15 de maio de 2026
OPINIÃO

Universidade é lugar de estudo, não de doutrinação e vandalismo

Por Letícia Aguiar | Deputada estadual pelo PL
| Tempo de leitura: 4 min
Alesp
Letícia Aguiar

As universidades públicas paulistas são patrimônio do povo de São Paulo. USP, Unesp e Unicamp estão entre as melhores instituições de ensino da América Latina, formam médicos, engenheiros, pesquisadores, professores, cientistas e profissionais que ajudam a transformar o Brasil. Precisam ser valorizadas, protegidas e respeitadas.

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Mas é justamente por reconhecer essa importância que me preocupo com o rumo de alguns episódios recentes que vêm acontecendo dentro desses espaços.

As graves denúncias de assédio, abuso sexual e estupro na Unesp de São José dos Campos exigem resposta firme, investigação rigorosa e acolhimento às vítimas. Por isso, encaminhei ofícios à Reitoria da Unesp, ao Cruesp, ao secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação e ao secretário estadual da Educação, cobrando providências, acompanhamento institucional e medidas concretas de proteção. As universidades estaduais paulistas têm autonomia, mas autonomia não pode significar ausência de responsabilidade. Nenhuma universidade pode tolerar esse tipo de crime.

O protesto pacífico dos estudantes da Unesp cobrando providências foi legítimo. Quem entra em uma universidade quer estudar em um ambiente seguro, respeitoso e digno.

O problema começa quando pautas legítimas passam a ser sequestradas por grupos ideológicos e militantes profissionais que transformam universidades em palco político permanente, afastando o foco principal: ensino, pesquisa e formação profissional.

Nos últimos dias, vimos ocupações, conflitos, depredações e ataques às forças de segurança em manifestações envolvendo alunos da USP. Em muitos casos, estudantes que só querem assistir aula acabam reféns de uma minoria barulhenta que utiliza espaços públicos para promover agendas políticas e ideológicas completamente desconectadas da realidade da maioria dos jovens brasileiros.

Defendo o direito à manifestação pacífica. Isso faz parte da democracia. O estudante tem direito de reivindicar melhorias na permanência estudantil, na infraestrutura, na segurança e na qualidade do ensino. Mas uma coisa é protesto pacífico. Outra completamente diferente é vandalismo, ocupação violenta, ataque ao patrimônio público e hostilidade contra a Polícia Militar ou as demais instituições que garantem a ordem e o funcionamento da própria sociedade.

Tenho enorme respeito pelos milhares de jovens que acordam cedo, enfrentam transporte público, estudam, trabalham e enxergam a universidade como oportunidade de crescimento. Essa juventude merece respeito. Merece um ambiente acadêmico saudável, plural e livre.

O que não podemos aceitar é a transformação das universidades em espaços de intimidação ideológica, hostilidade ao pensamento divergente e normalização da desordem.

Nos últimos anos, cresce a percepção de muitos estudantes e professores de que existe pressão ideológica dentro do ambiente universitário. Inclusive recentemente centenas de docentes de universidades brasileiras assinaram um manifesto em defesa do pluralismo, da liberdade acadêmica e contra a intolerância ao pensamento divergente.

Isso precisa ser debatido com seriedade.

Universidade pública não pode ser capturada por radicalismos políticos que utilizam a estrutura do Estado para militância permanente. Também não pode ser espaço para glamourizar drogas, banalizar violência, atacar instituições ou transformar radicalização ideológica em projeto de poder dentro do ambiente acadêmico.

Fui criada aprendendo que educação, esforço pessoal, disciplina e responsabilidade são valores fundamentais para construir uma vida digna e transformar a realidade das pessoas. O Estado deve oferecer oportunidade, infraestrutura e acesso ao ensino. Mas cabe a cada pessoa construir seu próprio futuro com mérito e dedicação.

Também me preocupa profundamente a degradação moral e cultural que alguns grupos tentam normalizar dentro desses ambientes. Muitas famílias fazem sacrifícios enormes para ver um filho ingressar em uma universidade pública. Sonham com formação de qualidade, crescimento profissional e ascensão social. Não esperam encontrar ambientes marcados por radicalização política, banalização do uso de drogas, hostilidade ao pensamento divergente e situações que desvirtuem o verdadeiro papel da universidade.

As universidades paulistas são grandes demais para serem reduzidas a trincheiras ideológicas.

Precisamos defender a excelência acadêmica, a liberdade de pensamento, o respeito institucional e a segurança de quem realmente quer estudar. E isso inclui proteger estudantes contra abusos, combater violência sexual com rigor e garantir que os campi universitários voltem a ser ambientes de conhecimento e formação — não de caos e militância permanente.

Sou mãe, e sei da emoção que tantas famílias sentem ao ver um filho conquistar uma vaga em uma universidade pública. Existe orgulho, esperança e muito sacrifício por trás desse momento. E é justamente por isso que acredito que educação pública de qualidade deve caminhar junto com responsabilidade, respeito, segurança e compromisso verdadeiro com o aprendizado.

A universidade deve formar profissionais, pesquisadores e cidadãos preparados para construir o futuro do Brasil — com liberdade, conhecimento, responsabilidade e capacidade de pensar por si próprios.