A Câmara Municipal de Cachoeira Paulista aprovou uma moção de repúdio contra a vereadora Thálitha Barboza (PT) após a parlamentar tecer críticas ao religioso Frei Gilson. O conflito escalou durante uma sessão legislativa municipal, gerando grande repercussão, na última terça-feira (12).
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A vereadora chamou Frei Gilson de “misógino” devido a pregações onde ele abordava o papel da mulher no matrimônio e criticava o movimento feminista. O religioso defendeu que Deus instituiu a liderança masculina e que a missão da mulher é ser "auxiliar do homem". Ele também criticou o conceito moderno de "empoderamento feminino".
O vereador Michel do Xandão (PP) apresentou a moção, defendendo o frei e destacando sua importância para a cidade, inclusive com ações voltadas para a saúde local. A medida foi aprovada por 7 votos a 6.
“Quando um agente público utiliza suas redes para atacar ou diminuir a fé, a imagem ou a atuação de líderes religiosos, acaba contribuindo para o aumento da intolerância e da polarização”, escreveu Xandão na justificativa do projeto.
“A publicação ao afirmar ‘mais Padre Júlio e menos Frei Gilson’ ultrapassa o campo do debate de ideias e cria um ambiente de confronto religioso, desnecessário e incompatível com a postura esperada de um representante público”, disse ele em outro trecho.
Durante a sessão, a vereadora Thálitha Barboza protocolou denúncias contra Xandão e outro vereador, Agenor do Todico (PL), por quebra de decoro parlamentar. Ela os acusa de endossar ou curtir postagens ofensivas feitas nas redes sociais a respeito dela.
Em postagem nas redes sociais, Thálitha disse que “não atacou a fé de ninguém” e que foi repudiada por “defender as mulheres, a população LGBTQIAPN+ e as minorias”.
“Nos últimos dias, setores da política local tentaram transformar uma crítica legítima em ‘intolerância religiosa’, apenas porque tive coragem de me posicionar contra falas públicas denunciadas por misoginia e homofobia”, afirmou.
“O que critiquei foram discursos que utilizam a religião para justificar preconceitos, discriminações e ataques contra pessoas historicamente marginalizadas. Isso não é perseguição religiosa. Isso é defesa dos direitos humanos”, disse ela.