evento, extraídos do Observatório Econômico do município, mais de 25% da população com mais de 60 anos ainda trabalham e contribuem economicamente para a receita local. De olho nisso, o secretário de Governança de São José, Jhonis Santos, defende que debater longevidade não é apenas pensar nas linhas de cuidado, mas vai além disso.
"É posicionar a população 50+ num espaço estratégico da cidade, para que ela possa ser protagonista. Para a gente pensar na geração de emprego, renda. Então é um primeiro momento para discussões, e a gente lança o programa 50+ como uma série de iniciativas a partir de agora para a gente poder colocar essa população como protagonista no dia a dia de São José", disse.
Um dos pontos debatidos no seminário é a barreira do idadismo. A visão de que pessoas mais velhas são lentas e pouco produtivas.
Ricardo Silvestre Micheli, assessor sócio-educativo do Sesc, um dos mediadores do debate, afirma que isso é um mito e estereótipo. "Nós sabemos que não é verdade, pelo contrário! Muitas vezes, com a experiência, a pessoa tem uma capacidade de produção muito maior.
Paulo Ceredas, diretor do Sebrae, parceiro do evento, concorda e ressalta a importância do capital intelectual representado por pessoas dessa faixa etária em São José dos Campos.
"Tem uma força de trabalho importante, um capital intelectual aqui em São José dos Campos relevante, que vem das bancadas de pesquisa, do centro tecnológico, das empresas de alta tecnologia, e que pode ainda contribuir muito para a formação das próximas gerações e também para a geração de riqueza", afirma.
O programa pretende criar um banco de dados colaborativo com diferentes visões referentes à longevidade, à economia e à atuação de pessoas acima de 50 anos na região. A partir daí, organizar informações e adequar políticas e oportunidades que fortaleçam a atividade, saúde e lazer nessa faixa etária.