Sem proposta, ônibus podem atrasar em SJC, Taubaté e Jacareí. O alerta foi feito pelo Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba, nesta segunda-feira (22), após mais uma rodada de negociações sem acordo com as empresas do transporte coletivo.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Caso uma nova proposta salarial não seja apresentada até as 16h desta terça-feira (23), trabalhadores poderão realizar mobilizações nas garagens na madrugada de quarta-feira (24), o que pode provocar atraso na saída dos ônibus em cidades como São José dos Campos, Jacareí, Taubaté e Caçapava.
Apesar da possibilidade de transtornos, o sindicato reforçou que não há greve confirmada neste momento. A operação dos ônibus segue normal nesta terça-feira.
O prazo foi definido após a terceira reunião entre representantes dos trabalhadores e das empresas, realizada nesta segunda-feira (22).
Segundo o presidente do Sindicato dos Condutores do Vale do Paraíba, Ronaldo Costa, o encontro terminou sem uma proposta considerada suficiente para ser levada à apreciação da categoria em assembleia.
As empresas, representadas pela Busvale, solicitaram mais tempo para apresentar um novo documento. A expectativa é que uma contraproposta seja formalizada até o fim da tarde desta terça-feira.
De acordo com Ronaldo Costa, passageiros não precisam se preocupar com paralisações ou atrasos nesta terça-feira. O sindicato decidiu aguardar o prazo concedido ao setor patronal antes de definir qualquer medida.
"Amanhã não tem atraso na saída dos carros e não tem paralisação", afirmou o dirigente após a reunião.
A situação, porém, pode mudar caso as empresas não apresentem uma nova proposta ou mantenham os mesmos termos já rejeitados pelos trabalhadores.
Se não houver avanço nas negociações, o sindicato pretende realizar atos nas garagens das empresas durante a madrugada de quarta-feira. A mobilização consistiria em reuniões e conversas com os funcionários antes do início da operação.
Dependendo da duração dessas atividades, a saída dos primeiros ônibus do dia poderá ser atrasada, afetando milhares de passageiros que utilizam o transporte coletivo para trabalhar, estudar ou realizar consultas médicas.
O sindicato ainda não divulgou quais empresas poderão ser alvo das mobilizações nem os horários previstos para os atos.
Embora a categoria esteja em estado de greve, Ronaldo Costa destacou que isso não significa uma paralisação imediata.
Segundo ele, uma greve só pode ocorrer após nova assembleia dos trabalhadores, aprovação da categoria e cumprimento dos procedimentos legais exigidos para serviços essenciais.
"Por enquanto, a gente não fala em greve; nós falamos apenas em mobilização", explicou.
A principal divergência entre trabalhadores e empresas continua sendo o reajuste salarial.
A última proposta apresentada pelo setor patronal previa aumento de 4,20%, composto pela reposição da inflação medida pelo INPC (4,11%) e ganho real de apenas 0,09%.
Já os trabalhadores reivindicam a reposição integral da inflação mais 6% de aumento real.
Além dos salários, a campanha inclui reivindicações relacionadas a benefícios como vale-alimentação, participação nos lucros e resultados (PLR), melhorias na cesta básica, ampliação do convênio médico e pagamento diferenciado para trabalho em feriados.
As negociações abrangem os sistemas de transporte coletivo de São José dos Campos, Jacareí, Taubaté e Caçapava.
Segundo o sindicato, as diferenças contratuais e financeiras entre as concessionárias dificultam a construção de um acordo regional único. Por isso, uma alternativa estudada é a realização de negociações separadas por município caso o impasse persista.
A entidade afirma, porém, que a prioridade continua sendo a celebração de uma convenção coletiva única para todas as cidades.
Para o sindicato, a solução depende da apresentação de uma proposta formal considerada viável para ser submetida à votação dos trabalhadores.
Se o documento trouxer avanços nas reivindicações da categoria, os atos previstos para quarta-feira poderão ser suspensos. Caso contrário, a mobilização nas garagens deverá ser mantida.
A definição sobre os próximos passos da campanha salarial deve ocorrer ainda nesta terça-feira, após o término do prazo concedido às empresas.