Quando Temple Grandin era criança, muitos acreditavam que seu autismo seria uma barreira intransponível para que ela estudasse, trabalhasse ou construísse uma carreira. Décadas depois, ela se tornou uma das maiores especialistas em comportamento animal do mundo e revolucionou os sistemas de manejo de gado utilizados em fazendas e frigoríficos em diversos países.
Clique aqui para fazer parte da comunidade de OVALE no WhatsApp e receber notícias em primeira mão. E clique aqui para participar também do canal de OVALE no WhatsApp
Sua história nos ensina uma lição poderosa: quando derrubamos barreiras, pessoas antes subestimadas transformam setores inteiros da economia, com geração de empregos e renda
Penso frequentemente em exemplos como o de Temple Grandin quando reflito sobre o futuro do agronegócio brasileiro. Afinal, o agro é um dos setores mais inovadores do país. É um ambiente onde tecnologia, ciência e conhecimento fazem a diferença todos os dias. E justamente por isso também pode ser um dos maiores protagonistas da inclusão.
São Paulo segue mais forte no campo. Nosso estado lidera a produção e as exportações do agronegócio brasileiro, respondendo por cerca de 17% de tudo o que o país vende ao exterior. Por trás desses números existem produtores, trabalhadores, cooperativas, pesquisadores, transportadores, comerciantes e milhares de famílias que dependem da força do campo para construir suas vidas.
Foi com esse espírito que, no ano passado, representei o Estado de São Paulo na Organização Mundial do Comércio para defender os produtores paulistas diante do aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos. Na ocasião, minha mensagem era clara: proteger o agronegócio brasileiro é proteger empregos, renda e desenvolvimento. Também destaquei que medidas tarifárias não afetam apenas estatísticas econômicas. Elas impactam pessoas reais. Como afirmei naquele momento, "essas tarifas não são números. São famílias, trabalhadores e cidades inteiras que dependem do agronegócio para sobreviver".
Por isso, só em 2025, destinei recursos para viabilizar a entrega de dezenas de tratores, retroescavadeiras, motoniveladoras e outros equipamentos para municípios paulistas.
Esses maquinários representam mais produtividade, mais competitividade e melhores condições de trabalho para pequenos e médios produtores, que desempenham papel fundamental na economia paulista.
A verdade é que o fortalecimento do campo não acontece apenas nos grandes fóruns internacionais. Ele também se constrói no dia a dia das cidades brasileiras.
Ao longo da minha vida pública, aprendi que a inclusão não é apenas uma questão de justiça social. Ela também é uma poderosa ferramenta de desenvolvimento econômico. Quando uma sociedade exclui pessoas, perde competências. Quando inclui, ganha inovação, produtividade, diversidade de perspectivas e contribuintes.
O agronegócio brasileiro já é referência mundial em tecnologia, pesquisa, sustentabilidade e eficiência. Agora, temos a oportunidade de liderar também uma agenda que considero indispensável: a inclusão.
Falamos de milhões de brasileiros que ainda encontram barreiras para estudar, trabalhar, empreender e participar plenamente da vida econômica. Pessoas com deficiência não precisam de privilégios. Precisam de oportunidades.
A mesma tecnologia que revolucionou a produção agrícola pode ampliar a acessibilidade e criar novas possibilidades de emprego. Equipamentos adaptados, automação, inteligência artificial e tecnologias assistivas têm potencial para abrir portas em toda a cadeia produtiva do agro, da pesquisa à gestão, da indústria aos serviços.
Costumo dizer que a deficiência não está na pessoa, mas nas barreiras que a sociedade insiste em manter. Quando removemos essas barreiras, descobrimos aptidões e capacidades que ajudam a construir um país mais forte.
A história de Temple Grandin demonstra exatamente isso. Uma menina que muitos acreditavam estar limitada transformou-se em uma das profissionais mais influentes do agronegócio mundial.
A maior riqueza do nosso país está em nossas terras, mas também na diversidade do nosso povo. O futuro do agronegócio passa pela preservação ambiental, pela geração de empregos, pelas novas tecnologias e pela capacidade de incluir cada vez mais brasileiros nesse processo de desenvolvimento. Afinal, a inovação nasce justamente nas diferenças.
Quantas Temple Grandin existem hoje no Brasil aguardando apenas uma oportunidade?