O Vale do Paraíba, com destaque para São José dos Campos, consolidou-se como uma das regiões mais estratégicas do Brasil para a expansão da NEC no segmento de cidades inteligentes. A avaliação é de Elias Reis, head regional de Soluções para Cidades Inteligentes da multinacional japonesa, que aponta o município da região como referência nacional em inovação aplicada à gestão pública.
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Segundo o executivo, a empresa passa por uma nova fase global de transformação, deixando de atuar prioritariamente como integradora de hardware para assumir um posicionamento no mercado de software, sistemas e integração, no qual plataformas digitais passam a ser o centro das soluções.
Nesse modelo, a tecnologia deixa de ser o foco em si e passa a funcionar como base para a orquestração de dados urbanos em tempo real.
“A inteligência não está mais na câmera, mas no software que conecta tudo”, resume Elias Reis a OVALE, ao explicar a evolução da companhia.
Nesse contexto, soluções como o sistema de reconhecimento facial NeoFace Watch e a plataforma CitySensei ganham protagonismo ao integrar informações de segurança, mobilidade e meio ambiente em uma única estrutura digital.
O conceito de cidade inteligente defendido pela NEC envolve pilares como segurança pública, mobilidade urbana e gestão ambiental. Em cidades como São José dos Campos, por exemplo, sistemas já permitem o cruzamento de dados de veículos, monitoramento de tráfego, identificação de padrões de risco e apoio direto às forças de segurança.
Além disso, a tecnologia também é aplicada em áreas como previsão de enchentes, monitoramento de qualidade do ar e gestão de transporte público, com análise de fluxo de ônibus, lotação de linhas e otimização de rotas. “O objetivo é transformar dados em decisões automáticas e úteis para o cidadão”, afirma o executivo.
A região do Vale do Paraíba é vista pela empresa como um polo estratégico não apenas pela relevância econômica, mas também pela capacidade de replicação de modelos tecnológicos. Cidades como Taubaté, Jacareí e Pindamonhangaba são consideradas ambientes ideais para expansão de soluções que já estão em operação em São José dos Campos.
Outro ponto destacado por Elias Reis é a mudança no modelo de contratação do setor público. Segundo ele, municípios têm migrado da compra de equipamentos para a contratação de serviços baseados em tecnologia. Isso significa que, em vez de adquirir câmeras ou sensores, as cidades contratam resultados e funcionalidades, com atualizações contínuas e menor obsolescência.
“Hoje o hardware virou commodity. O valor está no software e na capacidade de integração”, explica. Esse movimento também permite maior eficiência na gestão de recursos públicos, já que os sistemas se adaptam continuamente às novas demandas urbanas.
A NEC também destaca a importância da interoperabilidade com sistemas legados já existentes nas cidades. Em muitos casos, segundo o executivo, os municípios já possuem parques tecnológicos instalados, o que exige soluções capazes de integrar diferentes plataformas em um único ambiente operacional.
Nesse cenário, o software atua como “cérebro da operação”, conectando câmeras, bancos de dados, sistemas de mobilidade e centros de comando. A inteligência artificial também desempenha papel central, permitindo análises preditivas, automação de respostas e identificação de eventos em tempo real.
A empresa também aposta na ampliação do uso de IA generativa e análise avançada de dados para simular cenários urbanos. Isso inclui, por exemplo, testes virtuais de mudanças no trânsito, previsão de impactos ambientais e otimização de serviços públicos.
Elias Reis reforça que o principal objetivo das cidades inteligentes deve ser perceptível para o cidadão. “Se a população não sente melhoria no dia a dia, o projeto não faz sentido”, afirma. Para ele, tecnologia só tem valor quando impacta diretamente a qualidade de vida, reduz filas, melhora a mobilidade e aumenta a segurança.
"A ideia é que a população também seja inteligente. Não adianta ter inúmeras formas de conectividade, como câmera e sensores, ou colocar essa cidade em um patamar de excelência, se a população pouco desfruta desses serviços", afirmou.
Com essa visão, a NEC enxerga o Vale do Paraíba como uma vitrine nacional de inovação, capaz de impulsionar novos contratos e consolidar o Brasil como referência em soluções urbanas inteligentes.
Elias Reis, head de cidades inteligentes da NEC Brasil / Divulgação/NEC