11 de maio de 2026
R$ 15 MILHÕES

Volkswagen é condenada por fraudes no controle de gases poluentes

Por Da redação | São Paulo
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/MPF/Adobe Stock
Montadora foi condenada por faudes na homologação ambiental de veículos a diesel

A Volkswagen do Brasil foi condenada a pagar R$ 15 milhões para indenização de danos morais coletivos decorrentes de fraudes na homologação ambiental de veículos a diesel produzidos no país entre 2011 e 2012.

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A sentença é resultado de uma ação civil pública do MPF (Ministério Público Federal) contra a empresa. Segundo o órgão, em mais de 17 mil unidades da picape Amarok fabricadas no período, a montadora embutiu um software que burlava testes de emissão de poluentes e, com isso, viabilizou a comercialização de automóveis que lançavam óxidos de nitrogênio em níveis acima do permitido no país.

O MPF informou que recorreu da decisão para que o valor estabelecido seja dobrado. Nos pedidos originais, o MPF já requeria a fixação de R$ 30 milhões para indenização, “quantia correspondente à gravidade da conduta da Volkswagen”, segundo o órgão federal.

O MPF disse que as práticas da empresa violaram resoluções do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente), leis e a própria Constituição Federal, “causando prejuízos ambientais que se estendem até hoje devido aos veículos que continuam em circulação”.

Software

Conhecido como “item de ação indesejável”, o software que a Volkswagen instalou nas picapes era capaz de identificar quando os veículos eram submetidos a ensaios laboratoriais de emissão, afirmou o MPF.

Ao detectar a realização dos testes, disse o órgão, o dispositivo otimizava o controle de lançamento dos óxidos de nitrogênio, reduzindo seus níveis para que se adequassem aos limites previstos em normas.

Ainda segundo o MPF, a fraude possibilitou que a Volkswagen obtivesse as licenças do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) para a comercialização de milhares de unidades da Amarok que, em situações reais, emitiam esses gases a uma taxa de aproximadamente 1,1 g/km. O índice superava o patamar máximo estabelecido pelo Proconve (Programa de Controle da Poluição do Ar por Veículos Automotores), de 1 g/km.

“A introdução dos veículos no mercado nacional ocorreu mediante fraude à autoridade ambiental federal, o que, por si só, representa grave violação à confiança pública e ao sistema de controle ambiental”, diz trecho da sentença da 12ª Vara Cível Federal de São Paulo.

Ibama e Cetesb

Segundo estimativas do Ibama e da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), a circulação das picapes irregulares levou à emissão total de 2,7 mil toneladas de óxidos de nitrogênio acima do permitido entre 2011 e 2016. Em 2017, a Volkswagen realizou um recall dos veículos para a atualização do software, mas a campanha alcançou menos de 30% do total de unidades vendidas.

Embora reconheça a fraude na instalação do programa nos 17 mil veículos produzidos entre 2011 e 2012, a sentença afirma que os danos ambientais só foram efetivamente comprovados em 24% da frota comercializada, referentes à versão 90 KW da Amarok.

Nas unidades da versão 120 KW, diz o texto, não seria possível apontar com segurança a ocorrência das emissões em excesso por causa de divergências em análises periciais. O MPF contesta essa afirmação.

“A pretensão não depende da precisa quantificação das emissões, pois a fraude no licenciamento, por si só, já vicia a comercialização, o trânsito e as emissões das Amaroks que carregavam o dispositivo de fraude”, diz o MPF no recurso pelo aumento da indenização.

“A necessidade de majoração ampara-se no fato de que a apelada [Volkswagen] agiu com dolo e perversidade tecnológica. Ao vender veículos a diesel sabidamente mais poluentes burlando os testes, a empresa operou sob a lógica da privatização dos lucros e socialização dos prejuízos”, conclui o documento.

Segundo o MPF, a Volkswagen adotou a mesma fraude na produção de veículos em diversos outros países, em um escândalo mundial que ficou conhecido como “Dieselgate”. No Brasil, além das sanções judiciais impostas, as irregularidades já haviam acarretado a aplicação de multa à empresa pelo Ibama, no valor de R$ 46 milhões.

Outro lado

Procurada, a Volkswagen do Brasil afirmou, em nota, que "não comenta processos em andamento".