A estudante Bruna Damaris Sant'anna da Silva, 26 anos, desabafou nas redes sociais sobre o acidente com uma moto aquática que a deixou 42 horas à deriva no mar e provocou a morte de Dheorge Pereira Bernardino, 28 anos, no Litoral Norte.
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A moto aquática em que eles estavam deu pane e afundou. Ambos ficaram à deriva no mar em Ilhabela. Bruna foi resgatada com vida por pescadores quase dois dias depois do acidente. corpo de Dheorge foi encontrado oito dias após o início das buscas.
Novas pistas obtidas pela Polícia Civil de Ilhabela, por meio de gravações de câmeras de segurança, deram um novo rumo à investigação. Há indícios de que o grupo de amigos que estava na lancha com Bruna e Dheorge combinou a versão que contaria à polícia depois de a dupla desaparecer no mar, no dia 24 de maio.
Sobre o assunto, Bruna escreveu nas redes sociais: “Quero ver todas as pessoas que estão me acusando de coisas terríveis pagarem com a língua! Eu também fui vítima. Eu ia morrer. A verdade está vindo à tona”.
A irmã de Dheorge, Lorrane Pereira, foi ainda mais incisiva em suas postagens. Escreveu ela: “Seis horas para chamar a polícia. Seis horas que foram usadas para combinar história e proteger o próprio rabo, enquanto duas pessoas precisavam de socorro no mar”.
“Não falem em fatalidade onde existiu frieza e egoísmo. A vida do meu irmão e de quem estava com ele foi jogada para escanteio para que eles salvassem o próprio pescoço. Omissão de socorro planejada é crueldade pura”, disse ela.
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Reportagem exibida no programa Domingo Espetacular, da TV Record, mostra câmeras de segurança que registraram a movimentação do grupo que estava com Bruna e Dheorge no mar. Há trechos em áudio que trazem elementos para a investigação, mostrando os amigos combinando versões para contar à polícia.
As imagens mostram o grupo saindo para o passeio no mar às 11h59 da manhã de domingo (24/5). A lancha tinha nove pessoas a bordo: sete amigos, Neto Mineiro (dono da moto aquática) e um marinheiro que pilotava a embarcação.
Por volta das 17h, a lancha retornou com sete pessoas: cinco amigos, o piloto e Neto Mineiro. Bruna e Dheorge estavam desaparecidos.
A câmera flagrou o grupo de amigos e outras pessoas em frente a uma loja, às 21h12. A câmera registrou parte do áudio. Uma voz diz: “Se puxar o exame de sangue, não tem droga. Se puxar o bafômetro, um ou outro vai bater”.
O grupo parece combinar o que cada um vai dizer à polícia: “A gente vai ter que conversar a mesma coisa”, diz uma voz. “Dirigiu o Jet [ski]? Tem carta? Ah, não sei. Acho que tem”.
Em outro trecho: “A gente não esperava isso. Ah, ele saiu sem avisar ninguém”. “Isso aí que o Mineiro está falando já não vale. Os caras não querem saber disso. Os caras querem saber onde estão as pessoas. São duas”.
Uma voz diz em outro trecho da gravação: “Se abrir a boca de aluguel de jet vai dar m***”. “A gente está preocupado com ele, com a família, a gente conhece ele. Está ele, está a menina, está de colete. Diz que ele sabe andar. Tem habilitação? Acho que tem, porque ele pegou”.
Uma voz de homem diz: “Mesmo dando tudo certo, se você falar m***, você vai se complicar”. Outro trecho: “Você tem que falar uma coisa e manter o que você falar até o final”.
As imagens revelam que eles decidem deixar o resgate de Bruna e Dheorge de lado. O relógio da câmera marca 21h18: “Você pode ligar para quem você quiser, hoje ele não vai. Vai ser só amanhã, só amanhã”.
A polícia foi comunicada sobre o sumiço de Bruna e Dheorge às 23h47 daquele domingo. Foram realizadas buscas na região com pescadores e outras pessoas que atuam com embarcações. Nada foi encontrado.
Segundo a investigação, quem entregou o veículo aquático aos dois amigos pode ser indiciado por homicídio culposo, crime em que não há intenção de matar.
Neto Mineiro disse que não alugou e nem emprestou a moto aquática. Em entrevista à TV Record, ele afirmou que Dheorge pegou a moto sem autorização.
Uma mulher que estava na lancha confirmou a versão de Neto. Ela disse que Dheorge e Bruna colocaram o colete e saíram sem autorização – a declaração confirma o que o grupo parecia estar combinando na noite do desaparecimento.
A Polícia Civil de Ilhabela ouviu 13 pessoas em interrogatório sobre o caso, entre elas todos os que estavam na lancha no dia do caso.
Nas redes sociais, Lorrane Pereira pediu justiça pelo irmão morto: “Mas o que destrói a gente por dentro é descobrir que essas seis horas não foram de desespero, foram de cálculo. Eles usaram o tempo em que duas pessoas lutavam pela vida no mar para se reunirem e combinarem a mentira que iam contar para a polícia. Isso não é omissão por choque, isso é frieza, é crime!”.
“Pensaram em salvar a própria pele enquanto quem precisava de socorro foi abandonado. Que a justiça dos homens seja implacável com essa covardia, porque a de Deus já está vendo tudo. Nojo e revolta que não cabem no peito”, afirmou.
Também a mulher de Bruna comentou o caso em postagem nas redes sociais: “Os dois foram deixados para morrer, minha mulher e o Dheorge. Bando de covardes. Não contavam que ela ia sair viva. Porque foi um milagre de Deus na vida dela. Os dois foram deixados de lado para que esses hipócritas salvassem o próprio pescoço. Houve omissão de socorro planejada, isso é pura crueldade e que a justiça seja feita”.
“Isso chega a ser muito revoltante, além de ver esse povo aí caindo em cima da minha mulher como se ela tivesse culpa de algo, sendo que ela não tem. Agora isso, esse bando de covardes. A máscara está caindo de todos e que todos paguem pelo ocorrido. Bando sem coração. Quero justiça”, completou.