Momentos de terror.
Catorze mulheres e uma criança ficaram sob domínio de presos por quase 18 horas durante motim na Penitenciária 1 de Potim, no Vale do Paraíba, nesse final de semana. Dois presos morreram e quatro ficaram feridos ao longo da rebelião.
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A confusão começou após duas visitantes serem impedidas de entrar na penitenciária por irregularidades detectadas no escâner corporal.
As 14 mulheres e uma criança eram familiares de presos e viveram momentos de terror por quase 18 horas, segundo o boletim de ocorrência da Polícia Civil.
O documento detalha que os visitantes permaneceram sob o domínio dos detentos enquanto os amotinados promoviam sessões de violência extrema, ameaçavam executar novos presos e impediam qualquer tentativa de resgate.
“Embora os líderes da rebelião negassem tratar-se de reféns, [os familiares] tiveram sua saída impedida pelos amotinados, permanecendo sob seu domínio até a manhã do dia seguinte”, diz a Polícia Civil.
De acordo com a investigação, a rebelião começou na manhã de sábado (20), durante o horário de visitas, após duas mulheres serem impedidas de entrar na unidade prisional. O acesso foi negado porque o escâner corporal (body scan) identificou imagens suspeitas, exigindo a realização de exames complementares.
Segundo o boletim, dois presos conhecidos como "Batata" e "Proibido", companheiros das visitantes barradas, reagiram imediatamente à decisão da administração do presídio. Eles passaram a ameaçar policiais penais e avisaram que, caso as mulheres não fossem autorizadas a entrar, iniciariam uma sequência de homicídios e manteriam familiares que já estavam no pavilhão como reféns.
As investigações apontam que os dois lideraram o motim e comandaram outros detentos ao longo de toda a crise. Durante as negociações, os presos exibiam armas artesanais, como pedaços de metal, vergalhões, plásticos rígidos e fragmentos de espelho quebrado, enquanto faziam constantes ameaças de morte aos negociadores.
O boletim descreve que cerca de cinco presos foram rendidos, amarrados e espancados diante das equipes responsáveis pela negociação. Conforme os depoimentos reunidos pela Polícia Civil, os agressores utilizavam as vítimas como forma de pressionar a administração da unidade, afirmando que uma nova execução aconteceria sempre que o prazo imposto por eles expirasse sem o atendimento das exigências.
Os presos que morreram foram identificados no boletim como Gustavo Santos Lima Lourenço, 25 anos, e Carlos Matheus Alves da Silva, 41 anos. Os dois cumpriam pena na unidade e foram encontrados mortos após os ataques atribuídos ao grupo.
Os familiares permaneceram impedidos de deixar o pavilhão desde o início da rebelião até aproximadamente 6h de domingo (21), quando os líderes do motim se renderam após intensas negociações conduzidas por policiais penais com apoio do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais). Apesar do clima de terror, as mulheres e a criança foram libertadas sem ferimentos físicos.
O boletim ainda aponta que barricadas montadas com colchões, cobertores e grades impediram qualquer intervenção imediata das forças de segurança, já que uma ação poderia colocar em risco a vida dos reféns.
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar os homicídios consumados, as tentativas de homicídio, o cárcere privado dos visitantes, a participação de cada preso envolvido na rebelião e outros crimes praticados durante o motim.
Diversos internos foram identificados como participantes das agressões, enquanto os dois presos que se rebelaram contra as visitas barradas são apontados como os principais líderes da ação criminosa. No total, o boletim de ocorrência lista nove presos indiciados pelo motim.