O STJ (Superior Tribunal de Justiça) agendou para o dia 16 de junho o início do julgamento do recurso da Prefeitura de São José dos Campos no processo que contesta o uso de recursos do município para o custeio de atividades desportivas profissionais.
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A apelação será analisada em sessão virtual da Primeira Turma do STJ, com duração de sete dias. Até agora, nas duas primeiras instâncias, as decisões foram desfavoráveis à Prefeitura.
Na sentença, a juíza Laís Helena de Carvalho Scamilla Jardim, da 2ª Vara da Fazenda Pública de São José, também determinou que a Prefeitura deixasse "de efetuar repasses para custeio de atividades desportivas profissionais" e fizesse a "destinação prioritária de recursos públicos ao desporto educacional, reservando para casos específicos o repasse de verbas públicas ao desenvolvimento do desporto de alto rendimento".
Em um primeiro recurso, a Prefeitura alegou que a sentença partiu "de uma premissa equivocada ao tratar o esporte de alto rendimento como sinônimo de esporte profissional", e argumentou que a Lei Pelé, de 1998, permitia o repasse de recursos públicos para equipes de alto rendimento. Essa apelação foi rejeitada pela 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça em março de 2025. Na decisão, o desembargador Marcos Pimentel Tamassia, relator do processo, afirmou que ficou comprovado que o time de vôlei "tinha natureza de equipe profissional", e que houve "desvio de finalidade" no uso de recursos do fundo municipal destinado "ao desenvolvimento de projetos específicos ao desporto não profissional".
Na sentença de agosto de 2024, ao analisar o caso da antiga equipe de vôlei, que originou a denúncia do Ministério Público, a juíza concluiu que se tratava de um "time profissional" que "atuou frente a campeonatos oficiais, desvirtuando-se completamente a finalidade pública do custeio de atividades desportivas não profissionais, com finalidade social".
A magistrada destacou que os repasses foram considerados irregulares pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) e que a Justiça do Trabalho, inclusive, condenou a Prefeitura a pagar verbas trabalhistas a ex-atletas do time. "Ou seja, tanto o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (por decisão definitiva) como a Justiça do Trabalho reconheceram o vínculo profissional dos atletas do time de voleibol".
Além disso, a decisão destacou que, embora a Prefeitura tenha feito repasses para a antiga equipe de vôlei, não foram "apresentados convênio ou contrato de gestão, além de prestação de contas de aludidas verbas".
Na ação, o MP apontou que o Fadenp (Fundo de Apoio ao Desporto Não Profissional), que havia sido criado em 1994, era utilizado para fazer repasses a equipes esportivas com perfil profissional - o que seria ilegal, segundo a Promotoria.
Em meio ao processo, em agosto de 2019, a Justiça determinou que a Prefeitura deixasse de transferir recursos para a equipe de vôlei que representava o município na ocasião. Em dezembro daquele ano, o Tribunal de Justiça decidiu ampliar a proibição a todas as equipes esportivas com perfil profissional.
No entanto, apesar da decisão do TJ, a Prefeitura manteve suspensos apenas os repasses para o antigo time de vôlei, sob o argumento de que havia sido a única equipe citada expressamente - o município alegava ainda que, com base nos critérios estabelecidos pela Lei Pelé, de 1998, todas as equipes que recebiam recursos do Fadenp eram consideradas não-profissionais.
Como em 2020 a pandemia levou à suspensão das competições esportivas, o impasse sobre a aplicação ou não da decisão do TJ não teve efeito prático naquele ano.
Em 2021, com a retomada das competições, o então prefeito Felicio Ramuth (MDB) propôs extinguir o Fadenp e criar o Fadej (Fundo de Apoio ao Desporto Joseense), o que foi aprovado pela Câmara em agosto daquele ano.
Além de manter a previsão de repasses para as mesmas equipes que o Fadenp atendia, o Fadej ainda passou a pagar valores superiores aos atletas.
Inicialmente, a ação do MP pedia a condenação por improbidade administrativa do atual vereador Zé Luís (PSD), que foi secretário municipal de Esportes de 2015 a 2016, na gestão do ex-prefeito Carlinhos Almeida (PT), e de dois integrantes da comissão técnica da antiga equipe de vôlei de São José.
Em novembro de 2023, no entanto, o juiz Alexandre Miura Iura, que era o responsável pelo processo na época, decidiu que a conduta dos três citados não caracterizou nenhuma irregularidade.
Naquela época, a ação deixou de ser de improbidade administrativa e foi reclassificada para ação civil pública – com isso, o processo poderia resultar apenas no desfecho que teve, que foi o impedimento de repasses a equipes profissionais, sem nenhuma condenação individual.