A participação de Curaçao na Copa do Mundo de 2026 reacendeu uma curiosa ligação entre a seleção caribenha e o Brasil. Décadas antes de o país sonhar com espaço no cenário internacional, um treinador nascido em Lorena, no Vale da Fé, ajudou a estruturar o futebol local e comandou a equipe nacional por mais de uma década. Seu nome era Pedro Celestino da Cunha.
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Conhecido nos gramados apenas como Celestino, ele atuou como zagueiro do Palmeiras nos anos 1940 e fez parte de campanhas importantes do clube paulista. Depois, passou pelo Fluminense e iniciou uma trajetória que o levaria por diferentes países da América Latina.
A história de Pedro da Cunha ganhou contornos incomuns ao longo dos anos. Após passagens por clubes do Rio Grande do Sul, Uruguai, Argentina e México, ele recebeu uma proposta para atuar na Espanha. No entanto, durante uma parada na Guatemala, sofreu um ferimento grave na perna em um acidente envolvendo uma arma de fogo. A lesão encerrou sua carreira como jogador.
Sem poder continuar nos gramados, decidiu seguir no futebol como treinador. Trabalhou na seleção de Honduras e, em 1954, mudou-se para Curaçao, onde assumiu o comando da seleção local.
Na época, o futebol da ilha ainda buscava organização e estrutura. Em entrevistas concedidas à imprensa brasileira, Pedro relatou que encontrou um elenco com limitações físicas e problemas de disciplina. Segundo ele, era comum percorrer o trajeto do hotel até os treinamentos a pé, enquanto tentava implantar métodos de preparação mais próximos dos adotados no futebol brasileiro.
Mesmo diante das dificuldades, o técnico conseguiu resultados relevantes. Sob seu comando, Curaçao conquistou a medalha de bronze nos Jogos Pan-Americanos de 1955. Embora a competição contasse com apenas quatro participantes, o desempenho foi considerado importante para uma seleção que ainda dava seus primeiros passos em torneios internacionais.
Pedro da Cunha permaneceu à frente da equipe até 1965, tornando-se um dos treinadores mais longevos da história do futebol local. Durante esse período, ajudou a desenvolver jogadores, organizar treinamentos e dar visibilidade ao esporte na ilha.
Um dos momentos mais simbólicos de sua trajetória aconteceu em 1957, quando o Fluminense realizou um amistoso em Curaçao. Ex-clube do treinador, a equipe carioca não conseguiu superar os anfitriões, e a partida terminou empatada em 0 a 0. O resultado foi celebrado como uma conquista para o futebol local.
Mais de seis décadas depois, enquanto Curaçao volta a chamar a atenção do mundo do futebol, a história de Pedro Celestino da Cunha permanece como um capítulo pouco conhecido da ligação entre o Vale do Paraíba e o esporte caribenho. Nascido em Lorena, ele deixou sua marca em uma seleção que, naquele período, ainda construía sua identidade dentro do futebol internacional.