28 de maio de 2026
ESPORTE

STJ julga em junho financiamento de equipes profissionais em SJC

Por Julio Codazzi | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação/PMSJC
Até agora, as duas primeiras instâncias da Justiça decidiram que a Prefeitura de São José deveria deixar ‘de efetuar repasses para custeio de atividades desportivas profissionais’; município recorreu

O STJ (Superior Tribunal de Justiça) agendou para o dia 16 de junho o início do julgamento do recurso da Prefeitura de São José dos Campos no processo que contesta o uso de recursos do município para o custeio de atividades desportivas profissionais.

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A apelação será analisada em sessão virtual da Primeira Turma do STJ, com duração de sete dias. Até agora, nas duas primeiras instâncias, as decisões foram desfavoráveis à Prefeitura.

Em agosto de 2024, a decisão de primeira instância declarou a "nulidade absoluta do informal convênio" por meio do qual o município repassou R$ 6,323 milhões para a equipe de vôlei que representou a cidade entre 2015 e 2018.

Na sentença, a juíza Laís Helena de Carvalho Scamilla Jardim, da 2ª Vara da Fazenda Pública de São José, também determinou que a Prefeitura deixasse "de efetuar repasses para custeio de atividades desportivas profissionais" e fizesse a "destinação prioritária de recursos públicos ao desporto educacional, reservando para casos específicos o repasse de verbas públicas ao desenvolvimento do desporto de alto rendimento".

Em um primeiro recurso, a Prefeitura alegou que a sentença partiu "de uma premissa equivocada ao tratar o esporte de alto rendimento como sinônimo de esporte profissional", e argumentou que a Lei Pelé, de 1998, permitia o repasse de recursos públicos para equipes de alto rendimento. Essa apelação foi rejeitada pela 1ª Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça em março de 2025. Na decisão, o desembargador Marcos Pimentel Tamassia, relator do processo, afirmou que ficou comprovado que o time de vôlei "tinha natureza de equipe profissional", e que houve "desvio de finalidade" no uso de recursos do fundo municipal destinado "ao desenvolvimento de projetos específicos ao desporto não profissional".

Processo cita a antiga equipe de vôlei da cidade

Na sentença de agosto de 2024, ao analisar o caso da antiga equipe de vôlei, que originou a denúncia do Ministério Público, a juíza concluiu que se tratava de um "time profissional" que "atuou frente a campeonatos oficiais, desvirtuando-se completamente a finalidade pública do custeio de atividades desportivas não profissionais, com finalidade social".

A magistrada destacou que os repasses foram considerados irregulares pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado) e que a Justiça do Trabalho, inclusive, condenou a Prefeitura a pagar verbas trabalhistas a ex-atletas do time. "Ou seja, tanto o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (por decisão definitiva) como a Justiça do Trabalho reconheceram o vínculo profissional dos atletas do time de voleibol".

Além disso, a decisão destacou que, embora a Prefeitura tenha feito repasses para a antiga equipe de vôlei, não foram "apresentados convênio ou contrato de gestão, além de prestação de contas de aludidas verbas".

Ação contestava uso do Fadenp, que havia sido criado em 1994

Na ação, o MP apontou que o Fadenp (Fundo de Apoio ao Desporto Não Profissional), que havia sido criado em 1994, era utilizado para fazer repasses a equipes esportivas com perfil profissional - o que seria ilegal, segundo a Promotoria.

Em meio ao processo, em agosto de 2019, a Justiça determinou que a Prefeitura deixasse de transferir recursos para a equipe de vôlei que representava o município na ocasião. Em dezembro daquele ano, o Tribunal de Justiça decidiu ampliar a proibição a todas as equipes esportivas com perfil profissional.

No entanto, apesar da decisão do TJ, a Prefeitura manteve suspensos apenas os repasses para o antigo time de vôlei, sob o argumento de que havia sido a única equipe citada expressamente - o município alegava ainda que, com base nos critérios estabelecidos pela Lei Pelé, de 1998, todas as equipes que recebiam recursos do Fadenp eram consideradas não-profissionais.

Em meio à ação, Fadenp foi extinto e deu lugar ao Fadej

Como em 2020 a pandemia levou à suspensão das competições esportivas, o impasse sobre a aplicação ou não da decisão do TJ não teve efeito prático naquele ano.

Em 2021, com a retomada das competições, o então prefeito Felicio Ramuth (MDB) propôs extinguir o Fadenp e criar o Fadej (Fundo de Apoio ao Desporto Joseense), o que foi aprovado pela Câmara em agosto daquele ano.

Além de manter a previsão de repasses para as mesmas equipes que o Fadenp atendia, o Fadej ainda passou a pagar valores superiores aos atletas.

Inicialmente, ação pedia condenação de vereador

Inicialmente, a ação do MP pedia a condenação por improbidade administrativa do atual vereador Zé Luís (PSD), que foi secretário municipal de Esportes de 2015 a 2016, na gestão do ex-prefeito Carlinhos Almeida (PT), e de dois integrantes da comissão técnica da antiga equipe de vôlei de São José.

Em novembro de 2023, no entanto, o juiz Alexandre Miura Iura, que era o responsável pelo processo na época, decidiu que a conduta dos três citados não caracterizou nenhuma irregularidade.

Naquela época, a ação deixou de ser de improbidade administrativa e foi reclassificada para ação civil pública – com isso, o processo poderia resultar apenas no desfecho que teve, que foi o impedimento de repasses a equipes profissionais, sem nenhuma condenação individual.