26 de maio de 2026
CRIME

SJC: Vai morrer a facada ou queimada?, diz marido antes de ataque

Por Da Redação | São José dos Campos
| Tempo de leitura: 3 min
Imagem gerada por IA
SJC: Vai morrer a facada ou queimada?, diz marido antes de ataque

Uma frase dita segundos antes do ataque marcou o depoimento da vítima à Polícia Civil em São José dos Campos. Segundo o boletim de ocorrência, o homem de 40 anos perguntou à companheira “de que forma ela preferia morrer”, citando esfaqueamento ou incêndio, antes de jogar querosene e atear fogo na mulher dentro da casa da família, no bairro Santa Cecília 2.

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O caso aconteceu neste sábado (23) e terminou com o suspeito preso em flagrante pela Polícia Militar. A mulher, de 36 anos, sofreu queimaduras na testa, sobrancelhas, pescoço e cabelos. Uma criança que estava no imóvel precisou ser retirada pelos policiais em meio ao desespero.

De acordo com o BO registrado na DDM (Delegacia de Defesa da Mulher), a vítima conseguiu sobreviver após simular um desmaio. Ela relatou que o agressor cessou parcialmente o ataque ao acreditar que ela havia perdido a consciência. Em seguida, ela conseguiu fugir com as crianças e pedir socorro.

Casa destruída e cheiro forte de querosene

Quando os policiais chegaram ao imóvel, encontraram a residência completamente revirada, com móveis quebrados e forte odor de querosene espalhado pelos cômodos. Segundo o boletim, móveis e até a cama estavam impregnados pelo líquido inflamável.

A mulher contou que o companheiro estava há dias consumindo bebida alcoólica e drogas dentro da residência. Após uma discussão, ele teria perdido o controle, quebrado objetos da casa e começado a ameaçá-la com uma faca.

Segundo o relato da vítima, o homem passou a dizer que ela iria morrer e perguntou se preferia ser morta “a facadas ou queimada”. Na sequência, lançou querosene sobre o corpo dela e ateou fogo.

A Polícia Militar informou que a vítima foi encontrada já em via pública, com queimaduras aparentes e sinais de chamuscamento nos cabelos.

Criança foi retirada da casa pela PM

Ainda segundo o boletim, a mulher avisou aos policiais que uma filha menor de idade permanecia dentro da residência. Diante do risco, os agentes entraram na casa e conseguiram retirar a criança em segurança.

O suspeito foi abordado quando saía do imóvel carregando objetos pessoais. Conforme o registro policial, ele apresentava comportamento agressivo e alterado, sendo necessário o uso de algemas.

Durante depoimento na DDM, o homem admitiu que ameaçou a companheira, mas negou ter colocado fogo nela de forma intencional. Ele afirmou que carregava querosene e que o incêndio teria acontecido “acidentalmente” enquanto tentava acender um cigarro conhecido como “paieiro”.

A versão, porém, é contestada pelo depoimento da vítima e pelos indícios encontrados no local.

Mulher tinha medida protetiva

O caso ganhou ainda mais gravidade porque a vítima já possuía medida protetiva contra o agressor. Segundo ela relatou à Polícia Civil, o homem havia voltado a conviver com a família após ameaças dirigidas a parentes idosos.

O boletim foi registrado como violência doméstica, ameaça, lesão corporal contra mulher e descumprimento de medida protetiva. No despacho, a autoridade policial também apontou possibilidade de reclassificação do caso para tentativa de feminicídio durante o andamento da investigação.

O delegado representou pela conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva.

Mulher disse que sobreviveu fingindo desmaio

Em um dos trechos mais fortes do depoimento, a vítima relatou acreditar que só escapou viva porque fingiu ter desmaiado após ser atingida pelo fogo.

Ela afirmou que o agressor parou parcialmente a violência ao perceber que as chamas haviam diminuído e que ela aparentava estar desacordada. Pouco depois, conseguiu fugir da casa junto das crianças.

O caso provocou forte repercussão em São José dos Campos pela brutalidade do relato e pelo fato de envolver uma vítima que já possuía medida protetiva judicial contra o agressor.

Como pedir ajuda

Mulheres em situação de violência podem acionar a Polícia Militar pelo telefone 190. Também é possível buscar orientação e apoio por meio da Central de Atendimento à Mulher, no número 180.

Casos envolvendo ameaças, agressões, descumprimento de medida protetiva ou risco iminente devem ser comunicados imediatamente às autoridades.