É tempo de Copa do Mundo.
É a época em que o sofá vira arquibancada e todo brasileiro, como em um passe de mágica, se transforma em técnico de futebol. Tempo de álbum de figurinhas, ruas coloridas de verde e amarelo e debates intermináveis sobre escalações, esquemas táticos e chances de título. E o Neymar, vai ou não vai jogar? O Hexa vem?
Um período em que só se fala de futebol, certo?
Errado.
Longe dos gramados dos Estados Unidos, México e Canadá, outra partida está em andamento. Sem bola, chuteiras ou árbitro. Mas com estratégia, articulação, disputa por espaço, marcação cerrada e, vez ou outra, com uma canelada daqui e uma botinada dali.
Quer um exemplo? Em São José dos Campos, o jogo que mobiliza vereadores e lideranças políticas é a corrida pela presidência da Câmara Municipal. E o clima é quente.
OVALE apurou que, no momento, há dois nomes em disputa: Rafael Pascucci (PSD) e Lino Bispo (PL).
Pascucci, nome com bom trânsito tanto na base governista quanto entre a oposição, aparece em vantagem parcial. Pelas contas dos bastidores, segundo apuração de OVALE, o placar está em 16 a 5. Além do seu voto, Pascucci arregimentou o apoio de 15 parlamentares, incluindo o atual presidente do Legislativo, Roberto do Eleven (PSD), seu correligionário.
Diante do cenário, após consulta à bancada, o Paço Municipal também manifestou apoio a Pascucci, vereador de 42 anos que cumpre o seu segundo mandato.
Pascucci tem 8 dos 13 votos da base governista, além dos outros 8 da oposição.
Além de Eleven, estão hoje com Pascucci os parlamentares Amélia Naomi (PT), Anderson Senna (PL), Carlos Abranches (Cidadania), Claudio Apolinario (PSD), Fabião Zagueiro (PSD), Fernando Petiti (PSDB), Gilson Campos (PRD), Juliana Fraga (PT), Marcelo Garcia (PRD), Roberto Chagas (PL), Rogério do Acasem (PP), Sérgio Camargo (PL), Sidney Campos (PSDB) e Thomaz Henrique (PL).
Mas a bola ainda está rolando e a ordem no grupo é evitar o salto-alto, manter atenção redobrada.
Afinal, outros cinco vereadores caminham na direção oposta -- é o grupo formado pelos governistas Lino Bispo (PL), Marcão da Academia (PSD), Milton Vieira Filho (Republicanos), Renato Santiago (União) e Zé Luis (PSD).
Na última quinta-feira, de acordo com apuração de OVALE, teve substituição. Lino voltou a ser o nome do grupo para a disputa -- ele havia iniciado a articulação, passando o bastão posteriormente para Milton Vieira, que agora devolveu o posto para o vereador do PL.
Em desvantagem no placar, o grupo hoje encabeçado por Lino fez três investidas esta semana, em busca de apoio entre os 16 votos de Pascucci -- os chutes, porém, acabaram indo para fora. Nas próximas semanas, a temperatura deve esquentar e novas ofensivas não estão descartadas.
Diante do exposto, chamando o VAR da análise de probabilidades, pode-se dizer que o jogo está decidido?
Que nada. Como dizia o folclórico Vicente Matheus (1908-1997), ex-presidente do Corinthians, o jogo só termina quando acaba.
Pelos lados da Câmara, porém, já há quem aposte que o apito final virá antes mesmo do fim da Copa.